Plataformas para SOAr 2

Posted by Alê! Mon, 16 Mar 2009 14:17:00 GMT

<!DOCTYPE html PUBLIC “-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN”> Plataformas para SOAr Passamos umas três semanas offline em razão de um problema esquisito que deu no Typo, nosso engine de blog. Mas, como devem ter percebido, desde a última semana, estamos de volta!


Plataformas para SOAr

Continuando o papo de SOA,  minha primeira manifestação aqui no blog sobre o assunto foi uma discussão filosófica que se resume da seguinte forma:


O propósito de SOA é muito nobre, mas a forma como tem sido vendido ao longo dos últimos anos está falida.

Daí, descrevi minha percepção sobre a visão moderna do assunto, que definiria SOA, em primeiro lugar, como um ESTILO de arquitetura que busca primordialmente maior LUCRATIVIDADE para o negócio do cliente através da preocupação constante com o ROI, fazendo o REAPROVEITAMENTO máximo dos ATIVOS existentes de forma ÁGIL, não necessariamente visando a rapidez, mas a EFETIVIDADE dos resultados.


Então, na prática ocorre o seguinte:


Empresas privadas e órgãos públicos possuem hoje um grande parque de legados de software que se constituem em ativos imateriais nos quais muito investimento já foi realizado e cujo redesenvolvimento poderia não ser a estratégia mais inteligente em termos de ROI.


Cliente possui legados em produção

Em se tratando de um conjunto estático e estável de sistemas legados, o reaproveitamento de seus serviços em novas soluções é facilmente resolvido com algum esforço pontual de desenvolvimento para externalização de funcionalidades através de alguma interface compreensível por todos os interessados.


Contudo, considerando que, neste conjunto, novos elementos podem surgir dinamicamente, decorrentes de parcerias entre Órgãos, disponibilização pública de sistemas na Internet ou aquisição de produtos tecnologicamente heterogêneos, a implementação manual de cada necessidade de integração pode não ser  a decisão mais efetiva, e daí surge a questão: como garantir o mínimo de dinâmica na integração de legados para potencializar meus lucros?



Como integrá-los?

Simplificadamente, eu vejo duas formas básicas de integração de serviços.


Integração ponto a ponto Integração estrela

Ou a integração se dá ponto-a-ponto, ou numa topologia de estrela.


A integração ponto-a-ponto interliga dois serviços de forma direta, através de tecnologias bastante conhecidas pela comunidade desenvolvedora. Neste modelo, cada serviço acopla-se diretamente a outro, sem possibilidade de muita dinâmica na colaboração.


Tecnologias para integração direta Tecnologias para integração estrela

Já na integração estrela, os serviços não interagem entre si de forma direta, mas de forma desacoplada, através de algum elemento intermediário que intercepta todas as mensagens e as reencaminha a seus destinatários. Este man-in-the-middle já recebeu vários nomes ao longo da história, mas chega atualmente sendo chamado de Barramento Corporativo de Serviços (ou Barramento de Serviços Corporativos, sei lá) ou, da sigla em inglês, ESB.



Há uma baita discussão sobre ESB. Há os que o defende como produtos e os que garantem se tratar não mais que um modelo arquitetural. Independente do mérito, é ao seu redor que orbitam todas as grandes plataformas SOA de mercado.


Em síntese, num ESB, vários serviços se conectam ao barramento e, quando da necessidade de comunicação de um serviço S1 qualquer com outro S5, por exemplo, ocorrem os seguintes passos:

  1. S1 produz a mensagem a ser enviada a S5
  2. S1 posta a mensagem no barramento (por enquanto, não se preocupe em como isso é feito)
  3. O barramento (ESB) transmite a mensagem ao serviço de destino S5
  4. S5 lê e processa a mensagem recebida

Mensagem produzida em S1 Mensagem consumida em S5

No mundo JBoss, esta estrutura é implementada no projeto JBoss ESB.


JBoss ESB

Entretanto, na vida real, nem sempre os cenários são tão simples quanto o exemplo apresentado. Por exemplo, nem sempre o formato de mensagem produzida pelo serviço S1 é compatível com o formato de mensagem compreendida pelo serviço S5, o que gera a necessidade de conversão da mensagem durante sua passagem pelo barramento.


Serviços incompatíveis

Mensagem produzida em S1 S5 recebe mensagem convertida

Outro complicador da vida real é que nem sempre o destino da mensagem é previamente conhecido por seu emissor, ficando esta decisão por conta do próprio barramento.




Mensagem é produzida em S1 Mensagem é recebida pelo barramento, que deve decidir seu encaminhamento. Barramento decide a rota a ser tomada pela mensagem S5 recebe a mensagem


Transformação e roteamento dinâmico de mensagem são apenas 2 exemplos de funcionalidades normalmente disponíveis nos principais ESBs de mercado. Outros  problemas comuns da integração de serviços são também resolvidos nesses produtos. E, sendo a tecnologia Java uma das principais protagonistas deste mundo de integração de serviços corporativos, há sempre as alternativas programática e declarativa para uso dos serviços nativos dos middlewares ESB.


Programaticamente vs Declarativamente
Muito comum no mundo JEE, os caminhos programático e declarativo para a utilização de serviços de infra-estrutura são já antigos conhecidos da comunidade desenvolvedora. Segurança, controle transacional e persistência talvez sejam os grandes expoentes dessa estratégia. O grande discurso fomenta a edição de arquivos XML em preferência à manipulação direta de código fonte Java. Pelos entusiastas, a configuração declarativa (XML) de serviços é favorável a sua manipulação programática (Java) a partir do momento em que (a) a edição de arquivos XML não exige a recompilação e reteste do código e (b) a sintaxe XML é mais simples (!!!!) que a sintaxe de qualquer linguagem de programação.  Obviamente, é um assunto extremamente polêmico, que teve seu auge e mérito no início da plataforma J2EE, mas que tem sofrido duras críticas nos últimos anos pela suposta burocracia agregada pelo excesso de arquivos XML de configuração. Tamanho é o frenessi em torno do debate que hoje já despontam tecnologias com discurso explicitamente opositor à tradicional proposta declarativa J2EE: ”convention over configuration”.  Depois eu discuto sobre os prós e contras desta abordagem. Não será nosso foco agora. Façamos vista grossa por enquanto.

Mais recentemente, elevando este discurso ‘declarativista’ ao limite, criaram a possibilidade de se implementar até as regras de negócio dos sistemas em XML, e é esta tecnologia que tem sido utilizada dentro das plataformas ESB para a configuração de regras de roteamento e transformação de mensagens, por exemplo.

Configuração declarativa de regras

Isso quer dizer o seguinte: ao se adotar um ESB para integração de serviços corporativos, usa-se algum mecanismos baseado em linguagem de alto nível (XML ou outra qualquer) para se descrever como deverá ser o tratamento das mensagens que circularem dentro do barramento. A este mecanismo, deu-se o nome de ‘Engine de Regras’.

Engine de Regras

Para efeitos didáticos, eu descrevo um Engine de Regras com o auxílio de 2 dos 3 poderes da República. Num extremo, está o Poder Legislativo, resposável pela criação, edição e publicação das lei que regirão todo o sistema. No outro extremo, o Judiciário, responsável por analisar e julgar fatos ocorridos na sociedade sob a luz da legislação vigente.

regras + fatos + engine de regras = decisão

Assim, de alguma forma, configuramos declarativamente no ESB, por exemplo, as regras de roteamento de mensagem. Então, como o ESB possui internamente um Engine de Regras ativo, quando da chegada de uma mensagem no barramento (fato esperado pelo Engine), a mensagem é submetida às regras previamente definidas e, com base no processamento realizado pelo Engine de Regras, um ou outro encaminhamento será dado ao seu percurso.

Na comunidade JBoss, esta funcionalidade é provida pelo projeto Drools ou, comercialmente falando, JBoss Rules, que se integra ao JBoss ESB.

JBoss Rules

 Mas, os problemas não páram por aí.




A medida que a integração entre serviços se torna prática estabelecida (e amadurecida), é natural que as estruturas de relacionamento entre sistemas fiquem cada vez mais complexas, envolvendo cada vez mais serviços (e até pessoas), em cenários cada vez mais heterogêneos. Uma mensagem que nos primeiros projetos de ‘SOA’ era simplesmente produzida por um serviço X e consumida por outro Y, com necessidades exporádicas de conversão e/ou roteamento, é, em arquiteturas mais avançadas e complexas, consumida e transformada por vários atores, que a processam em fluxos específicos e, por que não, dinâmicos.


A integração de serviços tende a se complicar...

Neste ponto, a tendência é de caos e de total perda de controle do ambiente, sugerindo a rápida saturação do sistema.

O excesso de serviços pode levar ao caos

Por isso, desde os primeiros passos da integração de sistemas, é importante a consolidação de processos que organizem os fluxos de trabalho e a execução de serviços compostos.

Formalização de processos para a composição de serviços

Ainda dentro da cultura declaratista do mundo JEE, a idéia é que o fluxo de processamento de uma mensagem por vários serviços seja definido de forma (novamente) declarativa e executado por alguma entidade independente, chamada de ‘Engine de Processos’, que instanciam processos previamente (e declarativamente) definidos e administram sua execução, controlando a passagem de um estado do fluxo para outro, disparando gatilhos configurados (para envio de emails, por exemplo) e até gerando estatísticas de execução para a tomada de decisões estratégicas (#clichê).

Engine de Processos

Existem várias soluções no mercado com este propósito. Destaco aqui o JBoss jBPM.

jBPM

Em conjunto, JBoss ESB, JBoss Rules e JBoss jBPM constituem o que a RedHat comercialmente chama de JBoss SOA Platform. Lembrem-se de que o modelo de negócio da RedHat é baseado na venda de subscrição para suas várias plataformas.
JBoss SOA Platform

Várias “plataformas SOA” estão sendo comercializadas por aí. Os três conceitos apresentados servem de base para compreensão da maioria das soluções disponíveis. Nem de longe eu tentei neste post explicar tecnicamente cada elemento da plataforma SOA da RedHat/JBoss. Este texto foi apenas uma continuação de outro.  Mais pra frente eu pretendo escrever especificamente sobre cada um dos 3 projetos mencionados (ESB, Rules e BPM). Mais coisa pro meu blog debit :-/

Nesta altura do campeonato, o importante de ser compreendido é o seguinte: “plataformas SOA”, em sua definição tradicional, tem muita a ver com a visão de SOA 1.0 descrita no post anterior. É preciso muita cautela ao examiná-las. Qualquer ímpeto, por menor que seja, de interepretação dessas plataformas como as balas de prata para a integração de serviços é um grande erro. Lembrem-se dos valores defendidos na visão de SOA 2.0. SOA não tem a ver com tecnologia, mas com a adoção de práticas. Logo, só se justifica a adoção de uma ou outra plataforma se os serviços por ela prestados corroborarem com os novos valores defendidos.

Ainda neste raciocínio, lembre-se de que você não precisa de um ESB, ou qualquer outro produto desses, pra começar a implantar SOA. Muito mais que uma mudança tecnológica, estamos falando de uma mudança comportamental. Então, se seu objetivo é reaproveitar um sistema qualquer  para otimização do ROI de sua empresa, faça-o da forma mais efetiva. Dê o tiro certo. Se o tiro certo for através da adoção de uma plataforma SOA, ótimo. Senão ótimo também. Se, para o primeiro passo, apenas o Engine de Processos for necessário, ótimo. Se apenas o ESB for relevante, ótimo também. Não adeque sua necessidade à tecnologia. Adeque a tecnologia às suas necessidades. SEMPRE!

[]s