[Cobertura FISL 10] Richard Stallman - Copyright vs Community
Palestra Stallman. Vendo o gordinho "por cima"(literalmente)
Sinceramente, eu não conhecia muito sobre o Richard Stallman, mas hoje tive a oportunidade de ver uma de suas apresentações, e tive uma boa surpresa. Por tudo o que já me haviam dito anteriormente, esperava ver um cara uniformizado ( mesmo que fosse somente com a camisa do GNU ), mal educado, que fala alto, interrompe todas as pessoas, meio psico-comunista/freetard/motherfucker/qualqueroutroadjetivotosco que não sorri e come criancinhas. Para minha surpresa, e de boa parte da platéia, vimos o pançudinho um tanto alegre, pulando em uma perna só durante a leitura do seu currículo, e fazendo várias correções, algumas sérias e as outras somente para tirar um sarro do apresentador, e que chegou a ensaiar uns passinhos de dança, arrancando algumas risadas meio tímidas da platéia. Daí sucederam-se várias surpresas, como a primeira frase: "eu não vim aqui falar de software livre (pausa), mas sim das perguntas que vocês sempre me fazem no final das minhas apresentações…". Isso resumiria o espírito da apresentação que no fim das contas foi sobre, como a consciência de software livre e liberdade , e não a visão de Stallman, pode ser aplicada no mundo real, onde quem trabalha (e quem não trabalha também), quer receber alguma coisa por isso. Como o modelo de software livre, a irrestrita liberdade de uso, modificação e distribuição pode ser implementada.
Como primeiro exemplo Stallman, cita a origem da cópia de livros e manuscritos. O compartilhamento dos livros nasceu da dificuldade de replicação dos mesmos. Ou seja, dai se criou a cultura do compartilhamento de conhecimento, gerado pela tecnologia de produção de mídia que existia antigamente. Claro que com a evolução da prensa, a forma mais fácil de se compartilhar conhecimento tornou-se a impressão de livros o que foi incentivado pelas leis de direitos autorais, que permitiam que um autor imprimisse um livro de forma exclusiva, direitos esses que era cedidos pelos reis, principalmente quando os autores estavam de acordo com as idéias da realeza e a citavam de forma positiva no começo dos seus livros. Eles faziam isso para proteger seu direito de comercialização e de divulgação dos seus livros. Com a criação de editoras de livros, essa funcionalidade protecionista perdeu o seu principal motivo. A partir daí a grande questão é que com a evolução tecnológica muitas coisas mudaram, e entre elas o conceito de compartilhamento de conhecimento.
Seguindo a mesma linha de pensamento, Stallman expõe questões pertinentes da indústria de filmes e indústria fonográfica. Nesse momento a surpresa foi ver que ele admite que existam regras de direitos autorais, e que as mesmas podem ser válidas e legítimas se aplicadas de uma forma diferente da forma atual. Citando um exemplo do ciclo de vida de uma publicação nos Estados Unidos, que Stallman classifica como de 3 anos da data de lançamento, ele propõe um tempo real para a manutenção dos direitos autorais de 9 anos. Fazendo um comparativo e citando algumas conversas com escritores americanos ele cita um caso em que um escritor disse que qualquer valor de tempo maior que 5 anos seria um abuso em termos de restrições criadas para manter os direitos autorais. Justamente nesse ponto, quando todo mundo começa a se perguntar, se isso não vai contra o objetivo de todo escritor, Stallman lança a idéia de que o objetivo do escritor sempre é, tirando a minoria que deseja somente ganhar dinheiro, ter seus livros lidos. Voltando ao tema da música, ele expõe que somente as super estrelas da música ganham valores significativos com a venda de CDs. As gravadoras fazem com que o lucro dos artistas com CDs sejam "confiscados" para pagar pelos adiantamentos dados por conta da produção de discos, produção de turnês, promoção pessoal, imagem, etc. Então acreditar que as leis copyright protegem o artista, segundo Stallman, é um erro. Dessa forma ele propõe alguns métodos de cobrança mais justos para a indústria, como a utilização de uma taxa que incide sobre o valor pago por cada pessoa ao seu ISP, para financiar a música e cultura. Os recursos seriam compartilhados entre os músicos que você baixou alguma música. Outro exemplo, é de algumas iniciativas de músicos que disponibilizam as suas músicas gratuitamente em seus sites, e se você gostar, pode dar uma contribuição ao músico. Outra opção é o modelo de contribuição voluntária. Você escuta uma musica, e se você gostar, doa 1 real ou 0,50 centavos para o músico. Você faria isso semanalmente ou diariamente, ou simplesmente não faria a doação. Só doa quem quiser.
Acho que a grande sensação da palestra é que a visão dele, depende de alterações profundas na nossa idéia de recompensa de valores, comércio e cultura.
Gestão heurística, ágil e premiada 2
Diz o dito popular que a unanimidade é burra. Outro, bem clichê por sinal, diz que se você segue o caminho que todos seguem, chegará não mais que onde todos chegaram.
No livro (e filme) Uma mente brilhante, de Sylvia Nasar, a história (verídica) de John Nash mostra bem isso. Nash, Nobel de Economia, não gostava de assistir aulas. Por ele, seguir o raciocínio dos mestres podaria-lhe a criatividade, levando-o às mesmas interpretações, dificuldades e limitações. Por isso, gostava de descobrir tudo por conta própria. O modelo mais heurístico possível. Ele acreditava que assim poderia ir mais longe.
Na SEA, o que inicialmente nos parecia uma grande fraqueza, se tornou, com o tempo, um dos nossos maiores diferenciais. A empresa começou sem qualquer capacitação administrativa. Sentíamos muito medo disso. Sem conhecer as seculares teorias de Fayol, Taylor et. al., certamente estaríamos condenados e engrossaríamos logo as estatísticas de mortalidade empresarial do SEBRAE. Entretanto, os fatos nos demonstrou outra faceta da situação. Como não conhecíamos nenhum modelo tradicional, consolidado e sólido de gestão, acabamos desenvolvendo o nosso próprio jeito de trabalhar, extremamente inspirado pela filosofia new-school e integralmente baseado em tentativas e erros.
Ninguém descorda de que a empresa parecia o caos, até que em 2006, de forma totalmente inexperada, fomos surpreendidos com o Prêmio Êxito Empresarial, na categoria de prestadores de serviços, concedido pelo SEBRAE e parceiros.

Segundo notícia de lançamento do Prêmio,
"As cinco empresas vencedoras, uma em cada categoria (indústria, comércio, serviços, agronegócio/rural e empreendedorismo social), serão as que se destacarem por uma melhor abordagem dos critérios considerados na avaliação, que são: liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimentos, pessoas e processos, pondo em prática medidas que garantem o sucesso dos seus empreendimentos no mercado."

Depois deste feito, passamos a observar com mais carinho tudo o que tínhamos feito até então. Na prática, estávamos nada mais nada menos do que trazendo para o mundo administrativo conceitos da comunidade de software livre, da filosofia ágil e dos princípios lean.
Hoje, falamos disso aos quatro ventos. A última ocasião foi no Encontro Nacional de Empreendedores Juniores, onde tivemos um caloroso feedback. Já a próxima apresentação será em Votuporanga, no Congresso Regional de Empreendedorismo. Clique no convite abaixo para mais detalhes.

Definitivamente, o caminho pro sucesso não é necessariamente único.
Se quiser saber mais, deixe-nos um comentário.
[]s