O Colapso 2.0? 7
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Que redondo que nada.
O fácil é ser quadrado.
Há muito que tentamos na SEA desenvolver um modelo
diferenciado de gestão, no mínimo, mais divertido
e sustentável que as formas tradicionais que vemos por
aí. O percurso, entretanto, é árduo e,
depois de tantos tropeços, começa-nos a ficar
bastante clara a razão pela qual a grande parte das empresas
optam pelas receitas de sempre, chatas, burocráticas e
quadradas. É muito mais simples.
Já fizemos vários
relatos
aqui
no
blog
de
iniciativas
internas
rumo à Emrpesa
2.0 e até fomos
reconhecidos oficialmente por
algumas dessas investidas. A proposta é de extremo
romantismo e nos custa vários novos cabelos brancos a cada
dia. Para cada nova proposta inovadora de gestão, um mol
de desafios e questões nos saltam à frente a
espera de solução. E, depois de alguns anos
acreditando e insistindo nesta filosofia, percebemos o porquê
de empresas lideradas por pessoas tão modernas renderem-se a
modelos tão antigos, industriais, hierarquizados,
centralizados e de comando e controle.
Talvez um dos nossos principais discursos internos seja o fomento
à atividade
empreendedora (lembrando que
empreendedor é diferente de empresário).
Há bastante tempo atrás lançamos o
primeiro programa interno de
incentivo ao desenvolvimento de idéias pessoais.
Não necessariamente estejamos nos referindo ao modelo
70-20-10 do Google, mas
gostaríamos que o pessoal da SEA pensasse além de
suas rotinas operacionais.
Infelizmente, já faz algum tempo dessa primeira proposta e
até hoje o modelo não se consolidou.
Não sabemos ao certo a verdadeira razão e por
isso viemos a público abrir a discussão na
certeza de que suas consequências terão grande
poder transformador na qualidade de vida de todos nós.
O Colapso 2.0
A filosofia ágil e suas generalizações
e derivações, sob a luz do Manifesto
2.0, sugere a maior
independência e autonomia das equipes de trabalho. Na SEA,
vamos além, promovendo esses atributos
democráticos aos níveis mais
estratégicos da organização. E, para
alegria de uns e tristeza de outros, cada vez mais este processo parece
ser irreversível. Alegria pois é de conhecimento
público desde os estudos
de Maslow, e recentemente reforçado por Asproni,
que os fatores de satisfação
profissional e pessoal não estão essencialmente
fundados nas premiações financeiras, mas em
elementos subjetivos relacionados à
percepção do indivíduo à
sua condição de trabalho, favorecidos pela
manutenção de um ambiente democrático,
fértil ao desenvolvimento e crescimento profissional.
Tristeza pois cada nova liberdade dada aumenta o poder das pessoas no
processo produtivo, tornando a máquina, aos olhos 1.0,
vulnerável a muito mais riscos que outrora.
Quando as pessoas se envolvem num processo de tomada
democrática de decisões e
definição estratégica, de
transparência de todos os ciclos empresariais, de autonomia
dos grupos e de total liberdade de expressão, é
natural sua maior cumplicidade junto à empresa. Para quem
busca maior comprometimento (e não apenas envolvimento) de
seu time, essa é uma receita de mão cheia. Por
conseguinte, quanto maior a cumplicidade, menor é a
extensão vertical da pirâmide organizacional e
maior é o sentimento de igualdade entre todos,
até que se percebe que todos são iguais, mas uns
são mais iguais que outros, e aí
começam os problemas.
No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos
poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da
distribuição de responsabilidades e de lucros, da
propriedade do patrimônio em construção
e das práticas até então em uso. E
é aí que eu digo. Ser transparente,
dói. Ser democrático, dói. Tratar
todos com indistinção de [coloque_aqui_tudo_o_que_estiver_previsto_no_Art.3o_da_constrituição]
mais formação profissional e cargo na empresa,
é um sofrimento. Abre-se margem para as mais severas
críticas e questionamentos sobre tudo aquilo até
então estabelecido. E você, gestor 2.0, deve estar
totalmente disposto a ouvir e discutir.
Acontece, no entando, que o modelo começa a tender ao
colapso. Pois, quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal
terá. Quanto mais poder, mais críticos
serão. Quanto mais críticos, mais tenso
será o ambiente e mais insustentável
tornar-se-á a situação, até
o ponto em que uma grande decisão há de ser
tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo
padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e
promove-se uma grande revolução interna.
Você, como empresário, que tanto suou pra chegar
até aqui, o que faria?

[]s