O Colapso 2.0? 7

Posted by Alê! Tue, 02 Jun 2009 12:05:00 GMT

<!DOCTYPE html PUBLIC “-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN”> O facil eh ser chato



Que redondo que nada.

O fácil é ser  quadrado.

Há muito que tentamos na SEA desenvolver um modelo diferenciado de gestão, no mínimo, mais divertido e sustentável que as formas tradicionais que vemos por aí. O percurso, entretanto, é árduo e, depois de tantos tropeços, começa-nos a ficar bastante clara a razão pela qual a grande parte das empresas optam pelas receitas de sempre, chatas, burocráticas e quadradas. É muito mais simples.


Já fizemos vários relatos aqui no blog de iniciativas internas rumo à Emrpesa 2.0 e até fomos reconhecidos oficialmente por algumas dessas investidas. A proposta é de extremo romantismo e nos custa vários novos cabelos brancos a cada dia. Para cada nova proposta inovadora de gestão, um mol de desafios e questões nos saltam à frente a espera de solução. E, depois de alguns anos acreditando e insistindo nesta filosofia, percebemos o porquê de empresas lideradas por pessoas tão modernas renderem-se a modelos tão antigos, industriais, hierarquizados, centralizados e de comando e controle.


Talvez um dos nossos principais discursos internos seja o fomento à atividade empreendedora (lembrando que empreendedor é diferente de empresário). Há bastante tempo atrás lançamos o primeiro programa interno de incentivo ao desenvolvimento de idéias pessoais. Não necessariamente estejamos nos referindo ao modelo 70-20-10 do Google, mas gostaríamos que o pessoal da SEA pensasse além de suas rotinas operacionais.


Infelizmente, já faz algum tempo dessa primeira proposta e até hoje o modelo não se consolidou. Não sabemos ao certo a verdadeira razão e por isso viemos a público abrir a discussão na certeza de que suas consequências terão grande poder transformador na qualidade de vida de todos nós.

O Colapso 2.0

A filosofia ágil e suas generalizações e derivações, sob a luz do Manifesto 2.0, sugere a maior independência e autonomia das equipes de trabalho. Na SEA, vamos além, promovendo esses atributos democráticos aos níveis mais estratégicos da organização. E, para alegria de uns e tristeza de outros, cada vez mais este processo parece ser irreversível. Alegria pois é de conhecimento público desde os estudos de Maslow, e recentemente reforçado por Asproni, que os  fatores de satisfação profissional e pessoal não estão essencialmente fundados nas premiações financeiras, mas em elementos subjetivos relacionados à percepção do indivíduo à sua condição de trabalho, favorecidos pela manutenção de um ambiente democrático, fértil ao desenvolvimento e crescimento profissional. Tristeza pois cada nova liberdade dada aumenta o poder das pessoas no processo produtivo, tornando a máquina, aos olhos 1.0, vulnerável a muito mais riscos que outrora.


Quando as pessoas se envolvem num processo de tomada democrática de decisões e definição estratégica, de transparência de todos os ciclos empresariais, de autonomia dos grupos e de total liberdade de expressão, é natural sua maior cumplicidade junto à empresa. Para quem busca maior comprometimento (e não apenas envolvimento) de seu time, essa é uma receita de mão cheia. Por conseguinte, quanto maior a cumplicidade, menor é a extensão vertical da pirâmide organizacional e maior é o sentimento de igualdade entre todos, até que se percebe que todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros, e aí começam os problemas.


No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da distribuição de responsabilidades e de lucros, da propriedade do patrimônio em construção e das práticas até então em uso. E é aí que eu digo. Ser transparente, dói. Ser democrático, dói. Tratar todos com indistinção de [coloque_aqui_tudo_o_que_estiver_previsto_no_Art.3o_da_constrituição] mais formação profissional e cargo na empresa, é um sofrimento. Abre-se margem para as mais severas críticas e questionamentos sobre tudo aquilo até então estabelecido. E você, gestor 2.0, deve estar totalmente disposto a ouvir e discutir.


Acontece, no entando, que o modelo começa a tender ao colapso. Pois, quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal terá. Quanto mais poder, mais críticos serão. Quanto mais críticos, mais tenso será o ambiente e mais insustentável tornar-se-á a situação, até o ponto em que uma grande decisão há de ser tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e promove-se uma grande revolução interna. Você, como empresário, que tanto suou pra chegar até aqui, o que faria?

Desespero!

Meus dedos estão coçando pra continuar a escrever, mas vou experimentar a idéia de posts curtos… Fica a questão. Gostaria de ouvi-los, caros seguidores.

[]s