Escolhas 2.0 13

Posted by Alê! Tue, 24 Nov 2009 12:42:00 GMT

Escolhas 2.0



Fui convidado, no último sábado, a fazer uma palestra aos alunos, ex-alunos, pais e professores que participaram da cerimônia de 10 anos da Empresa Júnior de Computação da UnB, CJR. Muito honrado, comecei a pensar sobre o que dizer.


A princípio, meu instinto sugeriu-me falar sobre o Manifesto 2.0 (texto, slides, vídeo), no qual discuto uma nova escola de pensamento da indústria de TI mas, refletindo sobre a missão principal das Empresas Juniores e no público presente, não julguei o tema como o mais adequado à situação. Haveria ali muita gente de outras áreas que pouco compreenderiam situações específicas do universo do desenvolvimento de software, além de vários estudantes com ainda pouca estrada para de fato se sensibilizarem com a necessidade de um mundo 2.0.

Pensei então naquela palestra sobre Empreendedorismo 2.0, que realizei no UniCEUB há algumas semanas atrás, mas também logo desanimei, por me tocar que, para aqueles que estão começando uma carreira, empreendedorismo é algo ainda muito distante de seu horizonte de visão. Seria primeiro necessário discutir com esses alunos o que lhes acontecerá ao longo da vida profissional e os vários caminhos que o mercado lhes tem a oferecer. E foi então que nasceu esta apresentação, que chamei de Escolhas 2.0, pingada de clichês motivacionais, mas repleta do meu mais sincero voto  (e testemunho) a todos os presentes.



Em síntese, minha mensagem foi a seguinte:

  • Todos passamos por fases profissionais.
  • Em todas as fases, teremos desafios.
  • É importante compreendermos a lógica de cada fase para não nos afogarmos (e sermos vencidos) em seus desafios.
  • A superação de desafios é, na verdade, a nossa busca por melhor qualidade de vida (sucesso, paz, estabilidade, equilíbrio).
  • Temos que atingir esta qualidade de vida num contexto capitalista, que rege toda a lógica do mundo ocidental.
  • Neste contexto, o empreendimento de idéias é o caminho mais viável para nossos objetivos finais.
  • Ao empreender, empreenda conforme os princípios 2.0.

[]s

Link Latte

Posted by Willi Wed, 21 Oct 2009 12:19:00 GMT

Tenho citado o Blog da SEA como meio para os candidatos conhecerem mais a empresa pra verem se se identificam e querem trabalhar aqui. Na verdade, acho que o conteúdo e todo nosso blog que é o verdadeiro “manual do SEArense”…
Existem alguns valores que podem ser inferidos de todos os posts e que gostaríamos que todos sentissem da mesma forma aqui. (Enfim, viagens à parte, vamos em frente.)

Só que temos alguns importantes posts (IMHO) do Blog velho que raramente são revistos, salvo quando os referenciamos vez ou outra. Comecei a tuitar alguns, vi que era coisa demais (e o Twitter é descartável demais como fonte), então resolvi escrever esse post só com as referências deles, pra quem tiver interesse em conhecer a SEA, como as coisas aconteceram por aqui, como somos, nossa forma de pensar e etc.


E vários outros lá no nosso blog velho… Aproveitem, é nossa experiência sendo oferecida de graça!

[]s



PS: Os comentários podem ser deixados aqui.

SINFORM, Ágiles e RailsSummit 4

Posted by Alê! Fri, 16 Oct 2009 15:39:00 GMT

SINFORM, Agiles2009 e RailsSummit

Setembro e outubro são sempre os meses de pico de eventos no Brasil e, depois de praticamente 3 semanas pulando entre uma e outra apresentação, estamos de volta à vida real.




A maratona começou em Ilhéus/BA, com a IX Semana de Informática da UESC, na qual apresentei uma palestra sobre Computação Invisível e um mini-curso de Ruby e Rails.



Além da turma da organização do evento, que fez um trabalho sensacional, conheci outras grandes figuras: Camilo Lopes (IBM), Hugo Santana (Google) e o Prof. Aquiles Burlamaqui (UFRN). Foi um prazer, caras!


Na sequência, descemos pra Florianópolis/SC para participar do Ágiles2009, o principal evento de metodologias ágeis da América Latina, no qual falamos do Manifesto 2.0 e do paradoxo Agilidade x Licitações.



Rolou até uma sessão de dojo no evento!



Impressionou-me neste encontro a qualidade das discussões e o nível da galera presente. Em especial, encantou-me o discurso do Roy Singham, CEO da ThoughtWorks, não apenas pela presença de palco e pela habilidade de condução da palestra mas, principalmente, pela grande intersecção do que ele falou com o que nós temos falado no Manifesto 2.0.  \o/  Se alguém tiver gravado, dá um toque, por favor!

Ah, e aproveito pra mandar um salve pro Samuel Crescêncio (@screscencio), Victor Hugo (@victogh) e pro Bruno Ghisi (@bghisi). Muitíssimo obrigado pela recepção fantástica que nos deram. Vocês são foda!

Rails Summit 2009

Por fim, seguimos pra São Paulo/SP, para participar do RailsSummit 2009 que, IMHO é, atualmente, o melhor evento de TI do Brasil. Apesar de não estarmos na programação oficial da conferência, tivemos a oportunidade de novamente falar do Manifesto 2.0 como uma lightning talk, que os amigos da BlueSoft fizeram o gentil favor de filmar e publicar.

Manifesto 2.0 no Rails Summit 2009 por Alexandre Gomes from Bluesoft on Vimeo.

Como andei tuitando, blogando e já disse para vários colegas, o grande lance do RailsSummit não é o RubyOnRails, mas a comunidade que em torno dele se formou. Não sei é pelo fato de ser constituída de gente de diversos outros mundos tecnológicos ou simplesmente por ter nascido no umbigo do pensamento 2.0, mas a essência dos debates é de singular admiração. Não vou repetir aqui o que já disse no passado. @AkitaOnRails está novamente de parabéns pelo empreendimento.

E, por falar em empreendimento, deve rolar no próximo ano um evento sobre Empreendedorismo em TI. Fiz essa sugestão ao final da palestra do @viniciusteles e a galera comprou a idéia. Muito provavelmente, será no Rio. Atentem-se!

E, por falar em @viniciusteles, ele o @akitaonrails fizeram as melhores palestras do evento, em minha humilde opinião. Portanto, não percam a oportunidade de assisti-los.




As demais apresentações já estão disponíveis aqui. O @leozera nos fez um ótimo review do primeiro e do segundo dia, com links para os slides e tudo mais. Outras impressões sobre o evento podem ser vistas no TrendTime.

A turma da @sea_tecnologia foi, gostou e indica a quem se interessar.


2010

Finda a maratona, é hora de retornar à vida real, responder alguns emails e preparar o espírito para 2010 que, AFAIK, já conta com:

  • Março - Maré de Agilidade (Belo Horizonte/MG)
  • Abril - MaréDeAgilidade.Gov.Br (Brasília/DF)
  • ?? - Maré de Agilidade (Florianópolis/SC)
  • Junho - Ágil Brasil (Porto Alegre/RS)
  • Agosto - Bundle Maré de Agilidade + Oxente Rails (Natal/RN)
  • Setembro - DevInRio (Rio de Janeiro/RN)
  • Outubro - Ágiles (Lima/Peru), RailsSummit (São Paulo/SP)

Como diria o Guapo, e vamo que vamo!

[]s

Torna-te, pois, responsável 3

Posted by Alê! Mon, 27 Jul 2009 11:51:00 GMT

Torna-te, pois, responsável.

Apesar de tendência ao colapso, ainda acreditamos na Filosofia 2.0.


Definitivamente, cremos que empresas modernas devem quebrar suas barreiras egocêntricas, fomentar a opinião crítica de sua equipe, digeri-las e agir de acordo. Como dizem no mundo do Software Livre, nenhuma idéia é melhor que a idéia de todos nós juntos. Estamos falando dos princípios da Web 2.0, onde a empresa deixa de ser o núcleo emanador de verdades e torna-se a infra-estrutura viabilizadora  do desenvolvimento de sua comunidade.

Transparência vs Compromisso

Numa empresa 2.0 (por mais que não tenham ainda formalizado este conceito), a gestão estratégica do negócio recebe influências diretas de seu nível operacional. Democracia a parte, não é novidade o incômodo trazido pelo modelo. Incômodo ainda maior, quando o bombardeio de críticas é acompanhado de descompromisso. Afinal, nossa cultura é mestre em seu senso crítico evasivo.

Adoramos condenar o escalão político sem, no entanto, nos lembrarmos que nosso voto o compôs e, pior, sem nos dispormos agir de alguma forma para sua reconstituição moral. Repare em nossa sociedade. O papel acusador é vivido do mais pobre ao mais rico, do mais estudado ao menos, e todos compartilham, majoritariamente, a síndrome do ‘não é problema meu’. O problema da limpeza da cidade é do prefeito, não meu. A insegurança do condomínio é problema de seu síndico, não meu. A guerra no trânsito é culpa dos motoristas de transporte coletivo, obviamente, não meu. E, no senso comum, tropeços na gestão empresarial, é problema de seus dirigentes, não meu.

Mas não é nisso que o pensamento 2.0 acredita. O Scrum, representante deste movimento, ilustra muito bem a situação com a estória do porco e da galinha.



Não queremos crítica por crítica. Queremos crítica construtiva, preferencialmente de pessoas devidamente compromissadas com seus resultados. O poder de voz não é gratuito. Grande carga de responsabilidade o acompanha.

O que faz todo o modelo tender ao colapso é o descompromisso dos participantes. Como galinhas, muitos querem se envolver na discussão, julgando e criticando, mas poucos estão realmente dispostos às últimas consequências de seus atos. Sendo desta forma, não se atinge um equilíbrio na balança da discussão vs ação. Empresas modernas precisam muito mais de gente que faz do que de gente que fala.



Experimentamos nos últimos 4 anos a realização do planejamento estratégico da empresa com todos, absolutamente todos, os seus integrantes. Muitos gostam do processo, simpatizam-se com a disposição da empresa em a todos ouvir, mas também muitos negam-se a participar pela impressão de haver muita ideologia e pouco resultado prático do processo.

Discussão vs Ação

Passei muitos anos de minha vida em busca de idéias brilhantes e crente em sua escassez. De uns tempos pra cá, entretanto, percebi que o que nos falta não são ieias, mas capacidade de realização.

Quando se abre as portas da gestão estratégica para a discussão coletiva, o que se busca, nas entrelinhas, é maior apoio para a construção de um mundo novo. Sim, a opinião coletiva é importante mas, muito mais relevante é o apoio braçal para realização de parte do que fora discutido.

Então, críticas sem compromisso em nada contribuem. Não adianta 20 pessoas aparecerem com mil pedras e sugestões de melhorias e pensarem que 3 colegas serão suficientes para implementá-las. Queremos gente que compre a briga conosco e que lute ao nosso lado. Esta é a contrapartida ao direito de voz.

Não é raro ouvir que “aqui nesta empresa, muito se fala, mas pouco se faz” sem que o interlocutor, inadvertidamente, se dê conta que grande parcela do “muito se fala” e da responsabilidade pelo “pouco se faz” está em seu poder. Então, antes de muito propor, verifique sua capacidade de contribuição com a proposta.  E, antes de criticar a pouca realização, examine sua consciência e confirme sua isenção de culpa. Se sua incapacidade de contribuição em ideias está limitada por questão financeiras ou sociais, busque-as, viabilize-as. Se sua contribuição com planos do passado não tem sido expressiva, reinvente-se. Se todo o fardo do desenvolvimento corporativo estiver sobre seus ombros, reivindique! Tudo isso faz parte das responsabilidades cotidianas do chamado “gestor” que agora, quer compartilhá-las com todos.

Há aqueles que acreditem que novas ideias ou modelos de trabalhos só serão implementados se promulgados pela alta gestão do negócio. Nada mais 1.0 a dizer. Esses ainda acreditam no poder e certamente estão alheios aos novos valores da adminsitração moderna que define a autoridade e a liderança como palavras de ordem. A gestão moderna não é uma atividade resumida ao preenchimento de planilhas e acompanhamento de gráficos. É a arte da socialização, da articulação política e da resolução de conflitos.

Portanto, pare de culpar o mundo pelas suas mazelas. Culpe a si mesmo. Busque no alto escalão apoio para a eliminação de obstáculos, e não decretos imperativos de transformação. Faça amigos e influencie pessoas. Desenvolva sua capacidade de convencimento. Seja líder. Seja um empreendedor


Tu te tornas eternamente responsável
por aquilo que cativas.


Como bem já disse o Serge, não basta só a Empresa ser 2.0. É preciso que seu Pessoal também o seja. É preciso que se desenvolva a Aptitude 2.0.

Nota pra mim mesmo: discutir no próximo post como incentivar a Aptitude 2.0.

[]s

É meu e ninguém tasca! 3

Posted by Alê! Mon, 15 Jun 2009 12:46:00 GMT

É meu e ninguém tasca! Obrigado a todos que colaboraram na discussão sobre o Colapso 2.0.  Prossigamos com o raciocínio….

No post anterior eu falei do nosso fomento à cultura do empreendedorismo, do maior comprometimento e cumplicidade que se cria entre equipes e empresa e a crescente tensão gerada pela redução das diferenças de poder entre todos.


No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da distribuição de responsabilidades e de lucros, da propriedade do patrimônio em construção e das práticas até então em uso.
(…)
quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal terá. Quanto mais poder, mais críticos serão. Quanto mais críticos, mais tenso será o ambiente e mais insustentável tornar-se-á a situação, até o ponto em que uma grande decisão há de ser tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e promove-se uma grande revolução interna.


Obviamente, como bem disse @FabricioBuzeto em seu comentário, nenhum dos extremos é uma escolha inteligente. É óbvio que não vamos abandonar agora todo o processo e prol do comodismo fabril 1.0. Por outro lado, também não parece ser uma descisão esperta incentivar a ingerência anárquica e desmedida. @RicardoFunke foi bem feliz em sua citação.

Na vida, sempre temos que escolher entre o que é fácil e o que é certo!


E, neste mar de questões, temos quebrado a cabeça em busca de alguma proposta coerente com nossa filosofia e com a necessidade de sobrevivência empresarial.

Por nossa filosofia, as equipes devem ser autônomas para a definição dos melhores métodos e técnicas para seus projetos e acreditamos que essa autonomia não deve ser dada arbitrariamente, mas conquistada pelo mérito. Mas, para sobrevivência empresarial, esta autonomia não deve sobrepor as prioridades financeiras e estratégicas da empresa.

A questão meritocrática foi discutida no Manifesto 2.0. Mérito se conquista de diversas formas, mas todas convergem à confiança. Disso, fica explícita a grande barreira do empresariado 1.0 em atribuir autonomia a seus times. Se autonomia se conquista por mérito e mérito é uma questão de confiança, enquanto não houver cumplicidade integral entre a alta gestão e os grupos operacionais, dificilmente haverá a plena confiança e, logicamente, nunca se estabelecerá o livre direito às equipes de de fazer e acontecer.

Aos olhos externos, toda essa discussão parece superficial e muito óbvia de ser resolvida (aliás, conduzir uma empresa/equipe/família, de uma forma geral, é muito óbvio até você ter a sua própria). Mas pense comigo: um belo dia, você, profissional de sucesso, resolve abdicar de todas as benesses que o status lhe confere, sair de sua zona de conforto e iniciar a construção de um negócio próprio. Imediatamente, seus rendimentos mensairs serão reduzidos a 50, 30 ou 25% do anterior. Em pouco tempo, a alegria  de não ter chefe é cedida à cobrança constante e intensa de seus poucos clientes conquistados a ferro e fogo.  A muito custo e pauladas, o negócio começa a entrar nos trilhos e você vê um pequeno ponto luminoso no fim do túnel. Daí, insurge um movimento que reivindica mais direitos e maior autonomia para conduzir parte do *seu* negócio o.O. Pombas, não foi o sangue deles que escorreu para que sua empresa chegasse até aqui. Não tiveram o salário reduzido a 1/4 para garantir a sobrevivência do empreendimento. Por que raios então que agora chegam, a esta altura do campeonato, e ainda pedem pra sentar na janelinha? Você, como empresário, não se sentiria desconfortável e não ficaria com a pulga atrás da orelha? Você como mãe ou pai, não se sentiria insultado se um desconhecido lhe desse pitacos sob a criação de sua criança de 6 anos de idade? Exageros e sofismas a parte, acho que é mais ou menos este o sentimento que paira sob uma mente da maioria dos donos de empresa.

Voltando à questão, você daria este voto de confiança a pessoas que não carregaram a mesma cruz que você? Quais serão suas verdadeiras expectativas? Será que realmente têm valor a agregar ao negócio ou não passam de oportunistas embebedados por ideais comunistas com grande potencial de destruir retroceder sua empresa? Mantendo a metáfora, uma doméstica com 6 meses de casa tem ou não autonomia para conduzir a parte da educação de seus filhos? São essas as questões que fazem com que as empresas de hoje seja como são.

Ouvi recentemente um empresário dizendo que não abre mão do controle de sua área por não acreditar que outras pessoas terão a mesma capacidade de gestão que a sua. Ignorando a prepotência e arrogância, até que faz sentido. Mas então, como resolver a grande questão do universo sem rachá-lo ao meio?

Dizer que o poder deve ser igualmente repartido dentro da empresa, independente de raça, cor, credo, formação e salário não vale, pois isso significaria uma mudança de paradigma tão, mas tão grande, que talvez apenas 0.0001% das empresas do mundo aceitariam fazer. Seria o extremismo que o @FabricioBuzeto mencionou em seu comentário no post anterior. Então, como chegar a um meio termo?

[]s

O Colapso 2.0? 7

Posted by Alê! Tue, 02 Jun 2009 12:05:00 GMT

O facil eh ser chato



Que redondo que nada.

O fácil é ser  quadrado.

Há muito que tentamos na SEA desenvolver um modelo diferenciado de gestão, no mínimo, mais divertido e sustentável que as formas tradicionais que vemos por aí. O percurso, entretanto, é árduo e, depois de tantos tropeços, começa-nos a ficar bastante clara a razão pela qual a grande parte das empresas optam pelas receitas de sempre, chatas, burocráticas e quadradas. É muito mais simples.

Já fizemos vários relatos aqui no blog de iniciativas internas rumo à Emrpesa 2.0 e até fomos reconhecidos oficialmente por algumas dessas investidas. A proposta é de extremo romantismo e nos custa vários novos cabelos brancos a cada dia. Para cada nova proposta inovadora de gestão, um mol de desafios e questões nos saltam à frente a espera de solução. E, depois de alguns anos acreditando e insistindo nesta filosofia, percebemos o porquê de empresas lideradas por pessoas tão modernas renderem-se a modelos tão antigos, industriais, hierarquizados, centralizados e de comando e controle.

Talvez um dos nossos principais discursos internos seja o fomento à atividade empreendedora (lembrando que empreendedor é diferente de empresário). Há bastante tempo atrás lançamos o primeiro programa interno de incentivo ao desenvolvimento de idéias pessoais. Não necessariamente estejamos nos referindo ao modelo 70-20-10 do Google, mas gostaríamos que o pessoal da SEA pensasse além de suas rotinas operacionais.

Infelizmente, já faz algum tempo dessa primeira proposta e até hoje o modelo não se consolidou. Não sabemos ao certo a verdadeira razão e por isso viemos a público abrir a discussão na certeza de que suas consequências terão grande poder transformador na qualidade de vida de todos nós.

O Colapso 2.0

A filosofia ágil e suas generalizações e derivações, sob a luz do Manifesto 2.0, sugere a maior independência e autonomia das equipes de trabalho. Na SEA, vamos além, promovendo esses atributos democráticos aos níveis mais estratégicos da organização. E, para alegria de uns e tristeza de outros, cada vez mais este processo parece ser irreversível. Alegria pois é de conhecimento público desde os estudos de Maslow, e recentemente reforçado por Asproni, que os  fatores de satisfação profissional e pessoal não estão essencialmente fundados nas premiações financeiras, mas em elementos subjetivos relacionados à percepção do indivíduo à sua condição de trabalho, favorecidos pela manutenção de um ambiente democrático, fértil ao desenvolvimento e crescimento profissional. Tristeza pois cada nova liberdade dada aumenta o poder das pessoas no processo produtivo, tornando a máquina, aos olhos 1.0, vulnerável a muito mais riscos que outrora.

Quando as pessoas se envolvem num processo de tomada democrática de decisões e definição estratégica, de transparência de todos os ciclos empresariais, de autonomia dos grupos e de total liberdade de expressão, é natural sua maior cumplicidade junto à empresa. Para quem busca maior comprometimento (e não apenas envolvimento) de seu time, essa é uma receita de mão cheia. Por conseguinte, quanto maior a cumplicidade, menor é a extensão vertical da pirâmide organizacional e maior é o sentimento de igualdade entre todos, até que se percebe que todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros, e aí começam os problemas.

No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da distribuição de responsabilidades e de lucros, da propriedade do patrimônio em construção e das práticas até então em uso. E é aí que eu digo. Ser transparente, dói. Ser democrático, dói. Tratar todos com indistinção de [coloqueaquitudooqueestiverprevistono_Art.3oda_constrituição] mais formação profissional e cargo na empresa, é um sofrimento. Abre-se margem para as mais severas críticas e questionamentos sobre tudo aquilo até então estabelecido. E você, gestor 2.0, deve estar totalmente disposto a ouvir e discutir.

Acontece, no entando, que o modelo começa a tender ao colapso. Pois, quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal terá. Quanto mais poder, mais críticos serão. Quanto mais críticos, mais tenso será o ambiente e mais insustentável tornar-se-á a situação, até o ponto em que uma grande decisão há de ser tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e promove-se uma grande revolução interna. Você, como empresário, que tanto suou pra chegar até aqui, o que faria?

Desespero!


Meus dedos estão coçando pra continuar a escrever, mas vou experimentar a idéia de posts curtos… Fica a questão. Gostaria de ouvi-los, caros seguidores.


[]s

Empreendedorismo em Votuporanga 1

Posted by Alê! Mon, 03 Nov 2008 19:22:00 GMT

Conforme anunciado no post Gestão heurística, ágil e premiada, seguem slides da apresentação que fizemos em 31/10/2008 no Encontro Regional de Empreendedorismo em Votuporanga/SP.

 

Gestao Agil
View SlideShare presentation or Upload your own. (tags: agil gestão)

 

[]s

Gestão heurística, ágil e premiada 2

Posted by Alê! Wed, 29 Oct 2008 01:00:00 GMT

Diz o dito popular que a unanimidade é burra. Outro, bem clichê por sinal, diz que se você segue o caminho que todos seguem, chegará não mais que onde todos chegaram.

No livro (e filme) Uma mente brilhante, de Sylvia Nasar, a história (verídica) de John Nash mostra bem isso. Nash, Nobel de Economia, não gostava de assistir aulas. Por ele, seguir o raciocínio dos mestres podaria-lhe a criatividade, levando-o às mesmas interpretações, dificuldades e limitações. Por isso, gostava de descobrir tudo por conta própria. O modelo mais heurístico possível. Ele acreditava que assim poderia ir mais longe.

 Na SEA, o que inicialmente nos parecia uma grande fraqueza, se tornou, com o tempo, um dos nossos maiores diferenciais. A empresa começou sem qualquer capacitação administrativa. Sentíamos muito medo disso. Sem conhecer as seculares teorias de Fayol, Taylor et. al., certamente estaríamos condenados e engrossaríamos logo as estatísticas de mortalidade empresarial do SEBRAE. Entretanto, os fatos nos demonstrou outra faceta da situação. Como não conhecíamos nenhum modelo tradicional, consolidado e sólido de gestão, acabamos desenvolvendo o nosso próprio jeito de trabalhar, extremamente inspirado pela filosofia new-school e integralmente baseado em tentativas e erros.

Ninguém descorda de que a empresa parecia o caos, até que em 2006, de forma totalmente inexperada, fomos surpreendidos com o Prêmio Êxito Empresarial, na categoria de prestadores de serviços, concedido pelo SEBRAE e parceiros. 

Segundo notícia de lançamento do Prêmio,

"As cinco empresas vencedoras, uma em cada categoria (indústria, comércio, serviços, agronegócio/rural e empreendedorismo social), serão as que se destacarem por uma melhor abordagem dos critérios considerados na avaliação, que são: liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimentos, pessoas e processos, pondo em prática medidas que garantem o sucesso dos seus empreendimentos no mercado."

Depois deste feito, passamos a observar com mais carinho tudo o que tínhamos feito até então. Na prática, estávamos nada mais nada menos do que trazendo para o mundo administrativo conceitos da comunidade de software livre, da filosofia ágil e dos princípios lean.

Hoje, falamos disso aos quatro ventos. A última ocasião foi no Encontro Nacional de Empreendedores Juniores, onde tivemos um caloroso feedback. Já a próxima apresentação será em Votuporanga, no Congresso Regional de Empreendedorismo. Clique no convite abaixo para mais detalhes. 

 

Definitivamente, o caminho pro sucesso não é necessariamente único.

Se quiser saber mais, deixe-nos um comentário.

[]s