A Rede Σ 23
Desculpem o texto longo. Precisava dizer tudo o que tinha que ser dito. Sinto-me melhor agora… :-)
Abstract
Acho que todo mundo sabe o quão bem vista a comunidade técnica brasileira é no exterior, né? Nossa capacidade de mobilização, organização e motivação não se compara com nenhum outro canto do mundo. Vindo do mundo Java, acompanhei de perto a evolução dos Java Users Groups e sei bem o quão maduros somos quando comparados a JUGs de outros países. No entanto, ainda não entendi por que nós, técnicos, ainda não refletimos o mesmo nível de maturidade nos negócios. Já que somos tão bons em fazermos coisas juntas, por que raios este mesmo potencial não é usado para geração de negócios, riquezas, empregos e bem estar social? Este post, deveras longo, discute este assunto e faz a proposta de um novo modelo de empreendedorismo, sustentado por princípios de soberania, confiança e propsperidade. Boa leitura.
Não crie empresa, crie empreendimentos!
Eestamos trazendo uma nova proposta para empreendimentos de software.
Chamemo-la de Rede Σmpreendedora
(é preciso dar um nome pra ficar fácil de
referenciá-la ao longo do texto). A proposta é
bem simples e não traz nenhum novo
conceito.
Sua inovação está no contexto em que
será
aplicada, com foco no público desenvolvedor de software.
A Rede Σmpreendedora
Imagens dizem mais que mil palavras….. Eis a proposta:| Eu tenho uma ideia que acredito ter um bom potencial de lucratividade. | ![]() |
![]() |
Só que eu não tenho todos os recursos (tempo, infra-estrutura, design, contatos, habilidade de vendas…) para implementá-la. |
|
Eu
verifico se
alguém da minha rede de relacionamento possui
os
recursos dos quais preciso…
Pode ser um telefonema, um email ou mesmo numa conversa de boteco) |
![]() |
![]() |
…e ofereço parte dos meus ganhos a quem estiver disposto a me ajudar. |
| De forma semelhante, outras pessoas também têm ideias… | ![]() |
![]() |
…e também buscam apoio em amigos para viabilizá-las. |
|
Com
o tempo, eu terei participações
majoritárias
em poucos empreendimentos…
(os
meus empreendimentos)
|
![]() |
![]() |
…
e
participações minoritárias em
muitos outros.
(empreendimentos
de outras pessoas)
|
| Ganho
eu. Ganhamos todos. |
![]() |
Complexo?
Similares
A primeira vista, parece não haver nada de novo nesta proposta e, de fato, não há! Veja se o modelo sugerido em muito não se assemelha aos itens abaixo:Mercado de Capitais
Da página de uma corretora da valores:
Trazendo à nossa realidade, quando um desenvolvedor aposta
muito
em uma ideia de produto mas não possui todos os recursos
para
concretizá-la, ele pode (i) vendê-la à
empresa que
o contrata, (ii) pagar do próprio bolso os perfis
necessários para sua implementação ou
(iii) abrir
a
participação societária a quem estiver
disposto a
ajudar.
Vender ideias está longe da realidade. Afinal,
não faltam ideias no mundo, mas sim, pessoas com capacidade
de realização. Financiar suas ideias com recursos
próprios é uma boa saída mas,
infelizmente, assumiríamos assim todos os riscos do projeto
e, infelizmente, não fomos educados pra isso.
Restaría-nos, portanto, a última
opção, de distribuição de
quotas societárias, boa por um lado, prejudicial por outro.
Ao distribuir ações de nosso empreendimento,
criamos uma ótima oportunidade de coleta
dos recurso de que necessitamos para alavancagem do projeto, o
que é ótimo! Afinal, é assim que
empresas S.A. fazem para capitalizarem-se sem endividamento.
Entretanto, perpetuamos, nesta estratégia, algumas
características 1.0, como as relações
societárias e o modelo da escassês, no qual bens
valorizam-se na mesma proporção de sua
carência no mercado (o que socialmente não
é bom) ao contrário do modelo
da abundância que diz
que:
A proposta da Rede Σ tudo a ver com o modelo do mercado de
capitais
para alavancagem de recursos sem endividamento, com algumas ressalvas:
- a “bolsa de valores”, na verdade, nada mais é que minha rede confiável de relacionamentos, geralmente formada pro outros programadores, como eu, designers, devops e mesmo vendedores;
- primordialmente, toda negociação é feita com base em troca de serviços (tempo de desenvolvimento, montagem de uma infra-estrutura, espaço em servidores, esforço comercial etc) e não necessariamente dinheiro.
- devemos estar atentos à perpetuação do modelo de escassês, buscando sua minimização, sempre que possível.
Arranjo
Produtivo Local
APLs tem como proposta o agrupamento de toda uma cadeia produtiva em
torno de objetivos comuns a fim de pontencializar o ganho coletivo.
Pela Wikipedia,
Em Brasília, temos a APLTICDF
(Arranjo Produtivo Local de
Tecnologia da Informação e
Comunicação do
Distrito Federal), que congrega empresas de diferentes especialidades
que lutam em conjunto para potencialização do
mercado
local de TI.
Às vezes batizada como Pólo
Tecnológico, a
proposta merece grande respeito, principalmente pela busca do ganho
coletivo, mas ainda assim não resolve o problema
específico de potencialização das
ideias
individuais que todos nós, técnicos, temos.
As APLs
hoje, reúnem apenas empresários
(não
necessariamente empreendedores), que se usam de uma infra-estrutura
política para barganha de benefícios comuns. E se
fizéssemos o mesmo entre nós, desenvolvedores
de software?! Esta
é uma das propostas da RedeΣ.
Propomos a aproximação
não de empresas, mas de indivíduos
técnicos, para que, além da
potencialização de empreendimentos pessoais, haja
também a possibilidade de ganho coletivo de toda a minha
rede de relacionamento, num processo convergente de esforços
para
geração de riqueza e bem estar mútuo.
Jogo
Negócio Sustentável
Concebido por um grupo de consultores brasileiros, o jogo
propõe
um modelo de geração de riquezas
através do qual
sempre há ganhos individuais, coletivos e para o
território onde se opera cada negócio. Para que
cada
jogador
ganhe, é preciso que também haja ganhos para
todos os
demais participantes, contrariando as regras comuns de mercado.
No jogo, cada jogador (empreendedor) retira uma carta que descreve um
negócio a ser realizado. A cada jogador são dados
recursos para a realização de
negócios, mas
não necessariamente um jogador possuirá, num dado
instante, todos os recursos exigidos para a
concretização
do negócio que lhe fora atribuído. Dessa forma,
cabe ao
empreendedor consultar a mesa de jogo em busca de investimentos e
parcerias para a
conclusão bem sucedida de sua carta. Em contrapartida, a
cada
investidor disposto a ceder recursos ao empreendedor necessitado
é garantida participação nos lucros do
negócio em desenvolvimento.
O jogo não tem fim. Os jogadores é quem devem
estipular
um ponto de término. Dizem que uma única partida
pode
durar dias!!! De fato, a cada rodada, ganha o jogador da vez e ganham
todos os seus investidores. Muito semelhante ao que propusemos acima,
não?
Obrigado @viniciusteles
pela dica!
Redes
P2P
Fazendo uma analogia técnica, a
migração do modelo
de empresa
tradicional para o modelo de Rede Σ equivale à
mudança do mundo
cliente/servidor para as arquiteturas P2P de fornecimento de recursos.
Ao invés da distinção exclusiva de
papéis
(provedor e consumidor de recursos), entramos num formato onde
cada membro da rede exerce, simultaneamente, ambas as
funções.
Seja uma transferência de arquivos.
No modelo tradicional, existe um único servidor que hospeda
o
arquivo
desejado e vários clientes que o acessam para sua
obtenção. Nesta
estratégia, quanto mais clientes acessando, pior
é o
desempenho do
servidor e da rede. Em outras palavras, quanto mais usuários
na
rede, pior a rede
fica.
Num modelo P2P, por outro lado, a lógica se inverte. Quando
o
download
do arquivo é feito de algum lugar para sua
máquina,
automaticamente ele
se torna público aos demais participantes da rede. Ou seja,
quanto mais gente baixando o arquivo, mais
gente estará provendo o arquivo para download.
Quanto mais
usuários na
rede, melhor a rede fica.
Trazendo à nossa realidade, quanto mais gente numa empresa,
a
priori,
pior ela fica. Afinal, quanto mais funcionários, maior
será a
burocracia e maiores serão as dificuldades de relacionamento
pessoal com
todos os escalões. Outrossim, a
ploriferação de
empresas de um mesmo
segmento também não é bem vista por
empresários tradicionais. No atual
modelo, quanto mais empresas, maior a concorrência e menores
serão as oportunidades de negócio. Em
síntese,
quanto mais cheia
estiver esta nossa rede de negócios 1.0, pior ela fica,
assim
como
nas
arquiteturas cliente/servidor.
Na proposta da Rede Σ, o crescimento de
minha rede de confiança representa, naturalmente (i) mais
recursos para
colaborar com minhas ideias e (ii) mais ideias com as quais posso
colaborar. Isto é, quanto mais cheia a rede, melhor ela se
torna.
Princípios
A Rede Σ sustenta-se em alguns pilares que
orientam seu desenvolvimento.
Soberania
O que aconteceria se, exatamente hoje, os donos da empresa em que
trabalha resolvessem fechar as portas e mudarem de ramo? Considerando
que tenha sido a melhor empresa em que você já
trabalhou
na vida, seria uma #putafaltadesacanagem, não? O mesmo seria
se,
hoje, o Google também resolvesse desligar todos os seus
servidores. Quantos emails você perderia com a morte
instantânea do GMail? E as fotos que você guarda no
Picasa
ou os documentos do GDocs? Tudo viraria pó em um piscar de
olhos.
Analise bem e perceberá que vivemos em constante
submissão. Praticamente todo o controle de nossa vida
virtual
está nas mãos de pessoas que sequer conhecemos e
confiamos.
Este cenário foi o que levou Klaus
Wuestefeld,
em 2004, a
elaborar o manifesto
da Computação
Soberana
que, em síntese, defende
a liberdade plena para compartilharmos informação
e
recursos de hardware com os amigos.
Pelo manifesto do Klaus, devemos ser os donos de nossos
próprios
narizes e termos absoluta soberania para tomar a
decisão que mais adequada julgarmos ser
às nossas
necessidades.
Levando este raciocínio ao limite, o mesmo se aplica a nossa
vida profissional. Afinal, por que delegamos a decisão sobre
o
que vamos fazer amanhã à uma minoria de
empregadores
“donos da verdade”? Por que confiamos tanto nos donos das empresas que
nos sustentam, públicas ou particulares? Como o Klaus bem
disse em seu manifesto, fazemos isso
simplesmente porque todos fazem? Não faz muito sentido
entregar
o controle de nossas vidas nas mãos de quem não
confiamos.
E se, assim como no manifesto do Klaus, fôssemos soberanos o
bastante para decidirmos qual projeto vamos fazer, qual será
nosso esquema de trabalho e qual será a sua
perpetuação ao longo tempo? Seria
ótimo,
não? Oras bolas, MAS NÓS PODEMOS!!! A isso
dá-se o
nome de empreendedorismo!
Então, por que não o praticamos? Sendo simplista,
porque
fomos educados por toda a vida a sermos submissos e obedientes, e
não para questionarmos modelos consagrados.
Ao subjulgarmo-nos às determinações de
um
empregador, abdicamos da realização de nossas
ideias para
a dedicação exclusiva às ideias
alheias.
Supreende-te, então, o fato de não serem os seus
os
sonhos por fim concretizados? Nenhuma surpresa, certo? Afinal, nesta
situação, a energia gasta para
realização
de nossos propósitos maiores (não falo aqui de
bens
materiais) é mínima. Como poderíamos,
portanto,
estimar qualquer sucesso pessoal? Tudo o que você faz, por
fim,
é canalizado para o sucesso de terceiros.
Ora, e nossas ideias? E nosso propósito de vida? Conforta-te
abandoná-los em prol de uma pseudo-estabilidade
profissional?
Para uns, sim. Para outros, felizmente, é
inadimissível.
Estes, utilizam-se da relação
empregatícia como
instrumento de alavancagem individual. Captalizam-se com o dinheiro dos
outros para o financiamento posterior de seus próprios
projetos. Seria uma ótima alternativa, se não
víssemos tantas brilhantes
se
auto-sabotarem em gaiolas de ouro, encantadoras num primeiro momento,
por potencializar o financimento de projetos pessoais, mas
traiçoeiras, ao algemarem seus integrantes em
padrões
financeiros enviesados
Através da Rede Σ, estamos
buscando o
estabelecimento de novos modelos de sustento, tentando sair das
tradicionais alternativas de relação
empregado/empregador, valorizando a soberania individual e viabilizando
o potencial coletivo de produção de novas ideias.
Sendo soberano, qualquer profissional tem o livre arbítrio
para
iniciar sua própria rede de empreendimentos para
implementação de suas ideias e projetos.
Não
é necessário pedir permissão a seu
empregador e
tampouco envolvê-lo no processo. Inexiste qualquer entidade
ou organismo regulador que restrinja sua expansão viral.
Seja entre seus colegas da faculdade, a turma do Dojo ou amigos
virtuais, descubram um propósito comum e sigam em frente. O
importante é que, pela proposta, todos
têm ampla autonomia e soberania para a
mobilização de grupos de empreendedorismo
bastanto, para isso, criar coragem, sair na
zona de conforto, levantar a bunda da cadeira, #tirardopapel
e #botarprafazer.
Ligue para aquele seu brother agora e veja se ele nãotem
alguma ideia de projeto na qual você possa contribuir.
Compartilhe suas ideias com seus amigos e alavanque-as.
Confiança
Gostem ou não, o mundo é feito de panelas.
Você
vive em panelas. Panelas regem todas as relações
humanas.
Panelas, mal vistas em algumas ocasiões são, na
verdade,
o que de fato criam relações duradouras entre
pessoas.
Apesar da conotação pejorativa do termo, panelas
são, tecnicamente, nossas redes de confiança.
Redes de relacionamentos (o famigerado networking que
os autores sobre
carreira tanto gostam de falar) podem ser rapidamente criadas. Redes de
confiança, entretanto, representam algo
mais
avançado que só o tempo constrói. Numa
rede de confiança, o estabelecimento de
elos
de segurança, honestidade e conforto entre seus
nós cria
um ecosistema com amplas vias para o compartilhamento de
informações e a mútua
colaboração.
Chamamos, primordialmente, membros de nossa rede de
confiança
para irem à nossa casa. Qualquer dono de empresa prefere mil
vezes mais contratar integrantes de sua rede de confiança,
ainda
que em 2º ou 3º graus, à
seleção de uma
chamada aberta de currículos. Essas redes são,
portanto,
nosso porto seguro de relações humanas. Mais vale
depositar créditos no amigo do meu amigo do que em
alguém
que nunca tenha visto na vida. Torna-se, portanto, uma rede desta
natureza, o alicerce mais seguro sobre o qual deveríamos
desenvolver um plano de vida de médio a longo prazo.
Ainda do Manifesto da Computação Soberana,
A Rede Σ deve ser, portanto, acima de tudo,
confiável. Como já dito, trata-se de um ambiente
para o
desenrolar de nosso potencial empreendedor de ideias. Quanto mais
confiável forem as relações
existentes, mais
intensas serão as interações entre
seus membros e,
naturalmente, maior será o compartilhamento de
opiniões e
feedbacks, acelerando o ciclo de melhorias e potencializando as chances
imediatas de geração de valor.
Prosperidade
O que fazer para que as pessoas sintam-se sempre motivadas a serem
sempre melhores? Como evitar que profissionais acomodem-se ao longo de
suas
carreiras? Como manter aceso o espírito empreendedor em cada
um de nós?
É
possível a manutenção permanente de um
ambiente
fértil à cultura de ideias? Não temos
a resposta a
essas questões, mas temos bem clara
sua importância.
Modelos tradicionais de trabalho tendem a nivelar por baixo todos os
participantes de um grupo, gerando as malditas síndromes da
acomodação e do deixe estar. Afinal, por que
trabalhar
mais, inovar mais ou buscar novas ideias se o reconhe$$imento [sic] no
fim do
mês $erá sempre o mesmo?
Alguns setores usam modelos comissionados para gerar
motivação constante mas, considerando que a
política não se estende a todo quadro
operacional,
acaba que a abordagem só empurra o problema para
regiões
menos expostas do negócio. Ou seja, motiva-se o vendedor,
que
é a cara da empresa no mercado, e acomoda-se os
técnicos,
escondidos em algum porão mal iluminado da
corporação.
Ademais, a
técnica comumente sustenta-se sobre valores de venda, e
não sobre o resultado (ROI) de fato gerado, ocasionando um
ciclo
interno auto-destrutivo. Equanto uns vendem a todo custo, por
não terem seus reconhecimento$ associados ao sucesso ou
fracasso
do empreendimento, outros, limitam-se à operação
padrão, já
que nem mai$ e nem meno$ lhes será
atribuído.
Há uma fábula
bem conhecida entre executivos
que diz que, para manter sua equipe
sempre ativa, é necessária a
adição de
elementos que lhes provoquem a busca constante pela
sobrevivência. Nesta corrida, alguns morrerão, mas
o
resultado final será de indivíduos extremamente
capacitados a lidarem com o canibalismo do mercado. Pessoalmente,
concordo com a estratégia até certo ponto, mas
discordo
com a forma que algumas grandes multinacionais implementam-na.
Como exercício, responda à questão:
que perda
teria a sociedade se você morresse hoje (toc toc na madeira)?
Se
lhe falta resposta, revise seus propósitos e reflita sobre
sua
real importância para o negócio a que se dedica.
No
formato tradicional de trabalho, ser ou não socialmente
relevante é opcional. Já na abordagem da
Rede Σ,
é questão de sobrevivência. Ganha
você, por estar em constante atividade mental (a melhor
vacina para maus da 3ª idade), e ganha o grupo, por manter-se
sempre energizado para a vida.
Achamos que a Rede Σ contribui para a
manutenção desta excelência individual
e coletiva
de produtividade. No modelo proposto, cada indivíduo
é
soberano para implementar os empreendimentos que quiser e estabelecer
as relações que melhor lhe aprouver. Dessa forma,
cabe a
ele manter-se ativo e útil na rede. Por ser um meio
naturalmente
meritocrático, sustentam-se nela
apenas aqueles com melhores ideias e competências de
colaboração, gerando um ciclo virtuoso de alta
produtividade, inovação e
geração de
ativos. E, àqueles que não acompanharem o
desenvolvimento
coletivo, restará a marginalização.
Afinal, a Rede é, por
essência, dinâmica e a cada
instante se refaz.
Autorregulação
Como todo modelo meritocrático (vide software livre), a
proposta da Rede Σ é autoregulável. Por
possuir
uma dinâmica orgânica, de constante
mutanção,
sempre há a oportunidade de melhoria contínua.
Um integrante que não se atualize profissionalmente, perde
instantaneamente seu prestígio. Outro que, num instinto de
más intenções, utilize-se do
ecosistema para
benefício exclusivo ou ilícito, será
naturalmente
descartado em futuras oportunidades. Cada membro desta teia tem apenas
uma única chance para vacilar. Ao mínimo sinal de
sabotagem, assim como nas relações humanas,
perde-se de
imediato o elo de confiança que o mantinha ligado ao sistema.
Como as relações de negócio
são
estabelecidas a cada empreendimento, tem-se sempre a oportunidade de
substituir parcerias mal feitas por novos relacionamentos negociais.
Afinal, uma sociedade é o reflexo de um
alinhamento de
interesses num dado instante de tempo, e não um compromisso
que
deve prevalecer por toda eternidade. Com o passar dos dias, cada parte
de um acordo societário sofre influências
específicas e particulares que, a longo prazo, as fazem
desenvolver modelos mentais distintos daqueles existentes no
início do relacionamento. Com isso, desenrolam-se os
conflitos
que, a depender da maturidade dos envolvidos, podem desnutrir todo o
ativo até então cultivado, prejudicando os
próprios donos e todos os que dependem dos empregos gerados
pelo
empreendimento.
Na Rede Σ, sociedades são, de fato, o que elas
são
(o reflexo de um alinhamento de interesses num dado instante de tempo)
e não um compromisso eterno de
realização conjunta
de negócios. A cada nova ideia, cabe ao empreendedor avaliar
o
estado de sua atual rede de confiança e buscar nela
integrantes
com mais potencial de contribuição ao
empreendimento. A
medida que se desenvolvem divergências entre
indivíduos
que outrora se relacionavam, ocorre o natural enfraquecimento de alguns
laços, a consolidação de outros
novos e a reconfiguração natural da Rede.
Gênesis
Todos nós temos grandes ideias diariamente. Uns mais, outros
menos, mas volta e meia a lampadadinha pipoca em nossa
consciência. Por alguns instantes, temos a certeza de ser
esta a
ideia que faltava para um mundo melhor e que certamente
ficaríamos ricos se a puséssemos em
prática mas,
por estarmos presos a rotinas profissionais, acabamos por abandonar
aquilo que poderia vir a ser as próximas grandes
inovações da indústria (ou
não).
Na SEA, temos plena consciência disso e, além das
ideias
de seus donos, há tempos buscamos formas de aproveitar o
potencial empreendor de nossos funcionários, sem muito
sucesso,
confesso.
Em Setembro/2007, abrimos nosso blog público com o post Mudanças
na TEC que, dentre outras
coisas, dizia:
Em Novembro/2007, dissemos no texto Empreender
faz Sentido:
Em Março/2008, foi a vez do post SEA:
um celeiro de ideias:
De 2008 pra cá, frustrados com as tentantivas anteriores,
temos
cronicamente debatidos sobre novos modelos de empresa.
Conversando muito com @alissonvale,
principalmente, percebemos que o
formato tradicional de empresa, com N sócios e M empregados,
não parece mais ser o mais adequado para quem tem perfil
empreendedor. Falamos já há algum tempo sobre a
criação de um ecosistema de
colaboração
mútua, através do qual vários
empreendedores
pudessem se beneficiar individual e coletivamente, mas pouco
avançamos em termos práticos.
Paralela a essas discussões pouco conclusivas, emergiu na
SEA um
movimento interessantíssimo (e preocupador). Sem qualquer
envolvimento
direto nosso, organicamente aconteceu a formação
de
núcleos de empreendimentos marginais à atividade
principal da empresa. Foram pessoas que, motivadas exclusivamente por
seus ideiais, compuseram-se com colegas de confiança para a
implementação de projetos de toda
sorte. Se, por uma lado, orgulhou-nos assistir o
nascimento deste movimento e a maturidade de nossa equipe, por outro,
preocupou-se a situação pela
divergência de
esforços que passamos a ter.
Desde que percebemos a evolução deste movimento,
começamos um debate sobre como canalizar todo este
espírito empreendedor para um foco comum.
Chegamos a propor a participação
societária da SEA
em um dos empreendimentos individuais mas, pela falta de acordo entre
os percentuais de participação, foi mais uma
tentativa
frustrada.
Há cerca de um mês atrás,
discutíamos sobre
isso em um grupo de amigos (os Agilistas
Anônimos) sem, mais
uma vez, chegarmos a um ponto
prático comum.
Vamos abrir uma empresa
- pautado no pensamento 2.0;
- valorizando aprendizado e ducaralhice;
- altamente motivada e melhorando continuamente;
- vendendo consultoria de Scrum, XP e Kanban;
- e criando produtos de software para uma sociedade melhor
?”
“Convergência é tudo! E é isso que eu vejo nessa galera.
Seria fantástico poder fazer alguma coisa juntos.
O difícil é o ‘como’… alguma idéia?”
Nas vésperas do OxenteRails
tivemos, eu, @rwilli
e
@brunopedroso
uma longa
conversa sobre este cenário. Mais uma vez, destacamos todas
as
inciativas marginais à SEA e debatemos sobre meios de
convergência desta energia. Conclusão? Nenhuma :-/
No primeiro dia de Oxente, almoçando com alguns SEArenses
presentes (@tulios,
@edhana,
@igallina
e @aitherios),
falamos um bocado
sobre como resolver esta situação,
confortável
para cada um, mas péssima para todos! A conversa, com o
cenário de Ponta Negra ao fundo e regada a peixe e
camarão, foi fantástica. Desenhamos
possíveis
caminhos mas, mais uma vez, não chegamos a um ponto
conclusivo.
Foi na #horaextra do segundo dia de evento, no entanto, que os astros se alinharam.
Sem nunca ter globalizado este debate, integrei-me, expontaneamente, a uma roda de bate-papo que começou com uma sentença semelhante a esta:
Coincidência ou não, começou ali a
mesma
discussão em torno da qual há muito
refletíamos.
E, com a colaboração de um e de outro, o grupo
foi
crescento, mais e mais pessoas identificaram-se com aquela
situação, e foi dali que começamos a
desenhar esta
proposta, que não representa um fim, mas o
início de um grande debate público sobre
@alissonvale
ou ainda
@klauswuestefeld
Entrei em êxtase desde então. Obrigado @viniciusteles, @fagiani, @rafaelp e @smergulhao por terem iniciado o assunto.
Público
Que fique claro que não estamos advogando contra a
formação tradicional de empresas (N
sócios x M
empregados) em prol de um modelo exclusivamente empreendedor
(empreendedor x empreendor) ! A proposta da Rede Σ
não
é
universal. Atributos empreendedorísticos
não podem
ser generalizados. Nem todo munto tem interesse em correr riscos ou
viver em constante desafio. Há no mercado
espaço
de sobra para quem opta pela segurança, estabilidade e
submissão e, os próprios empreendimentos,
além de
seus criadores, necessitam de pessoas dispostas de neles trabalharem.
Percebemos então que a Rede é, na verdade, nada
mais que
alternativa a um perfil muito específico de profissional e
não uma nova regra de mercado que substituirá o
atual
modelo secular.
Poréns
Dos vários poréns que foram levantados em
discussões sobre esta proposta, há um que ainda
não soube responder.
Será que toda esta ideia não pode nos levar a um
padrão mesquinho de comportamento, sempre barganhando algo
em
troca de todo e qualquer favor?
Será que seremos sóbrios o bastante para
distinguir o
brother do investidor? Esta preocupação
está diretamente relacionada à
perpetuação do modelo de escassês
mencionado anteriormente….
Feedback
Encarecidamente, peço a todos que deixem sua
opinião,
positiva ou não. Tenho depositado muitas fichas neste
esquema e
gostaria da ajuda de todos para evoluí-lo.
Estamos hoje, na própria SEA, tentando iniciar sua
implementação. Estamos chegando ao fim do
financiamento
de um produto e,
para continuar com sua
evolução,
propusemos sociedade ao grupo de desenvolvedores que o conduzia.
Não é ainda um modelo totalmente soberado, mas
já
é um início. Mantenho-vos informados sobre o
aprendizado
que tivermos.
[]s
@alegomes
Escolhas 2.0 13

A princípio, meu instinto sugeriu-me falar sobre o Manifesto
2.0
(texto,
slides,
vídeo),
no qual discuto
uma nova escola de pensamento da indústria de TI
mas,
refletindo sobre a missão principal das Empresas Juniores e
no
público presente, não julguei o tema
como o mais
adequado à situação. Haveria ali muita
gente de
outras áreas que pouco compreenderiam
situações
específicas do universo do desenvolvimento de software,
além de vários estudantes com ainda pouca estrada
para de fato se sensibilizarem com a necessidade de um mundo
2.0.
Pensei então naquela palestra sobre Empreendedorismo
2.0, que realizei no UniCEUB
há algumas semanas
atrás, mas também logo desanimei, por me tocar
que, para
aqueles que estão começando uma
carreira, empreendedorismo é algo ainda muito
distante
de seu
horizonte de visão. Seria primeiro necessário
discutir
com esses alunos o que lhes acontecerá ao longo da vida
profissional e os vários caminhos que o mercado lhes tem a
oferecer. E foi então que nasceu esta
apresentação, que chamei de Escolhas 2.0, pingada
de
clichês motivacionais, mas repleta do meu mais sincero
voto (e testemunho)
a todos os presentes.
Em síntese, minha mensagem foi a seguinte:
- Todos passamos por fases profissionais.
- Em todas as fases, teremos desafios.
- É importante compreendermos a lógica de cada fase para não nos afogarmos (e sermos vencidos) em seus desafios.
- A superação de desafios é, na verdade, a nossa busca por melhor qualidade de vida (sucesso, paz, estabilidade, equilíbrio).
- Temos que atingir esta qualidade de vida num contexto capitalista, que rege toda a lógica do mundo ocidental.
- Neste contexto, o empreendimento de idéias é o caminho mais viável para nossos objetivos finais.
- Ao empreender, empreenda conforme os princípios 2.0.
[]s
Link Latte
Tenho citado o Blog da SEA como meio para os candidatos conhecerem mais a empresa pra verem se se identificam e querem trabalhar aqui. Na verdade, acho que o conteúdo e todo nosso blog que é o verdadeiro “manual do SEArense”…
Existem alguns valores que podem ser inferidos de todos os posts e que gostaríamos que todos sentissem da mesma forma aqui. (Enfim, viagens à parte, vamos em frente.)
Só que temos alguns importantes posts (IMHO) do Blog velho que raramente são revistos, salvo quando os referenciamos vez ou outra. Comecei a tuitar alguns, vi que era coisa demais (e o Twitter é descartável demais como fonte), então resolvi escrever esse post só com as referências deles, pra quem tiver interesse em conhecer a SEA, como as coisas aconteceram por aqui, como somos, nossa forma de pensar e etc.
- Pessoas auto-gerenciáveis
- Aprendendo a aprender
- Empreender faz sentido
- SEA, um celeiro de idéias
- Independência e Interdependência
- SEA’s Way of life
- A verdadeira liderança
- Falácias na Gestão de Pessoas
E vários outros lá no nosso blog velho…
Aproveitem, é nossa experiência sendo oferecida de
graça!
[]s
PS: Os comentários podem ser deixados aqui.
SINFORM, Ágiles e RailsSummit 4

A maratona começou em Ilhéus/BA, com a IX
Semana de Informática da UESC,
na qual apresentei uma palestra
sobre Computação Invisível
e um mini-curso
de Ruby e Rails.
Além da turma da organização do evento, que fez um trabalho sensacional, conheci outras grandes figuras: Camilo Lopes (IBM), Hugo Santana (Google) e o Prof. Aquiles Burlamaqui (UFRN). Foi um prazer, caras!

Na sequência, descemos pra Florianópolis/SC para participar do Ágiles2009, o principal evento de metodologias ágeis da América Latina, no qual falamos do Manifesto 2.0 e do paradoxo Agilidade x Licitações.
Rolou até uma sessão de dojo no evento!

Impressionou-me neste encontro a qualidade das discussões e
o nível da galera presente. Em especial, encantou-me o
discurso do
Roy Singham, CEO da ThoughtWorks,
não apenas pela presença de palco e pela
habilidade de condução da palestra mas,
principalmente, pela grande intersecção do que
ele falou com o que nós temos falado no Manifesto
2.0. \o/ Se alguém tiver
gravado, dá um toque, por favor!
Ah, e aproveito pra mandar um salve pro Samuel Crescêncio
(@screscencio), Victor Hugo (@victogh) e pro Bruno Ghisi (@bghisi).
Muitíssimo obrigado pela recepção
fantástica que nos deram. Vocês são
foda!

Por fim, seguimos pra São Paulo/SP, para participar do
RailsSummit
2009 que, IMHO é,
atualmente, o melhor evento de
TI do Brasil. Apesar de não estarmos na
programação oficial da conferência,
tivemos a oportunidade de novamente falar do Manifesto 2.0
como uma lightning talk, que os
amigos da BlueSoft fizeram o gentil favor de filmar e publicar.
Manifesto 2.0 no Rails Summit 2009 por Alexandre Gomes from Bluesoft on Vimeo.
E, por falar em empreendimento, deve rolar no próximo ano um evento sobre Empreendedorismo em TI. Fiz essa sugestão ao final da palestra do @viniciusteles e a galera comprou a idéia. Muito provavelmente, será no Rio. Atentem-se!
E, por falar em @viniciusteles, ele o @akitaonrails fizeram as melhores palestras do evento, em minha humilde opinião. Portanto, não percam a oportunidade de assisti-los.
As demais apresentações já estão disponíveis aqui. O @leozera nos fez um ótimo review do primeiro e do segundo dia, com links para os slides e tudo mais. Outras impressões sobre o evento podem ser vistas no TrendTime.
A turma da @sea_tecnologia foi, gostou e indica a quem se interessar.

2010
Finda a maratona, é hora de retornar à vida real,
responder alguns emails e preparar o espírito para 2010 que,
AFAIK, já conta com:
- Março - Maré de Agilidade (Belo Horizonte/MG)
- Abril - MaréDeAgilidade.Gov.Br (Brasília/DF)
- ?? - Maré de Agilidade (Florianópolis/SC)
- Junho - Ágil Brasil (Porto Alegre/RS)
- Agosto - Bundle Maré de Agilidade + Oxente Rails (Natal/RN)
- Setembro - DevInRio (Rio de Janeiro/RN)
- Outubro - Ágiles (Lima/Peru), RailsSummit (São Paulo/SP)
Como diria o Guapo, e vamo que vamo!
[]s
Torna-te, pois, responsável 3
Definitivamente, cremos que empresas modernas devem quebrar
suas
barreiras egocêntricas, fomentar a opinião
crítica de sua equipe,
digeri-las e agir de acordo. Como dizem no mundo do Software Livre,
nenhuma idéia é melhor que a idéia de
todos nós juntos. Estamos
falando dos princípios da Web 2.0,
onde a empresa deixa de ser o núcleo emanador de verdades e
torna-se a infra-estrutura
viabilizadora do
desenvolvimento de sua comunidade.
Transparência vs Compromisso
Numa empresa 2.0 (por mais que não tenham ainda formalizado este conceito), a gestão estratégica do negócio recebe influências diretas de seu nível operacional. Democracia a parte, não é novidade o incômodo trazido pelo modelo. Incômodo ainda maior, quando o bombardeio de críticas é acompanhado de descompromisso. Afinal, nossa cultura é mestre em seu senso crítico evasivo.Mas não é nisso que o pensamento 2.0 acredita. O Scrum, representante deste movimento, ilustra muito bem a situação com a estória do porco e da galinha.
Não queremos crítica por crítica. Queremos crítica construtiva, preferencialmente de pessoas devidamente compromissadas com seus resultados. O poder de voz não é gratuito. Grande carga de responsabilidade o acompanha.
O que faz todo o modelo tender ao colapso é o descompromisso dos participantes. Como galinhas, muitos querem se envolver na discussão, julgando e criticando, mas poucos estão realmente dispostos às últimas consequências de seus atos. Sendo desta forma, não se atinge um equilíbrio na balança da discussão vs ação. Empresas modernas precisam muito mais de gente que faz do que de gente que fala.

Discussão vs
Ação
Passei muitos anos de minha vida em busca de idéias
brilhantes e crente em sua escassez. De uns tempos pra cá,
entretanto, percebi que o
que nos falta não são ieias, mas capacidade de
realização.
Quando se abre as portas da gestão estratégica
para a discussão coletiva, o que se busca, nas entrelinhas,
é maior apoio para a construção de um
mundo novo. Sim, a opinião coletiva é importante
mas, muito mais relevante é o apoio braçal para
realização de parte do que fora discutido.
Então, críticas sem compromisso em nada
contribuem. Não adianta 20 pessoas aparecerem com mil
pedras e sugestões de melhorias e pensarem que 3 colegas
serão suficientes para
implementá-las. Queremos gente que compre a briga conosco e
que lute ao nosso lado. Esta é a contrapartida ao direito de
voz.
Não é raro ouvir que “aqui nesta empresa, muito
se fala, mas pouco se faz” sem que o interlocutor, inadvertidamente, se
dê conta que grande parcela do “muito se fala” e da
responsabilidade pelo “pouco se faz” está em seu poder.
Então, antes de muito propor, verifique sua capacidade de
contribuição com a proposta. E, antes
de criticar a pouca realização, examine sua
consciência e confirme sua isenção de
culpa. Se sua incapacidade de contribuição em
ideias está limitada por questão financeiras ou
sociais, busque-as, viabilize-as. Se sua
contribuição com planos do passado não
tem sido expressiva, reinvente-se. Se todo o fardo do desenvolvimento
corporativo estiver sobre seus ombros, reivindique! Tudo isso faz parte
das responsabilidades cotidianas do chamado “gestor” que agora, quer
compartilhá-las com todos.
Há aqueles que acreditem que novas ideias ou modelos de
trabalhos só serão implementados se promulgados
pela alta gestão do negócio. Nada mais 1.0 a
dizer. Esses ainda acreditam no poder
e certamente estão
alheios aos novos valores da adminsitração
moderna que define a autoridade
e a liderança
como palavras
de ordem. A gestão moderna não é uma
atividade resumida ao preenchimento de planilhas e acompanhamento de
gráficos. É a arte da
socialização, da
articulação política e da
resolução de conflitos.
Portanto, pare de culpar o mundo pelas suas mazelas. Culpe a si mesmo.
Busque no alto escalão apoio para a
eliminação de obstáculos, e
não decretos imperativos de
transformação. Faça amigos e influencie
pessoas. Desenvolva sua capacidade
de convencimento. Seja
líder. Seja um empreendedor.

“Tu te tornas eternamente responsável
por aquilo que cativas.”
Nota pra mim mesmo: discutir no próximo post como incentivar a Aptitude 2.0.
[]s
É meu e ninguém tasca! 3
No post anterior eu falei do nosso fomento à cultura do empreendedorismo, do maior comprometimento e cumplicidade que se cria entre equipes e empresa e a crescente tensão gerada pela redução das diferenças de poder entre todos.
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No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da distribuição de responsabilidades e de lucros, da propriedade do patrimônio em construção e das práticas até então em uso. (…) quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal terá. Quanto mais poder, mais críticos serão. Quanto mais críticos, mais tenso será o ambiente e mais insustentável tornar-se-á a situação, até o ponto em que uma grande decisão há de ser tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e promove-se uma grande revolução interna. |
Obviamente, como bem disse @FabricioBuzeto em
seu comentário,
nenhum dos extremos é uma escolha
inteligente. É óbvio que não vamos
abandonar agora
todo o processo e prol do comodismo fabril 1.0. Por outro lado,
também não parece ser uma descisão
esperta
incentivar a ingerência anárquica e desmedida.
@RicardoFunke foi bem feliz em sua citação.
![]() |
Na vida, sempre temos que escolher entre o que é fácil e o que é certo! |
E, neste mar de questões, temos quebrado a cabeça
em
busca de alguma proposta coerente com nossa filosofia e com a
necessidade de sobrevivência empresarial.
Por nossa filosofia, as equipes devem ser autônomas para a
definição dos melhores métodos e
técnicas para seus projetos e acreditamos que essa autonomia
não deve ser dada arbitrariamente, mas conquistada pelo
mérito. Mas, para sobrevivência empresarial, esta
autonomia não deve sobrepor as prioridades financeiras e
estratégicas da empresa.
A questão meritocrática foi discutida no Manifesto 2.0.
Mérito se conquista de diversas formas, mas todas convergem
à confiança.
Disso, fica explícita a grande barreira do empresariado 1.0
em atribuir autonomia a seus times. Se autonomia se conquista por
mérito e mérito é uma
questão de confiança, enquanto não
houver cumplicidade integral entre a alta gestão e os grupos
operacionais, dificilmente haverá a plena
confiança e, logicamente, nunca se estabelecerá o
livre direito às equipes de de fazer e acontecer.
Aos olhos externos, toda essa discussão parece superficial e
muito óbvia de ser resolvida (aliás,
conduzir uma empresa/equipe/família, de uma forma geral,
é muito óbvio até você ter a
sua própria). Mas
pense comigo: um belo dia, você, profissional de sucesso,
resolve abdicar de todas as benesses que o status lhe confere, sair de
sua zona de conforto e iniciar a construção de um
negócio próprio. Imediatamente, seus rendimentos
mensairs serão reduzidos a 50, 30 ou 25% do anterior. Em
pouco tempo, a alegria de não ter chefe
é cedida à cobrança constante e
intensa de seus poucos clientes conquistados a ferro e fogo.
A muito custo e pauladas, o negócio
começa a entrar nos trilhos e você vê um
pequeno ponto luminoso no fim do túnel. Daí,
insurge um movimento que reivindica mais direitos e maior autonomia
para conduzir parte do *seu*
negócio o.O. Pombas, não foi o sangue deles que
escorreu para que sua empresa chegasse até aqui.
Não tiveram o salário reduzido a 1/4 para
garantir a sobrevivência do empreendimento. Por que raios
então que agora chegam, a esta altura do campeonato, e ainda
pedem pra sentar na janelinha? Você, como
empresário, não se sentiria
desconfortável e não ficaria com a pulga
atrás da orelha? Você como mãe ou pai,
não se sentiria insultado se um desconhecido lhe desse
pitacos sob a criação de sua criança
de 6 anos de idade? Exageros e sofismas a parte, acho que é
mais ou menos este o sentimento que paira sob uma mente da maioria dos
donos de empresa.
Voltando à questão, você daria este
voto de confiança a pessoas que não carregaram a
mesma cruz que você? Quais serão suas verdadeiras
expectativas? Será que realmente têm valor a
agregar ao negócio ou não passam de oportunistas
embebedados por ideais comunistas com grande potencial de destruir retroceder
sua empresa? Mantendo a metáfora, uma doméstica
com 6 meses de casa tem ou não autonomia para conduzir a
parte da educação de seus filhos? São
essas as questões que fazem com que as empresas de hoje seja
como são.
Ouvi recentemente um empresário dizendo que não
abre mão do controle de sua área por
não acreditar que outras pessoas terão a mesma
capacidade de gestão que a sua. Ignorando a
prepotência e arrogância, até que faz
sentido. Mas então, como resolver a grande
questão do universo sem rachá-lo ao meio?
Dizer que o poder deve ser igualmente
repartido dentro da empresa, independente de raça, cor,
credo, formação e salário
não vale, pois isso significaria uma mudança de
paradigma tão, mas tão grande, que talvez apenas
0.0001% das empresas do mundo aceitariam fazer. Seria o extremismo que
o @FabricioBuzeto mencionou em seu comentário no post
anterior. Então, como chegar a um meio termo?
[]s
O Colapso 2.0? 7

Que redondo que nada.
O fácil é ser quadrado.
Há muito que tentamos na SEA desenvolver um modelo
diferenciado de gestão, no mínimo, mais divertido
e sustentável que as formas tradicionais que vemos por
aí. O percurso, entretanto, é árduo e,
depois de tantos tropeços, começa-nos a ficar
bastante clara a razão pela qual a grande parte das empresas
optam pelas receitas de sempre, chatas, burocráticas e
quadradas. É muito mais simples.
Já fizemos vários
relatos
aqui
no
blog
de
iniciativas
internas
rumo à Emrpesa
2.0 e até fomos
reconhecidos oficialmente por
algumas dessas investidas. A proposta é de extremo
romantismo e nos custa vários novos cabelos brancos a cada
dia. Para cada nova proposta inovadora de gestão, um mol
de desafios e questões nos saltam à frente a
espera de solução. E, depois de alguns anos
acreditando e insistindo nesta filosofia, percebemos o porquê
de empresas lideradas por pessoas tão modernas renderem-se a
modelos tão antigos, industriais, hierarquizados,
centralizados e de comando e controle.
Talvez um dos nossos principais discursos internos seja o fomento
à atividade
empreendedora (lembrando que
empreendedor é diferente de empresário).
Há bastante tempo atrás lançamos o
primeiro programa interno de
incentivo ao desenvolvimento de idéias pessoais.
Não necessariamente estejamos nos referindo ao modelo
70-20-10 do Google, mas
gostaríamos que o pessoal da SEA pensasse além de
suas rotinas operacionais.
Infelizmente, já faz algum tempo dessa primeira proposta e
até hoje o modelo não se consolidou.
Não sabemos ao certo a verdadeira razão e por
isso viemos a público abrir a discussão na
certeza de que suas consequências terão grande
poder transformador na qualidade de vida de todos nós.
O Colapso 2.0
A filosofia ágil e suas generalizações
e derivações, sob a luz do Manifesto
2.0, sugere a maior
independência e autonomia das equipes de trabalho. Na SEA,
vamos além, promovendo esses atributos
democráticos aos níveis mais
estratégicos da organização. E, para
alegria de uns e tristeza de outros, cada vez mais este processo parece
ser irreversível. Alegria pois é de conhecimento
público desde os estudos
de Maslow, e recentemente reforçado por Asproni,
que os fatores de satisfação
profissional e pessoal não estão essencialmente
fundados nas premiações financeiras, mas em
elementos subjetivos relacionados à
percepção do indivíduo à
sua condição de trabalho, favorecidos pela
manutenção de um ambiente democrático,
fértil ao desenvolvimento e crescimento profissional.
Tristeza pois cada nova liberdade dada aumenta o poder das pessoas no
processo produtivo, tornando a máquina, aos olhos 1.0,
vulnerável a muito mais riscos que outrora.
Quando as pessoas se envolvem num processo de tomada
democrática de decisões e
definição estratégica, de
transparência de todos os ciclos empresariais, de autonomia
dos grupos e de total liberdade de expressão, é
natural sua maior cumplicidade junto à empresa. Para quem
busca maior comprometimento (e não apenas envolvimento) de
seu time, essa é uma receita de mão cheia. Por
conseguinte, quanto maior a cumplicidade, menor é a
extensão vertical da pirâmide organizacional e
maior é o sentimento de igualdade entre todos,
até que se percebe que todos são iguais, mas uns
são mais iguais que outros, e aí
começam os problemas.
No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos
poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da
distribuição de responsabilidades e de lucros, da
propriedade do patrimônio em construção
e das práticas até então em uso. E
é aí que eu digo. Ser transparente,
dói. Ser democrático, dói. Tratar
todos com indistinção de [coloqueaquitudooqueestiverprevistono_Art.3oda_constrituição]
mais formação profissional e cargo na empresa,
é um sofrimento. Abre-se margem para as mais severas
críticas e questionamentos sobre tudo aquilo até
então estabelecido. E você, gestor 2.0, deve estar
totalmente disposto a ouvir e discutir.
Acontece, no entando, que o modelo começa a tender ao
colapso. Pois, quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal
terá. Quanto mais poder, mais críticos
serão. Quanto mais críticos, mais tenso
será o ambiente e mais insustentável
tornar-se-á a situação, até
o ponto em que uma grande decisão há de ser
tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo
padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e
promove-se uma grande revolução interna.
Você, como empresário, que tanto suou pra chegar
até aqui, o que faria?

[]s
Empreendedorismo em Votuporanga 1
Conforme anunciado no post Gestão heurística, ágil e premiada, seguem slides da apresentação que fizemos em 31/10/2008 no Encontro Regional de Empreendedorismo em Votuporanga/SP.
[]s
Gestão heurística, ágil e premiada 2
Diz o dito popular que a unanimidade é burra. Outro, bem clichê por sinal, diz que se você segue o caminho que todos seguem, chegará não mais que onde todos chegaram.
No livro (e filme) Uma mente brilhante, de Sylvia Nasar, a história (verídica) de John Nash mostra bem isso. Nash, Nobel de Economia, não gostava de assistir aulas. Por ele, seguir o raciocínio dos mestres podaria-lhe a criatividade, levando-o às mesmas interpretações, dificuldades e limitações. Por isso, gostava de descobrir tudo por conta própria. O modelo mais heurístico possível. Ele acreditava que assim poderia ir mais longe.
Na SEA, o que inicialmente nos parecia uma grande fraqueza, se tornou, com o tempo, um dos nossos maiores diferenciais. A empresa começou sem qualquer capacitação administrativa. Sentíamos muito medo disso. Sem conhecer as seculares teorias de Fayol, Taylor et. al., certamente estaríamos condenados e engrossaríamos logo as estatísticas de mortalidade empresarial do SEBRAE. Entretanto, os fatos nos demonstrou outra faceta da situação. Como não conhecíamos nenhum modelo tradicional, consolidado e sólido de gestão, acabamos desenvolvendo o nosso próprio jeito de trabalhar, extremamente inspirado pela filosofia new-school e integralmente baseado em tentativas e erros.
Ninguém descorda de que a empresa parecia o caos, até que em 2006, de forma totalmente inexperada, fomos surpreendidos com o Prêmio Êxito Empresarial, na categoria de prestadores de serviços, concedido pelo SEBRAE e parceiros.

Segundo notícia de lançamento do Prêmio,
"As cinco empresas vencedoras, uma em cada categoria (indústria, comércio, serviços, agronegócio/rural e empreendedorismo social), serão as que se destacarem por uma melhor abordagem dos critérios considerados na avaliação, que são: liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimentos, pessoas e processos, pondo em prática medidas que garantem o sucesso dos seus empreendimentos no mercado."

Depois deste feito, passamos a observar com mais carinho tudo o que tínhamos feito até então. Na prática, estávamos nada mais nada menos do que trazendo para o mundo administrativo conceitos da comunidade de software livre, da filosofia ágil e dos princípios lean.
Hoje, falamos disso aos quatro ventos. A última ocasião foi no Encontro Nacional de Empreendedores Juniores, onde tivemos um caloroso feedback. Já a próxima apresentação será em Votuporanga, no Congresso Regional de Empreendedorismo. Clique no convite abaixo para mais detalhes.

Definitivamente, o caminho pro sucesso não é necessariamente único.
Se quiser saber mais, deixe-nos um comentário.
[]s










