A Rede Σ 23

Posted by Alê! Tue, 31 Aug 2010 19:26:00 GMT

A Rede Σ Disclaimer

Desculpem o texto longo. Precisava dizer tudo o que tinha que ser dito. Sinto-me melhor agora… :-)

Abstract


Acho que todo mundo sabe o quão bem vista a comunidade técnica brasileira é no exterior, né? Nossa capacidade de mobilização, organização e motivação não se compara com nenhum outro canto do mundo. Vindo do mundo Java, acompanhei de perto a evolução dos Java Users Groups e sei bem o quão maduros somos quando comparados a JUGs de outros países. No entanto, ainda não entendi por que nós, técnicos, ainda não refletimos o mesmo nível de maturidade nos negócios. Já que somos tão bons em fazermos coisas juntas, por que raios este mesmo potencial não é usado para geração de negócios, riquezas, empregos e bem estar social? Este post, deveras longo, discute este assunto e faz a proposta de um novo modelo de empreendedorismo, sustentado por princípios de soberania, confiança e propsperidade. Boa leitura.

Não crie empresa, crie empreendimentos!

Eestamos trazendo uma nova proposta para empreendimentos de software. Chamemo-la de Rede Σmpreendedora (é preciso dar um nome pra ficar fácil de referenciá-la ao longo do texto). A proposta é bem simples e não traz nenhum novo conceito. Sua inovação está no contexto em que será aplicada, com foco no público desenvolvedor de software.

A Rede Σmpreendedora

Imagens dizem mais que mil palavras….. Eis a proposta:
Eu tenho uma ideia que acredito ter um bom potencial de lucratividade.
Só que eu não tenho todos os recursos (tempo, infra-estrutura, design, contatos, habilidade de vendas…) para implementá-la.
Eu verifico se alguém da minha rede de relacionamento possui os recursos dos quais preciso…

(perceba que não se trata de ferramenta!
Pode ser um telefonema, um email ou mesmo numa conversa de boteco)
…e ofereço parte dos meus ganhos a quem estiver disposto a me ajudar.
De forma semelhante,  outras pessoas também têm ideias…
…e também buscam apoio em amigos para viabilizá-las.

Com o tempo, eu terei participações majoritárias em poucos empreendimentos…

(os meus empreendimentos)
… e participações minoritárias em muitos outros.

(empreendimentos de outras pessoas)
Ganho eu.

Ganhamos todos.

Complexo?

Similares

A primeira vista, parece não haver nada de novo nesta proposta e, de fato, não há! Veja se o modelo sugerido em muito não se assemelha aos itens abaixo:

Mercado de Capitais

Da página de uma corretora da valores:

“Quando uma empresa necessita de dinheiro para expandir seus negócios, investir em uma nova linha de produtos, entre outras finalidades, ela pode utilizar o próprio dinheiro em caixa, resgatar uma aplicação, realizar um empréstimo bancário ou emitir ações do seu capital”


Trazendo à nossa realidade, quando um desenvolvedor aposta muito em uma ideia de produto mas não possui todos os recursos para concretizá-la, ele pode (i) vendê-la à empresa que o contrata, (ii) pagar do próprio bolso os perfis necessários para sua implementação ou (iii) abrir a participação societária a quem estiver disposto a ajudar.

Vender ideias está longe da realidade. Afinal, não faltam ideias no mundo, mas sim, pessoas com capacidade de realização. Financiar suas ideias com recursos próprios é uma boa saída mas, infelizmente, assumiríamos assim todos os riscos do projeto e, infelizmente, não fomos educados pra isso. Restaría-nos, portanto, a última opção, de distribuição de quotas societárias, boa por um lado, prejudicial por outro.

Ao distribuir ações de nosso empreendimento, criamos uma ótima oportunidade de coleta dos recurso de que necessitamos para alavancagem do projeto, o que é ótimo! Afinal, é assim que empresas S.A. fazem para capitalizarem-se sem endividamento.  Entretanto, perpetuamos, nesta estratégia, algumas características 1.0, como as relações societárias e o modelo da escassês, no qual bens valorizam-se na mesma proporção de sua carência no mercado (o que socialmente não é bom) ao contrário do modelo da abundância que diz que:

“consumption of the good by one individual does not reduce availability of the good for consumption by others” e “no one can be effectively excluded from using the good”


A proposta da Rede Σ tudo a ver com o modelo do mercado de capitais para alavancagem de recursos sem endividamento, com algumas ressalvas:

  • a “bolsa de valores”, na verdade, nada mais é que minha rede confiável de relacionamentos, geralmente formada pro outros programadores, como eu, designers, devops e mesmo vendedores;
  • primordialmente, toda negociação é feita com base em troca de serviços (tempo de desenvolvimento, montagem de uma infra-estrutura, espaço em servidores, esforço comercial etc) e não necessariamente dinheiro.
  • devemos estar atentos à perpetuação do modelo de escassês, buscando sua minimização, sempre que possível.

Arranjo Produtivo Local

APLs tem como proposta o agrupamento de toda uma cadeia produtiva em torno de objetivos comuns a fim de pontencializar o ganho coletivo. Pela Wikipedia,

“A articulação de empresas de todos os tamanhos em APLs e o aproveitamento das sinergias geradas por suas interações fortalecem suas chances de sobrevivência e crescimento, constituindo-se em importante fonte de vantagens competitivas duradouras.”


Em Brasília, temos a APLTICDF (Arranjo Produtivo Local de Tecnologia da Informação e Comunicação do Distrito Federal), que congrega empresas de diferentes especialidades que lutam em conjunto para potencialização do mercado local de TI.

Às vezes batizada como Pólo Tecnológico, a proposta merece grande respeito, principalmente pela busca do ganho coletivo, mas ainda assim não resolve o problema específico de potencialização das ideias individuais que todos nós, técnicos, temos.  As APLs hoje,  reúnem apenas empresários (não necessariamente empreendedores), que se usam de uma infra-estrutura política para barganha de benefícios comuns. E se fizéssemos o mesmo entre nós, desenvolvedores de software?! Esta é uma das propostas da RedeΣ.

Propomos a aproximação não de empresas, mas de indivíduos técnicos, para que, além da potencialização de empreendimentos pessoais, haja também a possibilidade de ganho coletivo de toda a minha rede de relacionamento, num processo convergente de esforços para geração de riqueza e bem estar mútuo.

Jogo Negócio Sustentável

“O jogo Negócio Sustentável é um jogo de tabuleiro que provoca uma nova forma de pensar, agir e gerar riqueza através de negócios sustentáveis. É instrumento lúdico desafiador de mudança de modelo mental para realizar negócios.”


Concebido por um grupo de consultores brasileiros, o jogo propõe um modelo de geração de riquezas através do qual sempre há ganhos individuais, coletivos e para o território onde se opera cada negócio. Para que cada jogador ganhe, é preciso que também haja ganhos para todos os demais participantes, contrariando as regras comuns de mercado.

No jogo, cada jogador (empreendedor) retira uma carta que descreve um negócio a ser realizado. A cada jogador são dados recursos para a realização de negócios, mas não necessariamente um jogador possuirá, num dado instante, todos os recursos exigidos para a concretização do negócio que lhe fora atribuído. Dessa forma, cabe ao empreendedor consultar a mesa de jogo em busca de investimentos e parcerias para a conclusão bem sucedida de sua carta. Em contrapartida, a cada investidor disposto a ceder recursos ao empreendedor necessitado é garantida participação nos lucros do negócio em desenvolvimento.

O jogo não tem fim. Os jogadores é quem devem estipular um ponto de término. Dizem que uma única partida pode durar dias!!! De fato, a cada rodada, ganha o jogador da vez e ganham todos os seus investidores. Muito semelhante ao que propusemos acima, não?

Obrigado @viniciusteles pela dica!

Redes P2P

Fazendo uma analogia técnica, a migração do modelo de empresa tradicional para o modelo de Rede Σ equivale à mudança do mundo cliente/servidor para as arquiteturas P2P de fornecimento de recursos. Ao invés da distinção exclusiva de papéis (provedor e consumidor de recursos), entramos num formato onde cada membro da rede exerce, simultaneamente, ambas as funções.

Seja uma transferência de arquivos.

No modelo tradicional, existe um único servidor que hospeda o arquivo desejado e vários clientes que o acessam para sua obtenção. Nesta estratégia, quanto mais clientes acessando, pior é o desempenho do servidor e da rede. Em outras palavras, quanto mais usuários na rede, pior a rede fica.

Num modelo P2P, por outro lado, a lógica se inverte. Quando o download do arquivo é feito de algum lugar para sua máquina, automaticamente ele se torna público aos demais participantes da rede. Ou seja, quanto mais gente baixando o arquivo, mais gente estará provendo o arquivo para download.  Quanto mais usuários na rede, melhor a rede fica.

Trazendo à nossa realidade, quanto mais gente numa empresa, a priori, pior ela fica. Afinal, quanto mais funcionários, maior será a burocracia e maiores serão as dificuldades de relacionamento pessoal com todos os escalões. Outrossim, a ploriferação de empresas de um mesmo segmento também não é bem vista por empresários tradicionais. No atual modelo, quanto mais empresas, maior a concorrência e menores serão as oportunidades de negócio. Em síntese, quanto mais cheia estiver esta nossa rede de negócios 1.0, pior ela fica, assim como nas arquiteturas cliente/servidor.

Na proposta da Rede Σ, o crescimento de minha rede de confiança representa, naturalmente (i) mais recursos para colaborar com minhas ideias e (ii) mais ideias com as quais posso colaborar. Isto é, quanto mais cheia a rede, melhor ela se torna. 

Princípios

A Rede Σ sustenta-se em alguns pilares que orientam seu desenvolvimento.

Soberania


O que aconteceria se, exatamente hoje, os donos da empresa em que trabalha resolvessem fechar as portas e mudarem de ramo? Considerando que tenha sido a melhor empresa em que você já trabalhou na vida, seria uma #putafaltadesacanagem, não? O mesmo seria se, hoje, o Google também resolvesse desligar todos os seus servidores. Quantos emails você perderia com a morte instantânea do GMail? E as fotos que você guarda no Picasa ou os documentos do GDocs? Tudo viraria pó em um piscar de olhos.

Analise bem e perceberá que vivemos em constante submissão. Praticamente todo o controle de nossa vida virtual está nas mãos de pessoas que sequer conhecemos e confiamos.

Este cenário foi o que levou Klaus Wuestefeld, em 2004, a elaborar o manifesto da Computação Soberana que, em síntese, defende a liberdade plena para compartilharmos informação e recursos de hardware com os amigos.

(…) todos não passavam de súditos. Subjugados por um punhado de ‘autoridades’ da internet, conformavam-se às leis arbitrárias, ditadas por elas.


Pelo manifesto do Klaus, devemos ser os donos de nossos próprios narizes e termos absoluta soberania para tomar a decisão que mais adequada julgarmos ser às nossas necessidades.

Levando este raciocínio ao limite, o mesmo se aplica a nossa vida profissional. Afinal, por que delegamos a decisão sobre o que vamos fazer amanhã à uma minoria de empregadores “donos da verdade”? Por que confiamos tanto nos donos das empresas que nos sustentam, públicas ou particulares? Como o Klaus bem disse em seu manifesto, fazemos isso simplesmente porque todos fazem? Não faz muito sentido entregar o controle de nossas vidas nas mãos de quem não confiamos.

E se, assim como no manifesto do Klaus, fôssemos soberanos o bastante para decidirmos qual projeto vamos fazer, qual será nosso esquema de trabalho e qual será a sua perpetuação ao longo tempo? Seria ótimo, não? Oras bolas, MAS NÓS PODEMOS!!! A isso dá-se o nome de empreendedorismo! Então, por que não o praticamos? Sendo simplista, porque fomos educados por toda a vida a sermos submissos e obedientes, e não para questionarmos modelos consagrados. 

Ao subjulgarmo-nos às determinações de um empregador, abdicamos da realização de nossas ideias para a dedicação exclusiva às ideias alheias. Supreende-te, então, o fato de não serem os seus os sonhos por fim concretizados? Nenhuma surpresa, certo? Afinal, nesta situação, a energia gasta para realização de nossos propósitos maiores (não falo aqui de bens materiais) é mínima. Como poderíamos, portanto, estimar qualquer sucesso pessoal? Tudo o que você faz, por fim, é canalizado para o sucesso de terceiros.

Ora, e nossas ideias? E nosso propósito de vida? Conforta-te abandoná-los em prol de uma pseudo-estabilidade profissional? Para uns, sim. Para outros, felizmente, é inadimissível. Estes, utilizam-se da relação empregatícia como instrumento de alavancagem individual. Captalizam-se com o dinheiro dos outros para o financiamento posterior de seus próprios projetos. Seria uma ótima alternativa, se não víssemos tantas brilhantes se auto-sabotarem em gaiolas de ouro, encantadoras num primeiro momento, por potencializar o financimento de projetos pessoais, mas traiçoeiras, ao algemarem seus integrantes em padrões financeiros enviesados

Através da Rede Σ, estamos buscando o estabelecimento de novos modelos de sustento, tentando sair das tradicionais alternativas de relação empregado/empregador, valorizando a soberania individual e viabilizando o potencial coletivo de produção de novas ideias.

Sendo soberano, qualquer profissional tem o livre arbítrio para iniciar sua própria rede de empreendimentos para implementação de suas ideias e projetos. Não é necessário pedir permissão a seu empregador e tampouco envolvê-lo no processo. Inexiste qualquer entidade ou organismo regulador que restrinja sua expansão viral. Seja entre seus colegas da faculdade, a turma do Dojo ou amigos virtuais, descubram um propósito comum e sigam em frente. O importante é que, pela proposta, todos têm ampla autonomia e soberania para a mobilização de grupos de empreendedorismo bastanto, para isso, criar coragem, sair na zona de conforto, levantar a bunda da cadeira, #tirardopapel e #botarprafazer. Ligue para aquele seu brother agora e veja se ele nãotem alguma ideia de projeto na qual você possa contribuir. Compartilhe suas ideias com seus amigos e alavanque-as. 

Confiança

Gostem ou não, o mundo é feito de panelas. Você vive em panelas. Panelas regem todas as relações humanas. Panelas, mal vistas em algumas ocasiões são, na verdade, o que de fato criam relações duradouras entre pessoas. Apesar da conotação pejorativa do termo, panelas são, tecnicamente, nossas redes de confiança.

Redes de relacionamentos (o famigerado networking que os autores sobre carreira tanto gostam de falar) podem ser rapidamente criadas. Redes de confiança, entretanto, representam algo mais avançado que só o tempo constrói. Numa rede de confiança, o estabelecimento de elos de segurança, honestidade e conforto entre seus nós cria um ecosistema com amplas vias para o compartilhamento de informações e a mútua colaboração.

Chamamos, primordialmente, membros de nossa rede de confiança para irem à nossa casa. Qualquer dono de empresa prefere mil vezes mais contratar integrantes de sua rede de confiança, ainda que em 2º ou 3º graus, à seleção de uma chamada aberta de currículos. Essas redes são, portanto, nosso porto seguro de relações humanas. Mais vale depositar créditos no amigo do meu amigo do que em alguém que nunca tenha visto na vida. Torna-se, portanto, uma rede desta natureza, o alicerce mais seguro sobre o qual deveríamos desenvolver um plano de vida de médio a longo prazo.

Ainda do Manifesto da Computação Soberana,

“O que determina a intensidade de suas interações com outras pessoas é o grau da confiança que você tem em cada uma delas.


A Rede Σ deve ser, portanto, acima de tudo, confiável. Como já dito, trata-se de um ambiente para o desenrolar de nosso potencial empreendedor de ideias. Quanto mais confiável forem as relações existentes, mais intensas serão as interações entre seus membros e, naturalmente, maior será o compartilhamento de opiniões e feedbacks, acelerando o ciclo de melhorias e potencializando as chances imediatas de geração de valor.

Prosperidade

O que fazer para que as pessoas sintam-se sempre motivadas a serem sempre melhores? Como evitar que profissionais acomodem-se ao longo de suas carreiras? Como manter aceso o espírito empreendedor em cada um de nós? É possível a manutenção permanente de um ambiente fértil à cultura de ideias? Não temos a resposta a essas questões, mas temos bem clara sua importância.

Modelos tradicionais de trabalho tendem a nivelar por baixo todos os participantes de um grupo, gerando as malditas síndromes da acomodação e do deixe estar. Afinal, por que trabalhar mais, inovar mais ou buscar novas ideias se o reconhe$$imento [sic] no fim do mês $erá sempre o mesmo?

Alguns setores usam modelos comissionados para gerar motivação constante mas, considerando que a política não se estende a todo  quadro operacional, acaba que a abordagem só empurra o problema para regiões menos expostas do negócio. Ou seja, motiva-se o vendedor, que é a cara da empresa no mercado, e acomoda-se os técnicos, escondidos em algum porão mal iluminado da corporação.

Ademais, a técnica comumente sustenta-se sobre valores de venda, e não sobre o resultado (ROI) de fato gerado, ocasionando um ciclo interno auto-destrutivo. Equanto uns vendem a todo custo, por não terem seus reconhecimento$ associados ao sucesso ou fracasso do empreendimento, outros, limitam-se à operação padrão, já que nem mai$ e nem meno$ lhes será atribuído.

Há uma fábula bem conhecida entre executivos que diz que, para manter sua equipe sempre ativa, é necessária a adição de elementos que lhes provoquem a busca constante pela sobrevivência. Nesta corrida, alguns morrerão, mas o resultado final será de indivíduos extremamente capacitados a lidarem com o canibalismo do mercado. Pessoalmente, concordo com a estratégia até certo ponto, mas discordo com a forma que algumas grandes multinacionais implementam-na.

Como exercício, responda à questão: que perda teria a sociedade se você morresse hoje (toc toc na madeira)? Se lhe falta resposta, revise seus propósitos e reflita sobre sua real importância para o negócio a que se dedica. No formato tradicional de trabalho, ser ou não socialmente relevante é opcional. Já na abordagem da Rede Σ, é questão de sobrevivência. Ganha você, por estar em constante atividade mental (a melhor vacina para maus da 3ª idade), e ganha o grupo, por manter-se sempre energizado para a vida.

Achamos que a Rede Σ contribui para a manutenção desta excelência individual e coletiva de produtividade. No modelo proposto, cada indivíduo é soberano para implementar os empreendimentos que quiser e estabelecer as relações que melhor lhe aprouver. Dessa forma, cabe a ele manter-se ativo e útil na rede. Por ser um meio naturalmente meritocrático, sustentam-se nela apenas aqueles com melhores ideias e competências de colaboração, gerando um ciclo virtuoso de alta produtividade, inovação e geração de ativos. E, àqueles que não acompanharem o desenvolvimento coletivo, restará a marginalização. Afinal, a Rede é, por essência, dinâmica e a cada instante se refaz.

Autorregulação

Como todo modelo meritocrático (vide software livre), a proposta da Rede Σ é autoregulável. Por possuir uma dinâmica orgânica, de constante mutanção, sempre há a oportunidade de melhoria contínua.

Um integrante que não se atualize profissionalmente, perde instantaneamente seu prestígio. Outro que, num instinto de más intenções, utilize-se do ecosistema para benefício exclusivo ou ilícito, será naturalmente descartado em futuras oportunidades. Cada membro desta teia tem apenas uma única chance para vacilar. Ao mínimo sinal de sabotagem, assim como nas relações humanas, perde-se de imediato o elo de confiança que o mantinha ligado ao sistema.

Como as relações de negócio são estabelecidas a cada empreendimento, tem-se sempre a oportunidade de substituir parcerias mal feitas por novos relacionamentos negociais.  Afinal, uma sociedade é o reflexo de um alinhamento de interesses num dado instante de tempo, e não um compromisso que deve prevalecer por toda eternidade. Com o passar dos dias, cada parte de um acordo societário sofre influências específicas e particulares que, a longo prazo, as fazem desenvolver modelos mentais distintos daqueles existentes no início do relacionamento. Com isso, desenrolam-se os conflitos que, a depender da maturidade dos envolvidos, podem desnutrir todo o ativo até então cultivado, prejudicando os próprios donos e todos os que dependem dos empregos gerados pelo empreendimento.

Na Rede Σ, sociedades são, de fato, o que elas são (o reflexo de um alinhamento de interesses num dado instante de tempo) e não um compromisso eterno de realização conjunta de negócios. A cada nova ideia, cabe ao empreendedor avaliar o estado de sua atual rede de confiança e buscar nela integrantes com mais potencial de contribuição ao empreendimento. A medida que se desenvolvem divergências entre indivíduos que outrora se relacionavam, ocorre o natural enfraquecimento de alguns laços, a consolidação de outros novos e a reconfiguração natural da Rede.

Gênesis

Todos nós temos grandes ideias diariamente. Uns mais, outros menos, mas volta e meia a lampadadinha pipoca em nossa consciência. Por alguns instantes, temos a certeza de ser esta a ideia que faltava para um mundo melhor e que certamente ficaríamos ricos se a puséssemos em prática mas, por estarmos presos a rotinas profissionais, acabamos por abandonar aquilo que poderia vir a ser as próximas grandes inovações da indústria (ou não).

Na SEA, temos plena consciência disso e, além das ideias de seus donos, há tempos buscamos formas de aproveitar o potencial empreendor de nossos funcionários, sem muito sucesso, confesso.

Em Setembro/2007, abrimos nosso blog público com o post Mudanças na TEC que, dentre outras coisas, dizia:

“É mais prejudicial uma grande idéia perdida do que uma má idéia implementada. (…) Então, (…) temos gradativamente  delegado maior autonomia aos SEArenses e agido como facilitadores na empresa para a viabilização do empreendimento de suas idéias. Se vingarem, ótimo, senão, amém.”


Em Novembro/2007, dissemos no texto Empreender faz Sentido:

”(…) costumamos, na SEA, dar carta branca a todos aqueles que querem, de alguma forma, mudar o mundo ao seu redor. Não temos ainda cacife para financiar projetos pessoais, mas tentamos ao máximo viabilizar meios para que sonhos individuais sejam realizados. Queremos gente empreendedora na SEA. Queremos fábricas de idéias.”


Em Março/2008, foi a vez do post SEA: um celeiro de ideias:

“Nesta nova proposta, todos são convidados a desenvolver suas idéias que, se demonstradas promissoras desde seus primeiros passos (conforme defendido no livro Getting Real), serão abraçadas e incluídas no pacote de produtos e serviços da empresa. Em contrapartida, a empresa permite que a geração de empreendedores dedique-se exclusivamente à execução técnica de suas propostas, disponibilizando toda a infra-estrutura comercial, administrativa, financeira etc, para operacionalização do modelo de negócios proposto.”


De 2008 pra cá, frustrados com as tentantivas anteriores, temos cronicamente debatidos sobre novos modelos de empresa. Conversando muito com @alissonvale, principalmente, percebemos que o formato tradicional de empresa, com N sócios e M empregados, não parece mais ser o mais adequado para quem tem perfil empreendedor. Falamos já há algum tempo sobre a criação de um ecosistema de colaboração mútua, através do qual vários empreendedores pudessem se beneficiar individual e coletivamente, mas pouco avançamos em termos práticos.

Paralela a essas discussões pouco conclusivas, emergiu na SEA um movimento interessantíssimo (e preocupador). Sem qualquer envolvimento direto nosso, organicamente aconteceu a formação de núcleos de empreendimentos marginais à atividade principal da empresa. Foram pessoas que, motivadas exclusivamente por seus ideiais, compuseram-se com colegas de confiança para a implementação de projetos de toda sorte. Se, por uma lado, orgulhou-nos assistir o nascimento deste movimento e a maturidade de nossa equipe, por outro, preocupou-se a situação pela divergência de esforços que passamos a ter.

Desde que percebemos a evolução deste movimento, começamos um debate sobre como canalizar todo este espírito empreendedor para um foco comum.

Chegamos a propor a participação societária da SEA em um dos empreendimentos individuais mas, pela falta de acordo entre os percentuais de participação, foi mais uma tentativa frustrada.

Há cerca de um mês atrás, discutíamos sobre isso em um grupo de amigos (os Agilistas Anônimos) sem, mais uma vez, chegarmos a um ponto prático comum.

“E aí?

Vamos abrir uma empresa
  - pautado no pensamento 2.0;
  - valorizando aprendizado e ducaralhice;
  - altamente motivada e melhorando continuamente;
  - vendendo consultoria de Scrum, XP e Kanban;
  - e criando produtos de software para uma sociedade melhor

?”


(…)

“Convergência é tudo! E é isso que eu vejo nessa galera.
Seria fantástico poder fazer alguma coisa juntos.

O difícil é o ‘como’… alguma idéia?”


Nas vésperas do OxenteRails tivemos, eu, @rwilli e @brunopedroso uma longa conversa sobre este cenário. Mais uma vez, destacamos todas as inciativas marginais à SEA e debatemos sobre meios de convergência desta energia. Conclusão? Nenhuma :-/

No primeiro dia de Oxente, almoçando com alguns SEArenses presentes (@tulios, @edhana, @igallina e @aitherios), falamos um bocado sobre como resolver esta situação, confortável para cada um, mas péssima para todos! A conversa, com o cenário de Ponta Negra ao fundo e regada a peixe e camarão, foi fantástica. Desenhamos possíveis caminhos mas, mais uma vez, não chegamos a um ponto conclusivo.



Foi na #horaextra do segundo dia de evento, no entanto, que os astros se alinharam.

Sem nunca ter globalizado este debate, integrei-me, expontaneamente, a uma roda de bate-papo que começou com uma sentença semelhante a esta:

“Somos um grupo de profissionais que se admira e se confia. Cada um de nós vive com o resultado de seus próprios empreendimentos. No entanto, pela natureza do que fazemos, não há qualquer alinhamento de propósito em nossos negócios. Será que não estamos desperdiçando um potencial de resultados coletivos muito superiores aos ganhos individuais atuais caso uníssemos nossas forças através da convergência de interesses?”

Coincidência ou não, começou ali a mesma discussão em torno da qual há muito refletíamos. E, com a colaboração de um e de outro, o grupo foi crescento, mais e mais pessoas identificaram-se com aquela situação, e foi dali que começamos a desenhar esta proposta, que não representa um fim, mas o início de um grande debate público sobre

“Como idealizar um sistema sustentável de empreendimentos onde pessoas que compartilham uma mesma paixão ou interesse possam se reunir e trabalhar em torno de uma idéia de forma a obter ganhos economicos ou sociais com a sua implementação sem estarem presas umas as outras por meio de uma sociedade civil ou vínculo empregatício?”
@alissonvale


ou ainda

“Quais as atitudes, ou traços de comportamento que cada um pode adotar, que trazem ganho indivudual, se adotados em isolamento, e ganho ainda maior se adotados em grupo?”
@klauswuestefeld


Entrei em êxtase desde então. Obrigado @viniciusteles, @fagiani, @rafaelp e @smergulhao por terem iniciado o assunto.

Público

Que fique claro que não estamos advogando contra a formação tradicional de empresas (N sócios x M empregados) em prol de um modelo exclusivamente empreendedor (empreendedor x empreendor) ! A proposta da Rede Σ não é universal.  Atributos empreendedorísticos não podem ser generalizados. Nem todo munto tem interesse em correr riscos ou viver em constante desafio. Há no mercado espaço de sobra para quem opta pela segurança, estabilidade e submissão e, os próprios empreendimentos, além de seus criadores, necessitam de pessoas dispostas de neles trabalharem.

Percebemos então que a Rede é, na verdade, nada mais que alternativa a um perfil muito específico de profissional e não uma nova regra de mercado que substituirá o atual modelo secular.

Poréns

Dos vários poréns que foram levantados em discussões sobre esta proposta, há um que ainda não soube responder.

Será que toda esta ideia não pode nos levar a um padrão mesquinho de comportamento, sempre barganhando algo em troca de todo e qualquer favor?

Será que seremos sóbrios o bastante para distinguir o brother do investidor? Esta preocupação está diretamente relacionada à perpetuação do modelo de escassês mencionado anteriormente….

Feedback

Encarecidamente, peço a todos que deixem sua opinião, positiva ou não. Tenho depositado muitas fichas neste esquema e gostaria da ajuda de todos para evoluí-lo. 

Estamos hoje, na própria SEA, tentando iniciar sua implementação. Estamos chegando ao fim do financiamento de um produto e, para continuar com sua evolução, propusemos sociedade ao grupo de desenvolvedores que o conduzia. Não é ainda um modelo totalmente soberado, mas já é um início. Mantenho-vos informados sobre o aprendizado que tivermos.

[]s
@alegomes

Escolhas 2.0 13

Posted by Alê! Tue, 24 Nov 2009 12:42:00 GMT

Escolhas 2.0



Fui convidado, no último sábado, a fazer uma palestra aos alunos, ex-alunos, pais e professores que participaram da cerimônia de 10 anos da Empresa Júnior de Computação da UnB, CJR. Muito honrado, comecei a pensar sobre o que dizer.


A princípio, meu instinto sugeriu-me falar sobre o Manifesto 2.0 (texto, slides, vídeo), no qual discuto uma nova escola de pensamento da indústria de TI mas, refletindo sobre a missão principal das Empresas Juniores e no público presente, não julguei o tema como o mais adequado à situação. Haveria ali muita gente de outras áreas que pouco compreenderiam situações específicas do universo do desenvolvimento de software, além de vários estudantes com ainda pouca estrada para de fato se sensibilizarem com a necessidade de um mundo 2.0.

Pensei então naquela palestra sobre Empreendedorismo 2.0, que realizei no UniCEUB há algumas semanas atrás, mas também logo desanimei, por me tocar que, para aqueles que estão começando uma carreira, empreendedorismo é algo ainda muito distante de seu horizonte de visão. Seria primeiro necessário discutir com esses alunos o que lhes acontecerá ao longo da vida profissional e os vários caminhos que o mercado lhes tem a oferecer. E foi então que nasceu esta apresentação, que chamei de Escolhas 2.0, pingada de clichês motivacionais, mas repleta do meu mais sincero voto  (e testemunho) a todos os presentes.



Em síntese, minha mensagem foi a seguinte:

  • Todos passamos por fases profissionais.
  • Em todas as fases, teremos desafios.
  • É importante compreendermos a lógica de cada fase para não nos afogarmos (e sermos vencidos) em seus desafios.
  • A superação de desafios é, na verdade, a nossa busca por melhor qualidade de vida (sucesso, paz, estabilidade, equilíbrio).
  • Temos que atingir esta qualidade de vida num contexto capitalista, que rege toda a lógica do mundo ocidental.
  • Neste contexto, o empreendimento de idéias é o caminho mais viável para nossos objetivos finais.
  • Ao empreender, empreenda conforme os princípios 2.0.

[]s

Link Latte

Posted by Willi Wed, 21 Oct 2009 12:19:00 GMT

Tenho citado o Blog da SEA como meio para os candidatos conhecerem mais a empresa pra verem se se identificam e querem trabalhar aqui. Na verdade, acho que o conteúdo e todo nosso blog que é o verdadeiro “manual do SEArense”…
Existem alguns valores que podem ser inferidos de todos os posts e que gostaríamos que todos sentissem da mesma forma aqui. (Enfim, viagens à parte, vamos em frente.)

Só que temos alguns importantes posts (IMHO) do Blog velho que raramente são revistos, salvo quando os referenciamos vez ou outra. Comecei a tuitar alguns, vi que era coisa demais (e o Twitter é descartável demais como fonte), então resolvi escrever esse post só com as referências deles, pra quem tiver interesse em conhecer a SEA, como as coisas aconteceram por aqui, como somos, nossa forma de pensar e etc.


E vários outros lá no nosso blog velho… Aproveitem, é nossa experiência sendo oferecida de graça!

[]s



PS: Os comentários podem ser deixados aqui.

SINFORM, Ágiles e RailsSummit 4

Posted by Alê! Fri, 16 Oct 2009 15:39:00 GMT

SINFORM, Agiles2009 e RailsSummit

Setembro e outubro são sempre os meses de pico de eventos no Brasil e, depois de praticamente 3 semanas pulando entre uma e outra apresentação, estamos de volta à vida real.




A maratona começou em Ilhéus/BA, com a IX Semana de Informática da UESC, na qual apresentei uma palestra sobre Computação Invisível e um mini-curso de Ruby e Rails.



Além da turma da organização do evento, que fez um trabalho sensacional, conheci outras grandes figuras: Camilo Lopes (IBM), Hugo Santana (Google) e o Prof. Aquiles Burlamaqui (UFRN). Foi um prazer, caras!


Na sequência, descemos pra Florianópolis/SC para participar do Ágiles2009, o principal evento de metodologias ágeis da América Latina, no qual falamos do Manifesto 2.0 e do paradoxo Agilidade x Licitações.



Rolou até uma sessão de dojo no evento!



Impressionou-me neste encontro a qualidade das discussões e o nível da galera presente. Em especial, encantou-me o discurso do Roy Singham, CEO da ThoughtWorks, não apenas pela presença de palco e pela habilidade de condução da palestra mas, principalmente, pela grande intersecção do que ele falou com o que nós temos falado no Manifesto 2.0.  \o/  Se alguém tiver gravado, dá um toque, por favor!

Ah, e aproveito pra mandar um salve pro Samuel Crescêncio (@screscencio), Victor Hugo (@victogh) e pro Bruno Ghisi (@bghisi). Muitíssimo obrigado pela recepção fantástica que nos deram. Vocês são foda!

Rails Summit 2009

Por fim, seguimos pra São Paulo/SP, para participar do RailsSummit 2009 que, IMHO é, atualmente, o melhor evento de TI do Brasil. Apesar de não estarmos na programação oficial da conferência, tivemos a oportunidade de novamente falar do Manifesto 2.0 como uma lightning talk, que os amigos da BlueSoft fizeram o gentil favor de filmar e publicar.

Manifesto 2.0 no Rails Summit 2009 por Alexandre Gomes from Bluesoft on Vimeo.

Como andei tuitando, blogando e já disse para vários colegas, o grande lance do RailsSummit não é o RubyOnRails, mas a comunidade que em torno dele se formou. Não sei é pelo fato de ser constituída de gente de diversos outros mundos tecnológicos ou simplesmente por ter nascido no umbigo do pensamento 2.0, mas a essência dos debates é de singular admiração. Não vou repetir aqui o que já disse no passado. @AkitaOnRails está novamente de parabéns pelo empreendimento.

E, por falar em empreendimento, deve rolar no próximo ano um evento sobre Empreendedorismo em TI. Fiz essa sugestão ao final da palestra do @viniciusteles e a galera comprou a idéia. Muito provavelmente, será no Rio. Atentem-se!

E, por falar em @viniciusteles, ele o @akitaonrails fizeram as melhores palestras do evento, em minha humilde opinião. Portanto, não percam a oportunidade de assisti-los.




As demais apresentações já estão disponíveis aqui. O @leozera nos fez um ótimo review do primeiro e do segundo dia, com links para os slides e tudo mais. Outras impressões sobre o evento podem ser vistas no TrendTime.

A turma da @sea_tecnologia foi, gostou e indica a quem se interessar.


2010

Finda a maratona, é hora de retornar à vida real, responder alguns emails e preparar o espírito para 2010 que, AFAIK, já conta com:

  • Março - Maré de Agilidade (Belo Horizonte/MG)
  • Abril - MaréDeAgilidade.Gov.Br (Brasília/DF)
  • ?? - Maré de Agilidade (Florianópolis/SC)
  • Junho - Ágil Brasil (Porto Alegre/RS)
  • Agosto - Bundle Maré de Agilidade + Oxente Rails (Natal/RN)
  • Setembro - DevInRio (Rio de Janeiro/RN)
  • Outubro - Ágiles (Lima/Peru), RailsSummit (São Paulo/SP)

Como diria o Guapo, e vamo que vamo!

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Torna-te, pois, responsável 3

Posted by Alê! Mon, 27 Jul 2009 11:51:00 GMT

Torna-te, pois, responsável.

Apesar de tendência ao colapso, ainda acreditamos na Filosofia 2.0.


Definitivamente, cremos que empresas modernas devem quebrar suas barreiras egocêntricas, fomentar a opinião crítica de sua equipe, digeri-las e agir de acordo. Como dizem no mundo do Software Livre, nenhuma idéia é melhor que a idéia de todos nós juntos. Estamos falando dos princípios da Web 2.0, onde a empresa deixa de ser o núcleo emanador de verdades e torna-se a infra-estrutura viabilizadora  do desenvolvimento de sua comunidade.

Transparência vs Compromisso

Numa empresa 2.0 (por mais que não tenham ainda formalizado este conceito), a gestão estratégica do negócio recebe influências diretas de seu nível operacional. Democracia a parte, não é novidade o incômodo trazido pelo modelo. Incômodo ainda maior, quando o bombardeio de críticas é acompanhado de descompromisso. Afinal, nossa cultura é mestre em seu senso crítico evasivo.

Adoramos condenar o escalão político sem, no entanto, nos lembrarmos que nosso voto o compôs e, pior, sem nos dispormos agir de alguma forma para sua reconstituição moral. Repare em nossa sociedade. O papel acusador é vivido do mais pobre ao mais rico, do mais estudado ao menos, e todos compartilham, majoritariamente, a síndrome do ‘não é problema meu’. O problema da limpeza da cidade é do prefeito, não meu. A insegurança do condomínio é problema de seu síndico, não meu. A guerra no trânsito é culpa dos motoristas de transporte coletivo, obviamente, não meu. E, no senso comum, tropeços na gestão empresarial, é problema de seus dirigentes, não meu.

Mas não é nisso que o pensamento 2.0 acredita. O Scrum, representante deste movimento, ilustra muito bem a situação com a estória do porco e da galinha.



Não queremos crítica por crítica. Queremos crítica construtiva, preferencialmente de pessoas devidamente compromissadas com seus resultados. O poder de voz não é gratuito. Grande carga de responsabilidade o acompanha.

O que faz todo o modelo tender ao colapso é o descompromisso dos participantes. Como galinhas, muitos querem se envolver na discussão, julgando e criticando, mas poucos estão realmente dispostos às últimas consequências de seus atos. Sendo desta forma, não se atinge um equilíbrio na balança da discussão vs ação. Empresas modernas precisam muito mais de gente que faz do que de gente que fala.



Experimentamos nos últimos 4 anos a realização do planejamento estratégico da empresa com todos, absolutamente todos, os seus integrantes. Muitos gostam do processo, simpatizam-se com a disposição da empresa em a todos ouvir, mas também muitos negam-se a participar pela impressão de haver muita ideologia e pouco resultado prático do processo.

Discussão vs Ação

Passei muitos anos de minha vida em busca de idéias brilhantes e crente em sua escassez. De uns tempos pra cá, entretanto, percebi que o que nos falta não são ieias, mas capacidade de realização.

Quando se abre as portas da gestão estratégica para a discussão coletiva, o que se busca, nas entrelinhas, é maior apoio para a construção de um mundo novo. Sim, a opinião coletiva é importante mas, muito mais relevante é o apoio braçal para realização de parte do que fora discutido.

Então, críticas sem compromisso em nada contribuem. Não adianta 20 pessoas aparecerem com mil pedras e sugestões de melhorias e pensarem que 3 colegas serão suficientes para implementá-las. Queremos gente que compre a briga conosco e que lute ao nosso lado. Esta é a contrapartida ao direito de voz.

Não é raro ouvir que “aqui nesta empresa, muito se fala, mas pouco se faz” sem que o interlocutor, inadvertidamente, se dê conta que grande parcela do “muito se fala” e da responsabilidade pelo “pouco se faz” está em seu poder. Então, antes de muito propor, verifique sua capacidade de contribuição com a proposta.  E, antes de criticar a pouca realização, examine sua consciência e confirme sua isenção de culpa. Se sua incapacidade de contribuição em ideias está limitada por questão financeiras ou sociais, busque-as, viabilize-as. Se sua contribuição com planos do passado não tem sido expressiva, reinvente-se. Se todo o fardo do desenvolvimento corporativo estiver sobre seus ombros, reivindique! Tudo isso faz parte das responsabilidades cotidianas do chamado “gestor” que agora, quer compartilhá-las com todos.

Há aqueles que acreditem que novas ideias ou modelos de trabalhos só serão implementados se promulgados pela alta gestão do negócio. Nada mais 1.0 a dizer. Esses ainda acreditam no poder e certamente estão alheios aos novos valores da adminsitração moderna que define a autoridade e a liderança como palavras de ordem. A gestão moderna não é uma atividade resumida ao preenchimento de planilhas e acompanhamento de gráficos. É a arte da socialização, da articulação política e da resolução de conflitos.

Portanto, pare de culpar o mundo pelas suas mazelas. Culpe a si mesmo. Busque no alto escalão apoio para a eliminação de obstáculos, e não decretos imperativos de transformação. Faça amigos e influencie pessoas. Desenvolva sua capacidade de convencimento. Seja líder. Seja um empreendedor


Tu te tornas eternamente responsável
por aquilo que cativas.


Como bem já disse o Serge, não basta só a Empresa ser 2.0. É preciso que seu Pessoal também o seja. É preciso que se desenvolva a Aptitude 2.0.

Nota pra mim mesmo: discutir no próximo post como incentivar a Aptitude 2.0.

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É meu e ninguém tasca! 3

Posted by Alê! Mon, 15 Jun 2009 12:46:00 GMT

É meu e ninguém tasca! Obrigado a todos que colaboraram na discussão sobre o Colapso 2.0.  Prossigamos com o raciocínio….

No post anterior eu falei do nosso fomento à cultura do empreendedorismo, do maior comprometimento e cumplicidade que se cria entre equipes e empresa e a crescente tensão gerada pela redução das diferenças de poder entre todos.


No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da distribuição de responsabilidades e de lucros, da propriedade do patrimônio em construção e das práticas até então em uso.
(…)
quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal terá. Quanto mais poder, mais críticos serão. Quanto mais críticos, mais tenso será o ambiente e mais insustentável tornar-se-á a situação, até o ponto em que uma grande decisão há de ser tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e promove-se uma grande revolução interna.


Obviamente, como bem disse @FabricioBuzeto em seu comentário, nenhum dos extremos é uma escolha inteligente. É óbvio que não vamos abandonar agora todo o processo e prol do comodismo fabril 1.0. Por outro lado, também não parece ser uma descisão esperta incentivar a ingerência anárquica e desmedida. @RicardoFunke foi bem feliz em sua citação.

Na vida, sempre temos que escolher entre o que é fácil e o que é certo!


E, neste mar de questões, temos quebrado a cabeça em busca de alguma proposta coerente com nossa filosofia e com a necessidade de sobrevivência empresarial.

Por nossa filosofia, as equipes devem ser autônomas para a definição dos melhores métodos e técnicas para seus projetos e acreditamos que essa autonomia não deve ser dada arbitrariamente, mas conquistada pelo mérito. Mas, para sobrevivência empresarial, esta autonomia não deve sobrepor as prioridades financeiras e estratégicas da empresa.

A questão meritocrática foi discutida no Manifesto 2.0. Mérito se conquista de diversas formas, mas todas convergem à confiança. Disso, fica explícita a grande barreira do empresariado 1.0 em atribuir autonomia a seus times. Se autonomia se conquista por mérito e mérito é uma questão de confiança, enquanto não houver cumplicidade integral entre a alta gestão e os grupos operacionais, dificilmente haverá a plena confiança e, logicamente, nunca se estabelecerá o livre direito às equipes de de fazer e acontecer.

Aos olhos externos, toda essa discussão parece superficial e muito óbvia de ser resolvida (aliás, conduzir uma empresa/equipe/família, de uma forma geral, é muito óbvio até você ter a sua própria). Mas pense comigo: um belo dia, você, profissional de sucesso, resolve abdicar de todas as benesses que o status lhe confere, sair de sua zona de conforto e iniciar a construção de um negócio próprio. Imediatamente, seus rendimentos mensairs serão reduzidos a 50, 30 ou 25% do anterior. Em pouco tempo, a alegria  de não ter chefe é cedida à cobrança constante e intensa de seus poucos clientes conquistados a ferro e fogo.  A muito custo e pauladas, o negócio começa a entrar nos trilhos e você vê um pequeno ponto luminoso no fim do túnel. Daí, insurge um movimento que reivindica mais direitos e maior autonomia para conduzir parte do *seu* negócio o.O. Pombas, não foi o sangue deles que escorreu para que sua empresa chegasse até aqui. Não tiveram o salário reduzido a 1/4 para garantir a sobrevivência do empreendimento. Por que raios então que agora chegam, a esta altura do campeonato, e ainda pedem pra sentar na janelinha? Você, como empresário, não se sentiria desconfortável e não ficaria com a pulga atrás da orelha? Você como mãe ou pai, não se sentiria insultado se um desconhecido lhe desse pitacos sob a criação de sua criança de 6 anos de idade? Exageros e sofismas a parte, acho que é mais ou menos este o sentimento que paira sob uma mente da maioria dos donos de empresa.

Voltando à questão, você daria este voto de confiança a pessoas que não carregaram a mesma cruz que você? Quais serão suas verdadeiras expectativas? Será que realmente têm valor a agregar ao negócio ou não passam de oportunistas embebedados por ideais comunistas com grande potencial de destruir retroceder sua empresa? Mantendo a metáfora, uma doméstica com 6 meses de casa tem ou não autonomia para conduzir a parte da educação de seus filhos? São essas as questões que fazem com que as empresas de hoje seja como são.

Ouvi recentemente um empresário dizendo que não abre mão do controle de sua área por não acreditar que outras pessoas terão a mesma capacidade de gestão que a sua. Ignorando a prepotência e arrogância, até que faz sentido. Mas então, como resolver a grande questão do universo sem rachá-lo ao meio?

Dizer que o poder deve ser igualmente repartido dentro da empresa, independente de raça, cor, credo, formação e salário não vale, pois isso significaria uma mudança de paradigma tão, mas tão grande, que talvez apenas 0.0001% das empresas do mundo aceitariam fazer. Seria o extremismo que o @FabricioBuzeto mencionou em seu comentário no post anterior. Então, como chegar a um meio termo?

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O Colapso 2.0? 7

Posted by Alê! Tue, 02 Jun 2009 12:05:00 GMT

O facil eh ser chato



Que redondo que nada.

O fácil é ser  quadrado.

Há muito que tentamos na SEA desenvolver um modelo diferenciado de gestão, no mínimo, mais divertido e sustentável que as formas tradicionais que vemos por aí. O percurso, entretanto, é árduo e, depois de tantos tropeços, começa-nos a ficar bastante clara a razão pela qual a grande parte das empresas optam pelas receitas de sempre, chatas, burocráticas e quadradas. É muito mais simples.

Já fizemos vários relatos aqui no blog de iniciativas internas rumo à Emrpesa 2.0 e até fomos reconhecidos oficialmente por algumas dessas investidas. A proposta é de extremo romantismo e nos custa vários novos cabelos brancos a cada dia. Para cada nova proposta inovadora de gestão, um mol de desafios e questões nos saltam à frente a espera de solução. E, depois de alguns anos acreditando e insistindo nesta filosofia, percebemos o porquê de empresas lideradas por pessoas tão modernas renderem-se a modelos tão antigos, industriais, hierarquizados, centralizados e de comando e controle.

Talvez um dos nossos principais discursos internos seja o fomento à atividade empreendedora (lembrando que empreendedor é diferente de empresário). Há bastante tempo atrás lançamos o primeiro programa interno de incentivo ao desenvolvimento de idéias pessoais. Não necessariamente estejamos nos referindo ao modelo 70-20-10 do Google, mas gostaríamos que o pessoal da SEA pensasse além de suas rotinas operacionais.

Infelizmente, já faz algum tempo dessa primeira proposta e até hoje o modelo não se consolidou. Não sabemos ao certo a verdadeira razão e por isso viemos a público abrir a discussão na certeza de que suas consequências terão grande poder transformador na qualidade de vida de todos nós.

O Colapso 2.0

A filosofia ágil e suas generalizações e derivações, sob a luz do Manifesto 2.0, sugere a maior independência e autonomia das equipes de trabalho. Na SEA, vamos além, promovendo esses atributos democráticos aos níveis mais estratégicos da organização. E, para alegria de uns e tristeza de outros, cada vez mais este processo parece ser irreversível. Alegria pois é de conhecimento público desde os estudos de Maslow, e recentemente reforçado por Asproni, que os  fatores de satisfação profissional e pessoal não estão essencialmente fundados nas premiações financeiras, mas em elementos subjetivos relacionados à percepção do indivíduo à sua condição de trabalho, favorecidos pela manutenção de um ambiente democrático, fértil ao desenvolvimento e crescimento profissional. Tristeza pois cada nova liberdade dada aumenta o poder das pessoas no processo produtivo, tornando a máquina, aos olhos 1.0, vulnerável a muito mais riscos que outrora.

Quando as pessoas se envolvem num processo de tomada democrática de decisões e definição estratégica, de transparência de todos os ciclos empresariais, de autonomia dos grupos e de total liberdade de expressão, é natural sua maior cumplicidade junto à empresa. Para quem busca maior comprometimento (e não apenas envolvimento) de seu time, essa é uma receita de mão cheia. Por conseguinte, quanto maior a cumplicidade, menor é a extensão vertical da pirâmide organizacional e maior é o sentimento de igualdade entre todos, até que se percebe que todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros, e aí começam os problemas.

No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da distribuição de responsabilidades e de lucros, da propriedade do patrimônio em construção e das práticas até então em uso. E é aí que eu digo. Ser transparente, dói. Ser democrático, dói. Tratar todos com indistinção de [coloqueaquitudooqueestiverprevistono_Art.3oda_constrituição] mais formação profissional e cargo na empresa, é um sofrimento. Abre-se margem para as mais severas críticas e questionamentos sobre tudo aquilo até então estabelecido. E você, gestor 2.0, deve estar totalmente disposto a ouvir e discutir.

Acontece, no entando, que o modelo começa a tender ao colapso. Pois, quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal terá. Quanto mais poder, mais críticos serão. Quanto mais críticos, mais tenso será o ambiente e mais insustentável tornar-se-á a situação, até o ponto em que uma grande decisão há de ser tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e promove-se uma grande revolução interna. Você, como empresário, que tanto suou pra chegar até aqui, o que faria?

Desespero!


Meus dedos estão coçando pra continuar a escrever, mas vou experimentar a idéia de posts curtos… Fica a questão. Gostaria de ouvi-los, caros seguidores.


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Empreendedorismo em Votuporanga 1

Posted by Alê! Mon, 03 Nov 2008 19:22:00 GMT

Conforme anunciado no post Gestão heurística, ágil e premiada, seguem slides da apresentação que fizemos em 31/10/2008 no Encontro Regional de Empreendedorismo em Votuporanga/SP.

 

Gestao Agil
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Gestão heurística, ágil e premiada 2

Posted by Alê! Wed, 29 Oct 2008 01:00:00 GMT

Diz o dito popular que a unanimidade é burra. Outro, bem clichê por sinal, diz que se você segue o caminho que todos seguem, chegará não mais que onde todos chegaram.

No livro (e filme) Uma mente brilhante, de Sylvia Nasar, a história (verídica) de John Nash mostra bem isso. Nash, Nobel de Economia, não gostava de assistir aulas. Por ele, seguir o raciocínio dos mestres podaria-lhe a criatividade, levando-o às mesmas interpretações, dificuldades e limitações. Por isso, gostava de descobrir tudo por conta própria. O modelo mais heurístico possível. Ele acreditava que assim poderia ir mais longe.

 Na SEA, o que inicialmente nos parecia uma grande fraqueza, se tornou, com o tempo, um dos nossos maiores diferenciais. A empresa começou sem qualquer capacitação administrativa. Sentíamos muito medo disso. Sem conhecer as seculares teorias de Fayol, Taylor et. al., certamente estaríamos condenados e engrossaríamos logo as estatísticas de mortalidade empresarial do SEBRAE. Entretanto, os fatos nos demonstrou outra faceta da situação. Como não conhecíamos nenhum modelo tradicional, consolidado e sólido de gestão, acabamos desenvolvendo o nosso próprio jeito de trabalhar, extremamente inspirado pela filosofia new-school e integralmente baseado em tentativas e erros.

Ninguém descorda de que a empresa parecia o caos, até que em 2006, de forma totalmente inexperada, fomos surpreendidos com o Prêmio Êxito Empresarial, na categoria de prestadores de serviços, concedido pelo SEBRAE e parceiros. 

Segundo notícia de lançamento do Prêmio,

"As cinco empresas vencedoras, uma em cada categoria (indústria, comércio, serviços, agronegócio/rural e empreendedorismo social), serão as que se destacarem por uma melhor abordagem dos critérios considerados na avaliação, que são: liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimentos, pessoas e processos, pondo em prática medidas que garantem o sucesso dos seus empreendimentos no mercado."

Depois deste feito, passamos a observar com mais carinho tudo o que tínhamos feito até então. Na prática, estávamos nada mais nada menos do que trazendo para o mundo administrativo conceitos da comunidade de software livre, da filosofia ágil e dos princípios lean.

Hoje, falamos disso aos quatro ventos. A última ocasião foi no Encontro Nacional de Empreendedores Juniores, onde tivemos um caloroso feedback. Já a próxima apresentação será em Votuporanga, no Congresso Regional de Empreendedorismo. Clique no convite abaixo para mais detalhes. 

 

Definitivamente, o caminho pro sucesso não é necessariamente único.

Se quiser saber mais, deixe-nos um comentário.

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