[Cobertura FISL 10] Netbooks com a Beagleboard
Agora o Assunto é Beagleboard.
Acabei de assistir a palestra do Francisco Alecrim sobre a Beagleboard. A primeira impressão é boa por que tinha muita gente interessada no assunto. O auditório não era muito grande, mas estava cheio. O Alecrim, começou arrumando todo o ambiente para fazer as demonstrações. De início parece uma parafernalha sem fim espalhada, mas só depois percebi que ele guarda todas as coisas para sua demonstração numa pequena frasqueira. Dessa forma, 5 minutos depois, o ambiente já estava pronto, e começou a apresentação.
O Francisco trabalha no OpenBossa que é uma divisão do INdT(Instituto Nokia de Tecnologia) voltada para o desenvolvimento de soluções open source.
Então ele começa explicando que a principal aplicação futura de variantes da Beagleboard, ou melhor, de placas de desenvolvimento com processadores OMAP (Cortex- A8 da família 3), são a criação dos novos netbooks. Ele faz a demonstração de um netbook chamado de Touch Book, que deve ser lançado em meados de 2010 e cujo o hardware interno é exatamente igual a uma beagleboard, com uma extensão na placa principal. Uma das suas principais características é a duração de sua bateria que é de aproximadamente 15 horas, o que serve para demonstrar como o consumo dessa placa é baixo.
Logo depois Alecrim começou a discutir sobre a utilização de linux em dispositivos embarcados, principalmente os voltados para Beagleboard e para as outras plataformas utilizadas pela Nokia. Essa empresa utiliza basicamente chips OMAP em seus celulares mais avançados como o N95 e o Nokia 810. Esses processadores são de séries anteriores (utilizam ARM11) a utilizada na beagleboard, mas já contam com versões experimentais de linux portadas para eles. A Nokia ainda não possui um telefone comercial que utilize linux, mas os primeiros devices devem ser lançados brevemente, utilizando a mesma família de processadores Omap que a Beagleboard utiliza(série 3). Dentre as distribuições citadas temos, Angstron, Mamona, Ubuntu, mas nada impede que seja criada um distribuição específica para sua aplicação já que o que importa são o kernel do linux e o rootfs específicos para arquitetura ARM, ambos disponiveis na internet, no git do kernel.org e no site do projeto da Beagleboard no google code.
Então porque utilizar Processadores OMAP?
Os OMAPs são processadores do tipo SOC ( System on Chip ) que possuem um DSP integrado junto com o processador principal e memória. Para quem não sabe, um DSP - Digital Signal Processar - é um processador especializado em processamento de sinais digitais, nessa caso, sinais de áudio e vídeo. Como já foi dito anteriormente os processadores Omap 3 que a Beagleboard utiliza são processadores Arm Cortex A8 que rodam a velocidade de 600Mhz, mas que conseguem chegar até 800Mhz(vide o novo iPhone que está para ser lançado). Além disso ele possui recursos de aceleração de vídeo com suporte a Open GL. Aliado aos recursos de processamento outra grande vantagem da Beagleboard é o seu baixo consumo de energia, de aproximadamente 2W.
A família Cortex é a nova família de processadores ARM, e vai equipar os principais devices que serão lançados no mercado nos próximos anos. Logo, portar sua aplicação para outro device com a mesma arquitetura de processador não deve ser um problema.
A vantagem de se utilizar a Beagleboard é o baixo curso do kit de desenvolvimento, e a possibilidade de criar novos produtos com ela. Isso decorre do fato do projeto de hardware e software ser totalmente Open Source, desenvolvido e suportado pela comunidade. Por esse motivo ela é uma placa de desenvolvimento que simplesmente funciona. A prova de sua viabilidade é o release dos primeiros netbooks, como o Touch Book demonstrado anteriormente.
Daí a palestra segue para o lado mais técnico da coisa, e o Alecrim mostra o processo de boot, e a sua configuração e a inicialização da Beagleboard. Mostra o acesso utilizando o minicom.
Daí voltamos a apresentação para duas distribuições linux, o Mamona e o Angstrom. O Alecrim explica que a maior diferença entre as duas é o maior suporte que o Angstrom possui, e o objetivo do Angstrom é para desenvolvedores de plataforma, enquanto o Mamona é feito para desenvolvedores de aplicação. Dessa forma o Mamona é muito mais fácil de instalar e utilizar que Angstrom. Um aspecto interessante é que os dois projetos dividem os mesmos meta-arquivos de compilação para a criação do ambiente. Além disso eles compartilham algumas soluções para problemas comuns.
Basicamente para a utilização do mamona você precisa baixar e instalar o script mamona-installer.
Após o término da palestra conversei tanto com o Ricardo Salveti, quanto com o Francisco Alecrim, e eles se empolgaram com a iniciativa do projeto Karmonitor. O mais envolvido é o Francisco, que me passou algumas dicas iniciais de testes que podemos fazer na Beagleboard. Os dois estão disponíveis e constantemente estão conversando sobre o assunto no freenode.
O único ponto negativo foi ter perdido a palestra do Salveti no dia 24. Mesmo assim fiquei conversando com o pessoal do INdT no stand do Qt(Cuja a empresa desenvolvedora foi comprada pela Nokia).
Para encontrar os slides da palestra, é só ir em http://franciscoalecrim.com
* Depois posto as fotos e o vídeo da demonstração feita durante a palestra!
Abraço!