O AntiAgileBrazil 2010 6

Posted by Willi Thu, 08 Jul 2010 17:11:00 GMT

Calma pessoal, deixa eu esclarecer o título primeiro: não vou meter pau no evento que foi um sucesso absoluto, e de que inclusive fui um dos organizadores! =) Na verdade, li tantos bons relatos (li todos os 34 que estão nessa lista, e incluirei o meu como 35o.), que resolvi só relatar aqui o que não foi dito em algum deles, a título de curiosidade mesmo… Um título mais adequado seria "o outro lado do Agile Brazil", ou "o que ainda não foi dito…", mas não ia ficar tão legal! A idéia foi inspirada na antibiblioteca do Umberto Eco.

Se você não foi e quiser sentir um pouco do clima do evento antes de ler o resto do post, assista a esse filme produzido pela galera da @bluesoftbr, que a gente admira muito.

Agile Brazil 2010 from Bluesoft on Vimeo.

Tem outro falando do evento no Blog deles. Altamente recomendado! =)

Na verdade eu tinha muito interesse em ler os relatos pra saber o feedback dos participantes, e inclusive saber o que rolou e aprender com os outros palestrantes, pois as únicas apresentações em que estive presente 100% do tempo foram a minha com o Alê e a do Klaus! =P Faz parte!

Comecemos do início, que não foi na terça-feira dia 22/06, mas dia 09/10… de 2009! No Ágiles2009, quando o Rafael falou conosco da SEA sobre a idéia do evento, e fiquei encarregado de ser o nosso representante no evento. Em novembro começaram as reuniões de planejamento entre os organizadores, que eram via skype, e para esse evento de apenas 4 dias, foram 8 meses de preparação…

Esse é o primeiro ponto que vou destacar: a necessidade de bastante tempo pra organizar algo dessa grandeza.

Inclusive a duração do evento foi muito discutida: Muita gente pediu mais dias de evento e menos threads paralelas (inclusive indo até o sábado, que de fato é boa idéia). Hoje é possível pensar no assunto e tomar algumas medidas, a gente já sabe que deu certo uma vez e tem tudo pra dar certo de novo - aliás, o que vocês acham? 5 dias? menos threads?

Mas imaginem pensar nisso quando nem se sabia se teríamos verba/público/local e etc?
Fazer um evento pela primeira vez é meio que Campo dos Sonhos - "se você construir, eles virão"! Tem que ter uma dose de fé e coragem! A gente já tem essa experiência dos Marés, e felizmente tem dado tudo certo. Sinal de que há uma grande demanda reprimida pelo assunto. Muitos patrocinadores inclusive já têm interesse em continuar no ano que vem, alguns inclusive ampliando a participação.

Dimensionamos o evento inicialmente pra aproximadamente 500 pessoas, com salas menores, onde ocorrem normalmente os Agile Weekends. Para nossa surpresa, as vagas se esgotaram e ainda restou uma lista de espera de mais de 200 pessoas, o que nos deu confiança para tentar um local novo. O detalhe é que isso ocorreu bem perto do evento e há um grande mérito do Rafael e da PUC terem gerenciado essa mudança de grande impacto. No final, foram aproximadamente 815 pessoas ao evento, fazendo deste, o maior já ocorrido na América Latina no contexto de métodos ágeis. (Viu? Mudanças são boas! =)

Continuando, no começo tinha um grupo grande de organizadores, que se auto-organizaram sob a coordenação do Rafael Prikladnicki e restaram 14 que estavam realmente comprometidos.


Foto do @screscencio
Mas olha, bota comprometido nisso! Na verdade esse é outro ponto que merece destaque: uma equipe nota 1000! Foi realmente um privilégio trabalhar com esse povo. Todos altamente solícitos, comprometidos, atenciosos, dedicados, batalhadores, colaborativos, sinérgicos, amigáveis… Apesar de milhares de e-mails trocados (+8000) e diversas conversas por skype, não me lembro de sequer um desentendimento entre nós. Repito aqui - foi um privilégio trabalhar com vocês.

Dessa turma, só não conhecia antes a Teresa e o Paulo Caroli, que vim a conhecer na primeira reunião presencial do grupo, na segunda-feira antes do primeiro dia do evento, como o Giovanni destacou.

Conhecemos o local que seria nosso "QG", onde teríamos rádios disponíveis, anotaríamos decisões, recados, =), =( , faríamos dipés a cada coffee e intervalo [Comunicação em abundância - outro destaque!], e conhecemos também o Marcos e a Vanessa, do cerimonial da PUC, que foram também essenciais para o sucesso do evento (Obrigado a vocês!) Foi uma lição nossa contratar um cerimonial, ajudou demais.

Sala QG  Dipé
QG e Dipé dos organizadores

Depois, óbvio, churrascaria! (Vocês viram no vídeo acima).
No dia seguinte (terça 22/06), curso de CSM, CSPO e o nosso de XP. A curiosidade do curso é que foram trocados diversos e-mails, fizemos uma reunião via skype mas acabou que tudo foi resolvido só numa dipé 20 minutos antes da aula começar.
 

6 instrutores que nunca tinham dado esse curso juntos, tinha muita coisa que podia dar errado, mas graças à experiência de todos com o assunto e habilidades interpessoais desenvolvidas (sem egos atrapalhando o andamento), parece que deu tudo certo! Pelo menos o feedback que tivemos.
Apesar disso, na reunião de retrospectiva que fizemos após o evento, todos nós concordamos que deu certo, foi legal, mas admitimos que é melhor não brincar mais disso! =) Talvez tenha sido a primeira e única vez que tenhamos feito isso.

Depois, mais comilança, vinho, mais conversas muito interessantes, mais gente se conhecendo, licor cascata - tá, isso vocês viram em outros posts, assim como o curso do David Hussman (cara muito legal, comunicativo, sem estrelismos - "The Dude"), e a comilança do dia seguinte (quarta, 23/06).

Na quinta, 23/06, primeiro dia de palestras do evento, keynote do político Mr. Fowler (nem vou colocar foto), uns gostaram, outros acharam superficial - sem novidades, a frase dele que mais foi repetida foi "se algo causa dor, faça mais vezes", ou algo assim - só recomendo que não usem fora do contexto, como com a namorada/mulher…. não vai colar… =P

Durante o keynote, o Manuel Pimentel me convovou pra organizarmos uns Open Spaces que já estavam prometidos, entre eles o do Manifesto 2.0. Ali mesmo percebemos que em nenhum momento, todos os envolvidos poderiam estar disponíveis para participar, então resolvemos fazer naquele dia mesmo, eu coordenaria uma sala e daria uns "pulos" nos Open Spaces. Espero que os palestrantes da sala que coordenei não tenham se importado com minha ausência.

Mesmo me ausentando das salas, não deu pra participar muito discussões. Não li muito a respeito, mas parece que foram bem legais. Acompanhei um pouco o do Manifesto, que lotou, e um pouco o dos Marés, em que experiências foram trocadas entre o pessoal de BH (Marcos), Belém (pessoal do Tá Safo), Floripa (Ismael), Curitiba (Jonas) - ficou faltando o pessoal da Giran, do Maré-Vix.

     

Ainda na manhã, tinha que acertar os últimos detalhes da apresentação que faria (como comentarista), com o Alê. Fizemos isso durante a apresentação do Flávio Steffens de Castro, pois seria na mesma sala logo em seguida. Foi um recorde do Alê usar só 8 slides (normalmente são 200). O que faltou em slide, sobrou em polêmica, com direito a represálias (dizem por aí - e se for verdade, o lado bom é que finalmente fomos ouvidos!). Falamos da postura do governo em afirmar que desenvolvimento de software é serviço comum, não é predominantemente intelectual porque segue métodos, protocolos e técnicas pré-estabelecidas…


Essa era a vista que eu tinha da sala!

Fiquei de comentarista porque a apresentação que submeti não poderia entrar, pois só poderíamos participar uma vez palestrando. Essa foi uma regra criada pela organização que concordei e apoiei, mesmo tendo sido prejudicado por ela. O que aconteceu foi que, com tantos "feras" na organização, a primeira versão da grade praticamente era preenchida em sua maioria com nossos nomes. Tinha pouca renovação. Achamos que seríamos criticados por ter sido "panela", mesmo com a avaliação das submissões tendo sido feita por terceiros. Também gostaríamos de dar oportunidade a pessoas novas da comunidade, para fortalecê-la. Afinal, um dia também nos foi dada uma oportunidade que abraçamos e fizemos valer.

Apesar de mesmo assim termos tido críticas (teríamos de qualquer maneira), acho que foi um ótimo trade-off. Afinal, isso contribuiu para uma participação massiva, divulgação em grupos mais isolados, quem ficou de fora vai ter sempre muitas oportunidades de palestrar (e aparecer), e o pessoal novo que mandou mal, já está na nossa lista negra. =)

Outra crítica é que tinha muita apresentação iniciante. Acho pertinente, apesar de vermos que sempre há muita gente interessada, ainda entrando nesse mundo. O fato é que, conforme cometários do próprio Bruno Pedroso, que foi ao XP2010, não tem havido muitos avanços no conhecimento sobre Agile. O que tem rolado é reforço das técnicas já consagradas e muito "mais do mesmo"… Talvez no WBMA tenha surgido inovação, mas de lá não tivemos retrospectiva senão boa presença de público.

Falando em Bruno, a palestra dele também teve uma boa repercussão. O tempo era curto pra construir o raciocínio elaborado que ele desenvolveu, mas por trás de toda filosofia apresentada, havia uma idéia muito simples (da qual só me interei no sábado seguinte, numa conversa no carro), e aposto que ele teria prazer em discutir horas com interessados sobre o assunto (dinâmico x estático).

À noite rolou o John Bull com boa parte da turma… Aliás, só tinha a galera do evento lá e mais, no máximo, 10 outros perdidos. Rolaram altos papos cabeça. Essas oportunidades de conversar, conhecer o pessoal, trocar idéias; na minha opinião, são as melhores partes do evento. 

[Não rolou Antônio Nunes! Se tivesse rolado, poderíamos classificar o Agile Brazil como um "Marézão"]

Último dia do evento, 24/06, sexta, keynote com o Philippe Kruchten (também brother, só que às vezes dá umas viajadas no meio das conversas), e depois o Brasil NÃO jogou.

À tarde, a palestra do Manoel Pimentel sobre coaching foi muito bem comentada. Aliás, tenho visto uma atuação crescente de coaching nessa área. Acho que tem a ver com Agile ser uma cultura, e nada como um coach pra facilitar transferência de cultura e adaptação de comportamento. Vivemos esse desafio de expansão atualmente na SEA, e o limite é justamente o tempo de transferência da cultura SEArense entre novos colaboradores.

Ao final do evento, pelo menos para a maioria dos 800 participantes, um keynote excepcional do Klaus Wuestefeld (precursor do XP no Brasil), feito em notepad!! =D Foi muito sagaz mesmo, também muito bem comentado - um diferencial do evento.
Um dos pontos altos foi quando ele fez uma analogia entre cozinha de solteiro que mora sozinho (e vai acumulando bagunça, e chega uma hora que a gente quebra o miojo no meio pra fazer na leitera porque não tem mais panela limpa), e código sem refactoring. Muita gente se identificou e riu.  Essas sacadas são preciosíssimas na hora de argumentarmos com nossos clientes. Foi perfeito! Outra coisa foi o aprendizado por osmose: também muito bem encaixado.
Ele contou sua carreira e substituiu os 5 valores do XP por 2: Learning e Coolness, que foi traduzido como "Aprendizado e Ducaralhisse".


Depois agradecimentos, vídeo do Ken Schwaber prometendo participar do Agile Brazil 2011, brindes, fotos, uma retrospectiva dos organizadores muito bem conduzida pelo Paulo Caroli em que levantamos algumas melhorias e lições que já foram destacadas aqui, e muito prazer e orgulho de ter participado disso tudo.



Eis que nasce um novo movimento!

Após tudo isso, ainda restou oportunidade para alguns dos momentos mais nobres e mais filosóficos de todo evento: Fomos a outro restaurante, mais comilança, mais vinho e mais conversa. Conversa essa que perdurou num pequeno grupo, que saiu do restaurante e foi filosofar mais no Dado Pub. O Dado Pub fechou mas a conversa não acabou. Foi parar no saguão do Hotel e lá a conversa durou até precisamente 4:10 da matina (Timebox sugerido pelo Rodrigo de Toledo, que viajaria pra casa logo em seguida de manhã cedo). Assim nasceram os Agilistas Anônimos! =D

 

Que foi outro acontecimento brilhante, graças ao Agile Brazil 2010.

E que venha o próximo!

[]’s
Willi

AgileBrazil 2010

Posted by Alê! Sat, 19 Jun 2010 20:13:00 GMT

<!DOCTYPE html PUBLIC “-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN”> AgileBrazil

Há 8 meses atrás, durante o Ágiles’2009, plantava-se a semente do maior evento genuinamente brasileiro sobre agilidade, então batizado de AgileBrazil (não confunda com o Agile Brazil 2009).



De lá pra cá, foram mais 8.000 emails trocados, mais de 15 conf calls, cerca de 850 inscrições, 150 submissões, 7 delas vindas do exterior, 23 empresas e 6 universidades palestrantes. Para quem já se envolveu na organização de eventos, sabe a trabalheira que dá e, dados esses números, tem-se uma noção do baita feito atingido pela equipe de organização. Um salve para todos que trabalharam duro para presentear a comunidade brasileira com um encontro de tão alto nível!


Dairton Bassi Daniel Wildt Danilo Sato Giovanni Bassi
Hugo Cobucci Luiz Parzianello Manoel Pimentel Mariana Bravo
Paulo Caroli Rafael Prikladnicki Renato Willi Rodrigo de Toledo
Samuel Crescêncio Teresa Maciel


O evento já começa nesta próxima semana, em Porto Alegre/RS, com 2 dias de cursos e outros 2 de palestras.



A presença de alguns figurões do mundo do desenvolvimento de software, como Martin Fowler, Philippe Kruchten e Klaus Wuestefeld, aliada à possibilidade de intercâmbio de ideias com uma das comunidades mais ativas desses dias, faz do AgileBrazil uma oportunidade única para aprendizado e expansão do networking.


A SEA estará palestrando em dose dupla na 5ª-feira, 24/06. 


Pra você, desenvolver software é atividade intelectual? Pro Governo Brasileiro, não.
Alexandre Gomes e Renato Willi, 24/06 às 11:45hs

A mentalidade industrial de nossos legisladores desenham um futuro cataclítico para a TI no setor público. Em recente debate aberto em um órgão do governo, fomos surpreendidos com afirmações dignas de 30 anos atrás. Como atores diretos deste segmento, indignamo-nos com o desejo generalizado de se fazer sempre mais do mesmo e a displicência dos envolvidos com todas as tendências pró-agilidade, sustentabilidade e eficiência que emergem mundo afora. Iremos continuar o raciocínio iniciado no evento Agiles´2009, na palestra sobre Licitações Ágeis, revisando cada conceito relacionado, analisando a atual Lei de Licitações, refletindo sobre o que deve levar pessoas tão inteligentes a pensarem desta forma e sobre como podemos mudar a inércia da máquina pública rumo ao colapso.

Arrumando a cozinha com Pomodoro, GTD, TDD e Scrum
Bruno Pedroso, 24/06 às 18:15hs

Essa palestra apresentará as metodologias Pomodoro, GTD, TDD e Scrum enquanto peças de um sistema metodológico integral. Serão apresentadas em uma visão geral e contextualizadas no novo modelo de trabalho que se desenvolve no início desse século. Serão evidenciadas suas semelhanças e os princípios em comum que as tornam coesas em um sistema com características fractais, ou auto-similares.


Deu vontade de ir? Acho ainda dá tempo. Bora lá!