O AntiAgileBrazil 2010 6

Posted by Willi Thu, 08 Jul 2010 17:11:00 GMT

Calma pessoal, deixa eu esclarecer o título primeiro: não vou meter pau no evento que foi um sucesso absoluto, e de que inclusive fui um dos organizadores! =) Na verdade, li tantos bons relatos (li todos os 34 que estão nessa lista, e incluirei o meu como 35o.), que resolvi só relatar aqui o que não foi dito em algum deles, a título de curiosidade mesmo… Um título mais adequado seria "o outro lado do Agile Brazil", ou "o que ainda não foi dito…", mas não ia ficar tão legal! A idéia foi inspirada na antibiblioteca do Umberto Eco.

Se você não foi e quiser sentir um pouco do clima do evento antes de ler o resto do post, assista a esse filme produzido pela galera da @bluesoftbr, que a gente admira muito.

Agile Brazil 2010 from Bluesoft on Vimeo.

Tem outro falando do evento no Blog deles. Altamente recomendado! =)

Na verdade eu tinha muito interesse em ler os relatos pra saber o feedback dos participantes, e inclusive saber o que rolou e aprender com os outros palestrantes, pois as únicas apresentações em que estive presente 100% do tempo foram a minha com o Alê e a do Klaus! =P Faz parte!

Comecemos do início, que não foi na terça-feira dia 22/06, mas dia 09/10… de 2009! No Ágiles2009, quando o Rafael falou conosco da SEA sobre a idéia do evento, e fiquei encarregado de ser o nosso representante no evento. Em novembro começaram as reuniões de planejamento entre os organizadores, que eram via skype, e para esse evento de apenas 4 dias, foram 8 meses de preparação…

Esse é o primeiro ponto que vou destacar: a necessidade de bastante tempo pra organizar algo dessa grandeza.

Inclusive a duração do evento foi muito discutida: Muita gente pediu mais dias de evento e menos threads paralelas (inclusive indo até o sábado, que de fato é boa idéia). Hoje é possível pensar no assunto e tomar algumas medidas, a gente já sabe que deu certo uma vez e tem tudo pra dar certo de novo - aliás, o que vocês acham? 5 dias? menos threads?

Mas imaginem pensar nisso quando nem se sabia se teríamos verba/público/local e etc?
Fazer um evento pela primeira vez é meio que Campo dos Sonhos - "se você construir, eles virão"! Tem que ter uma dose de fé e coragem! A gente já tem essa experiência dos Marés, e felizmente tem dado tudo certo. Sinal de que há uma grande demanda reprimida pelo assunto. Muitos patrocinadores inclusive já têm interesse em continuar no ano que vem, alguns inclusive ampliando a participação.

Dimensionamos o evento inicialmente pra aproximadamente 500 pessoas, com salas menores, onde ocorrem normalmente os Agile Weekends. Para nossa surpresa, as vagas se esgotaram e ainda restou uma lista de espera de mais de 200 pessoas, o que nos deu confiança para tentar um local novo. O detalhe é que isso ocorreu bem perto do evento e há um grande mérito do Rafael e da PUC terem gerenciado essa mudança de grande impacto. No final, foram aproximadamente 815 pessoas ao evento, fazendo deste, o maior já ocorrido na América Latina no contexto de métodos ágeis. (Viu? Mudanças são boas! =)

Continuando, no começo tinha um grupo grande de organizadores, que se auto-organizaram sob a coordenação do Rafael Prikladnicki e restaram 14 que estavam realmente comprometidos.


Foto do @screscencio
Mas olha, bota comprometido nisso! Na verdade esse é outro ponto que merece destaque: uma equipe nota 1000! Foi realmente um privilégio trabalhar com esse povo. Todos altamente solícitos, comprometidos, atenciosos, dedicados, batalhadores, colaborativos, sinérgicos, amigáveis… Apesar de milhares de e-mails trocados (+8000) e diversas conversas por skype, não me lembro de sequer um desentendimento entre nós. Repito aqui - foi um privilégio trabalhar com vocês.

Dessa turma, só não conhecia antes a Teresa e o Paulo Caroli, que vim a conhecer na primeira reunião presencial do grupo, na segunda-feira antes do primeiro dia do evento, como o Giovanni destacou.

Conhecemos o local que seria nosso "QG", onde teríamos rádios disponíveis, anotaríamos decisões, recados, =), =( , faríamos dipés a cada coffee e intervalo [Comunicação em abundância - outro destaque!], e conhecemos também o Marcos e a Vanessa, do cerimonial da PUC, que foram também essenciais para o sucesso do evento (Obrigado a vocês!) Foi uma lição nossa contratar um cerimonial, ajudou demais.

Sala QG  Dipé
QG e Dipé dos organizadores

Depois, óbvio, churrascaria! (Vocês viram no vídeo acima).
No dia seguinte (terça 22/06), curso de CSM, CSPO e o nosso de XP. A curiosidade do curso é que foram trocados diversos e-mails, fizemos uma reunião via skype mas acabou que tudo foi resolvido só numa dipé 20 minutos antes da aula começar.
 

6 instrutores que nunca tinham dado esse curso juntos, tinha muita coisa que podia dar errado, mas graças à experiência de todos com o assunto e habilidades interpessoais desenvolvidas (sem egos atrapalhando o andamento), parece que deu tudo certo! Pelo menos o feedback que tivemos.
Apesar disso, na reunião de retrospectiva que fizemos após o evento, todos nós concordamos que deu certo, foi legal, mas admitimos que é melhor não brincar mais disso! =) Talvez tenha sido a primeira e única vez que tenhamos feito isso.

Depois, mais comilança, vinho, mais conversas muito interessantes, mais gente se conhecendo, licor cascata - tá, isso vocês viram em outros posts, assim como o curso do David Hussman (cara muito legal, comunicativo, sem estrelismos - "The Dude"), e a comilança do dia seguinte (quarta, 23/06).

Na quinta, 23/06, primeiro dia de palestras do evento, keynote do político Mr. Fowler (nem vou colocar foto), uns gostaram, outros acharam superficial - sem novidades, a frase dele que mais foi repetida foi "se algo causa dor, faça mais vezes", ou algo assim - só recomendo que não usem fora do contexto, como com a namorada/mulher…. não vai colar… =P

Durante o keynote, o Manuel Pimentel me convovou pra organizarmos uns Open Spaces que já estavam prometidos, entre eles o do Manifesto 2.0. Ali mesmo percebemos que em nenhum momento, todos os envolvidos poderiam estar disponíveis para participar, então resolvemos fazer naquele dia mesmo, eu coordenaria uma sala e daria uns "pulos" nos Open Spaces. Espero que os palestrantes da sala que coordenei não tenham se importado com minha ausência.

Mesmo me ausentando das salas, não deu pra participar muito discussões. Não li muito a respeito, mas parece que foram bem legais. Acompanhei um pouco o do Manifesto, que lotou, e um pouco o dos Marés, em que experiências foram trocadas entre o pessoal de BH (Marcos), Belém (pessoal do Tá Safo), Floripa (Ismael), Curitiba (Jonas) - ficou faltando o pessoal da Giran, do Maré-Vix.

     

Ainda na manhã, tinha que acertar os últimos detalhes da apresentação que faria (como comentarista), com o Alê. Fizemos isso durante a apresentação do Flávio Steffens de Castro, pois seria na mesma sala logo em seguida. Foi um recorde do Alê usar só 8 slides (normalmente são 200). O que faltou em slide, sobrou em polêmica, com direito a represálias (dizem por aí - e se for verdade, o lado bom é que finalmente fomos ouvidos!). Falamos da postura do governo em afirmar que desenvolvimento de software é serviço comum, não é predominantemente intelectual porque segue métodos, protocolos e técnicas pré-estabelecidas…


Essa era a vista que eu tinha da sala!

Fiquei de comentarista porque a apresentação que submeti não poderia entrar, pois só poderíamos participar uma vez palestrando. Essa foi uma regra criada pela organização que concordei e apoiei, mesmo tendo sido prejudicado por ela. O que aconteceu foi que, com tantos "feras" na organização, a primeira versão da grade praticamente era preenchida em sua maioria com nossos nomes. Tinha pouca renovação. Achamos que seríamos criticados por ter sido "panela", mesmo com a avaliação das submissões tendo sido feita por terceiros. Também gostaríamos de dar oportunidade a pessoas novas da comunidade, para fortalecê-la. Afinal, um dia também nos foi dada uma oportunidade que abraçamos e fizemos valer.

Apesar de mesmo assim termos tido críticas (teríamos de qualquer maneira), acho que foi um ótimo trade-off. Afinal, isso contribuiu para uma participação massiva, divulgação em grupos mais isolados, quem ficou de fora vai ter sempre muitas oportunidades de palestrar (e aparecer), e o pessoal novo que mandou mal, já está na nossa lista negra. =)

Outra crítica é que tinha muita apresentação iniciante. Acho pertinente, apesar de vermos que sempre há muita gente interessada, ainda entrando nesse mundo. O fato é que, conforme cometários do próprio Bruno Pedroso, que foi ao XP2010, não tem havido muitos avanços no conhecimento sobre Agile. O que tem rolado é reforço das técnicas já consagradas e muito "mais do mesmo"… Talvez no WBMA tenha surgido inovação, mas de lá não tivemos retrospectiva senão boa presença de público.

Falando em Bruno, a palestra dele também teve uma boa repercussão. O tempo era curto pra construir o raciocínio elaborado que ele desenvolveu, mas por trás de toda filosofia apresentada, havia uma idéia muito simples (da qual só me interei no sábado seguinte, numa conversa no carro), e aposto que ele teria prazer em discutir horas com interessados sobre o assunto (dinâmico x estático).

À noite rolou o John Bull com boa parte da turma… Aliás, só tinha a galera do evento lá e mais, no máximo, 10 outros perdidos. Rolaram altos papos cabeça. Essas oportunidades de conversar, conhecer o pessoal, trocar idéias; na minha opinião, são as melhores partes do evento. 

[Não rolou Antônio Nunes! Se tivesse rolado, poderíamos classificar o Agile Brazil como um "Marézão"]

Último dia do evento, 24/06, sexta, keynote com o Philippe Kruchten (também brother, só que às vezes dá umas viajadas no meio das conversas), e depois o Brasil NÃO jogou.

À tarde, a palestra do Manoel Pimentel sobre coaching foi muito bem comentada. Aliás, tenho visto uma atuação crescente de coaching nessa área. Acho que tem a ver com Agile ser uma cultura, e nada como um coach pra facilitar transferência de cultura e adaptação de comportamento. Vivemos esse desafio de expansão atualmente na SEA, e o limite é justamente o tempo de transferência da cultura SEArense entre novos colaboradores.

Ao final do evento, pelo menos para a maioria dos 800 participantes, um keynote excepcional do Klaus Wuestefeld (precursor do XP no Brasil), feito em notepad!! =D Foi muito sagaz mesmo, também muito bem comentado - um diferencial do evento.
Um dos pontos altos foi quando ele fez uma analogia entre cozinha de solteiro que mora sozinho (e vai acumulando bagunça, e chega uma hora que a gente quebra o miojo no meio pra fazer na leitera porque não tem mais panela limpa), e código sem refactoring. Muita gente se identificou e riu.  Essas sacadas são preciosíssimas na hora de argumentarmos com nossos clientes. Foi perfeito! Outra coisa foi o aprendizado por osmose: também muito bem encaixado.
Ele contou sua carreira e substituiu os 5 valores do XP por 2: Learning e Coolness, que foi traduzido como "Aprendizado e Ducaralhisse".


Depois agradecimentos, vídeo do Ken Schwaber prometendo participar do Agile Brazil 2011, brindes, fotos, uma retrospectiva dos organizadores muito bem conduzida pelo Paulo Caroli em que levantamos algumas melhorias e lições que já foram destacadas aqui, e muito prazer e orgulho de ter participado disso tudo.



Eis que nasce um novo movimento!

Após tudo isso, ainda restou oportunidade para alguns dos momentos mais nobres e mais filosóficos de todo evento: Fomos a outro restaurante, mais comilança, mais vinho e mais conversa. Conversa essa que perdurou num pequeno grupo, que saiu do restaurante e foi filosofar mais no Dado Pub. O Dado Pub fechou mas a conversa não acabou. Foi parar no saguão do Hotel e lá a conversa durou até precisamente 4:10 da matina (Timebox sugerido pelo Rodrigo de Toledo, que viajaria pra casa logo em seguida de manhã cedo). Assim nasceram os Agilistas Anônimos! =D

 


Que foi outro acontecimento brilhante, graças ao Agile Brazil 2010.

E que venha o próximo!

[]’s
Willi

Maré de Agilidade, 5ª ed., em BH

Posted by Alê! Sun, 02 May 2010 23:00:00 GMT

Maré de Agilidade em BH

Yes, nós temos Manifesto! 3

Posted by Willi Mon, 26 Apr 2010 16:01:00 GMT

Olá pessoal,

Está publicada a versão em português do Brasil do Manifesto Ágil em http://www.agilemanifesto.org/iso/ptbr

Mais um trabalho feito com a colaboração da Comunidade Ágil Brasileira.

Todo trabalho de tradução em grupo é complicado por conta de regionalismos, opiniões pessoais, várias versões equivalentes, complementos de idéias e etc. Sabemos que é impossível agradar a todos e que algumas questões ainda ficaram em aberto, mas nossa intenção desde o início foi passar as idéias do manifesto e seus princípios de forma fidedigna à original.

E nesse critério, acho que obtivemos um grande sucesso.

Meus agradecimentos especiais para:

  • José Peleteiro
  • Heitor Roriz
  • Flávio Steffens de Castro
  • Luiz Cláudio Parzianello
  • Rafael Prikladnicki
  • Mariana Bravo
  • Dairton Bassi
  • Rafael Sabbagh Armony
  • André Faria Gomes
  • Cecília Fernandes
  • Rodrigo Toledo
  • Manoel Pimentel
  • Guilherme Silveira
  • Wescley Costa
  • Marcelo Andrade
  • Christian Peixoto
  • Hugo Corbucci
  • Henrik Kniberg

E todos os demais que participaram do trabalho com paciência, colaboração e compreensão.

[]s

Willi

Lean em 4 minutos 13

Posted by Willi Wed, 02 Dec 2009 12:10:00 GMT

Uma interpretação muito pessoal do Lean…

 

E em inglês…

 

Maré de Agilidade com Açaí

Posted by Alê! Mon, 23 Nov 2009 10:45:00 GMT

Maré de Agilidade com Açaí



Texto produzido pelo grupo Tá Safo!

Para quem ainda não sabe do que se trata, o Maré de Agilidade é um evento itinerante que viaja pelas cidades do Brasil, apresentado assuntos como Extreme Programming (XP), Scrum, Domain Driven Design (DDD), Model Driven Design (MDD), Test-driven Development (TDD), Feature-driven Development (FDD), Gerenciamento Ágil de Projetos (GAP), Lean, e tantos outros. Esses assuntos começam a fazer parte do vocabulário do desenvolvedor de software, no entanto muitas vezes sem a devida capacitação para entendimento e aplicação de tantos conceitos.

Como as ondas de uma maré, o evento já passou por Brasília (setembro/2008 − 1° edição); Salvador (março/2009 − 2° edição) e Fortaleza (agosto/2009 − 3° edição).

Agora em sua 4° edição chegou a vez de Belém, para falar das novas tendências em gerência de projetos e técnicas de desenvolvimento de software que constiuem atualmente o grande diferencial de empresas como Apple, Google, Microsoft, Yahoo e Globo.com.

O evento está programado para os dias 26, 27 e 28 de Novembro de 2009, sendo os 2 primeiros dias de mini-cursos, sessões de Dojo e OpenSpace. O 3° dia reservado para palestras e discussões.

Acesse o site do evento: www.maredeagilidade.com.br

Agilidade & Licitações 14

Posted by Willi Tue, 03 Nov 2009 17:57:00 GMT

Estamos numa espécie de cruzada na resolução deste problema, tão maior que a gente, que é o de se trabalhar utilizando metodologias ágeis no governo. As dificuldades são enormes, e ainda não há solução satisfatória, mas em que ponto estamos no momento?

No Ágiles 2009, fizemos uma apresentação sobre este tema (abaixo).

Seguida pela entrevista do Alê pelo Luiz, da Bluesoft:

Entrevista com Alexandre Gomes da SEA Tecnologia no Ágiles 2009 from Bluesoft on Vimeo.

Resumindo a conversa, devido a uma combinação de várias Leis e acórdãos do TCU, o Governo passou a considerar desenvolvimento de software como sendo um serviço comum, sendo obrigado a ser adquirido via pregão. E a unidade de software licitada é normalmente baseada numa métrica, a maioria Pontos por Função.

Uma das conseqüências do uso de pregões para aquisição de software tem sido a diminuição da necessidade de comprovações técnicas, que ocorriam nas licitações do tipo técnica e preço. Por exemplo, onde antes se pedia MPS.BR nível A, hoje aceita-se qualquer certificação MPS.BR. O mesmo vale para o CMMI. E também já faz algum tempo que certificações de profissionais não são mais pedidas como critérios de pontuação técnica, visto que a empresa não precisa ter o profissional contratado antes do início do projeto. As comprovações técnicas dos profissionais são pedidas no momento do contrato, já definido o ganhador do pregão.

Um dos objetivos dos órgãos públicos estarem diminuindo esses critérios para participação é permitir a concorrência entre mais empresas e diminuir o preço do serviço, visto que este é considerado serviço comum. Isso tende a diminuir a força e a fatia de mercado de médias e grandes empresas dentro das áreas de Tecnologia da Informação do governo (será que estavam satisfeitos com elas?). Mas vamos analisar a questão de serviço comum por um instante.

A Lei nº 10.520/02, define que bens e serviços comuns são aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente descritos no edital, por meio de especificações usuais no mercado. Mas observem nos slides os “objetivos” padrões de desempenho e qualidade que caracterizam software como serviço comum (e tirem suas próprias conclusões).

Acreditamos que ainda existem algumas fragilidades nessas definições para podermos considerar desenvolvimento de software como serviço comum. Por exemplo: concordamos que haver mecanismos de gestão do projeto favorece que os projetos estejam mais sob controle e que documentação aumente as chances do sistema ser melhor manutenível, mas e se forem mal planejados? Quais são os critérios de qualidade de um plano? Ou de um documento de visão? Ou de um documento de arquitetura? Quando existem, são caracterizados pela presença de tópicos (ex: documento de visão ter definição do problema, necessidades, características e definição dos usuários) e validação de um profissional. Mas isso não seria ainda muito subjetivo? Você pode definir mal o problema, as necessidades e mesmo assim esses tópicos constarem no documento. E a documentação também pode ficar obsoleta. O profissional vai usar quais critérios objetivos para validar a documentação? O mesmo vale para os questionários e aceites normalmente utilizados.

Reiterando: consideramos todos esses mecanismos válidos para aumentar as chances da qualidade do resultado, mas ainda não podem ser considerados como definitivos para tal finalidade. Por isso proporemos novos critérios, baseados em métricas de qualidade como cobertura de testes e taxa de duplicidade do código que, assim como os atuais, também favorecerão a qualidade do software entregue, bem como manutenibilidade e documentação do código.

É claro que pode-se ter um software 100% coberto por testes e ainda assim estes testes serem ruins. Nenhuma métrica totalmente objetiva jamais será perfeita. O fato é que haver testes automatizados no software aumenta as chances de ele ter qualidade, ser melhor documentado e mais manutenível ao longo do tempo.

Observe que estes critérios não resolveriam o problema da qualidade no momento da contratação, pois as métricas só seriam aferidas nas entregas. Mas, ao longo do tempo, descartando-se as empresas que não entregam software com qualidade (por exemplo, numa eventual fase de homologação), haveria uma adaptação dos produtos e do mercado para uma realidade melhor.

Por que o interesse nesses novos critérios? Porque apesar das boas intenções, as conseqüências desse formato de contratação não têm sido boas. Os preços de fato caíram muito, mas muitas empresas não estão conseguindo entregar os sistemas. E muitas delas entregam sistemas de qualidade muito ruim, o que em muitos casos deverá resultar em nova contratação para o mesmo projeto (Isso já foi noticiado na imprensa.). Ou seja, não está havendo economia de fato. Acreditamos que esse modelo tende a colapsar. Ainda há necessidade de adaptação a esse novo formato, e acreditamos que estas métricas de qualidade de código contribuem para isso.

Outra razão (mais particular), é que nós trabalhamos com testes automatizados, sabemos que isso favorece a qualidade dos sistemas e sabemos o quanto isso melhoraria os sistemas que têm sido desenvolvidos para a população. Só que até então, não observamos nenhum retorno desse diferencial. O desenvolvimento está nivelado por baixo. Então a idéia é tangibilizar essa qualidade para que seja valorizada e requerida em editais, para que todos que trabalham como trabalhamos e agregam o valor que agregamos no código possam se beneficiar disso.

Portanto, nossa próxima batalha é essa: tangibilizar a qualidade que dizemos agregar, de forma a contribuir para aumentar a qualidade do serviço de desenvolvimento de software prestado ao Estado. Depois, tentar sensibilizar o governo em quanto a isso, para que possa melhorar seus editais de contratação (quiçá, Acórdãos e Leis!). Quem tá junto nessa?
Já existe um grupo discutindo isso. Se tiver interesse em participar, mande um e-mail para renato ponto willi arromba seatecnologia ponto com ponto br.

[]s
Willi

LinguÁgil 2009 1

Posted by Alê! Fri, 23 Oct 2009 19:49:00 GMT

LinguÁgil2009



A proliferação de tecnologias para o desenvolvimento de aplicações web vem gerando exaustivas discussões sobre qual adotá-las em seus projetos. Java, PHP e Ruby estão entre as 10 linguagens de programação mais utilizadas no mundo, segundo a TIOBE Programming Community. Em paralelo, os mesmos profissionais buscam melhorar seus serviços adotando metodologias que ao mesmo tempo permitam o controle de seus projetos, gerem valor agregado aos clientes e evitem excesso de burocracia.

Diante desse cenário, os grupos AgileBahia, JavaBahia, PHPBahia e RailsBahia realizarão em Salvador a edição 2009 do LinguÁgil - Misturando Linguagens e Agilidade, parte da XII Semana de Informática da Unime. Inédito na Bahia, o evento reune algumas das principais comunidades de TI, buscando estimular aprendizado e discussões em torno de linguagens de programação e metodologias ágeis.

Local:

Unime - Lauro de Freitas - Bahia

Palestrantes/instrutores

Alberto “Spock” Lemos (Globalcode), Alexandre Gomes (SEA Tecnologia), Dairton Bassi (Neurobox), Daniel Lopes (Área Criações), Felipe Ribeiro (UFCG), Felipe Rodrigues (Fratech), Henrique Landim (Partner Process) e outros

Palestras GRATUITAS (14/11)

Agile, Manifesto 2.0, Ruby On Rails, PHP/Frameworks, JSF 2.0/Scrum Toys, Linguagens para a JVM, Pentaho

Oficinas/Coding-Dojo (12 e 13/11)

Coding-Dojo Agile, Java/Web com Demoiselle, Integração Contínua/Maven (a confirmar), Python (a confirmar)

Mini-cursos (R$ 60 a R$ 120)

12/11 - Métodos Ágeis, JSF, Portlets com Liferay, TDD/Java, Ruby
13/11 - XP, Scrum, Pentaho, PHP/TDD, Rails

Inscrições:

Com desconto até 05/11
Preços promocionais para estudantes e membros do AgileBahia / JavaBahia / PHPBahia / RailsBahia

Programação detalhada, inscrições e mais informações em www.linguagil.com.br

SINFORM, Ágiles e RailsSummit 4

Posted by Alê! Fri, 16 Oct 2009 15:39:00 GMT

SINFORM, Agiles2009 e RailsSummit

Setembro e outubro são sempre os meses de pico de eventos no Brasil e, depois de praticamente 3 semanas pulando entre uma e outra apresentação, estamos de volta à vida real.




A maratona começou em Ilhéus/BA, com a IX Semana de Informática da UESC, na qual apresentei uma palestra sobre Computação Invisível e um mini-curso de Ruby e Rails.



Além da turma da organização do evento, que fez um trabalho sensacional, conheci outras grandes figuras: Camilo Lopes (IBM), Hugo Santana (Google) e o Prof. Aquiles Burlamaqui (UFRN). Foi um prazer, caras!


Na sequência, descemos pra Florianópolis/SC para participar do Ágiles2009, o principal evento de metodologias ágeis da América Latina, no qual falamos do Manifesto 2.0 e do paradoxo Agilidade x Licitações.



Rolou até uma sessão de dojo no evento!



Impressionou-me neste encontro a qualidade das discussões e o nível da galera presente. Em especial, encantou-me o discurso do Roy Singham, CEO da ThoughtWorks, não apenas pela presença de palco e pela habilidade de condução da palestra mas, principalmente, pela grande intersecção do que ele falou com o que nós temos falado no Manifesto 2.0.  \o/  Se alguém tiver gravado, dá um toque, por favor!

Ah, e aproveito pra mandar um salve pro Samuel Crescêncio (@screscencio), Victor Hugo (@victogh) e pro Bruno Ghisi (@bghisi). Muitíssimo obrigado pela recepção fantástica que nos deram. Vocês são foda!

Rails Summit 2009

Por fim, seguimos pra São Paulo/SP, para participar do RailsSummit 2009 que, IMHO é, atualmente, o melhor evento de TI do Brasil. Apesar de não estarmos na programação oficial da conferência, tivemos a oportunidade de novamente falar do Manifesto 2.0 como uma lightning talk, que os amigos da BlueSoft fizeram o gentil favor de filmar e publicar.

Manifesto 2.0 no Rails Summit 2009 por Alexandre Gomes from Bluesoft on Vimeo.

Como andei tuitando, blogando e já disse para vários colegas, o grande lance do RailsSummit não é o RubyOnRails, mas a comunidade que em torno dele se formou. Não sei é pelo fato de ser constituída de gente de diversos outros mundos tecnológicos ou simplesmente por ter nascido no umbigo do pensamento 2.0, mas a essência dos debates é de singular admiração. Não vou repetir aqui o que já disse no passado. @AkitaOnRails está novamente de parabéns pelo empreendimento.

E, por falar em empreendimento, deve rolar no próximo ano um evento sobre Empreendedorismo em TI. Fiz essa sugestão ao final da palestra do @viniciusteles e a galera comprou a idéia. Muito provavelmente, será no Rio. Atentem-se!

E, por falar em @viniciusteles, ele o @akitaonrails fizeram as melhores palestras do evento, em minha humilde opinião. Portanto, não percam a oportunidade de assisti-los.




As demais apresentações já estão disponíveis aqui. O @leozera nos fez um ótimo review do primeiro e do segundo dia, com links para os slides e tudo mais. Outras impressões sobre o evento podem ser vistas no TrendTime.

A turma da @sea_tecnologia foi, gostou e indica a quem se interessar.


2010

Finda a maratona, é hora de retornar à vida real, responder alguns emails e preparar o espírito para 2010 que, AFAIK, já conta com:

  • Março - Maré de Agilidade (Belo Horizonte/MG)
  • Abril - MaréDeAgilidade.Gov.Br (Brasília/DF)
  • ?? - Maré de Agilidade (Florianópolis/SC)
  • Junho - Ágil Brasil (Porto Alegre/RS)
  • Agosto - Bundle Maré de Agilidade + Oxente Rails (Natal/RN)
  • Setembro - DevInRio (Rio de Janeiro/RN)
  • Outubro - Ágiles (Lima/Peru), RailsSummit (São Paulo/SP)

Como diria o Guapo, e vamo que vamo!

[]s

Torna-te, pois, responsável 3

Posted by Alê! Mon, 27 Jul 2009 11:51:00 GMT

Torna-te, pois, responsável.

Apesar de tendência ao colapso, ainda acreditamos na Filosofia 2.0.


Definitivamente, cremos que empresas modernas devem quebrar suas barreiras egocêntricas, fomentar a opinião crítica de sua equipe, digeri-las e agir de acordo. Como dizem no mundo do Software Livre, nenhuma idéia é melhor que a idéia de todos nós juntos. Estamos falando dos princípios da Web 2.0, onde a empresa deixa de ser o núcleo emanador de verdades e torna-se a infra-estrutura viabilizadora  do desenvolvimento de sua comunidade.

Transparência vs Compromisso

Numa empresa 2.0 (por mais que não tenham ainda formalizado este conceito), a gestão estratégica do negócio recebe influências diretas de seu nível operacional. Democracia a parte, não é novidade o incômodo trazido pelo modelo. Incômodo ainda maior, quando o bombardeio de críticas é acompanhado de descompromisso. Afinal, nossa cultura é mestre em seu senso crítico evasivo.

Adoramos condenar o escalão político sem, no entanto, nos lembrarmos que nosso voto o compôs e, pior, sem nos dispormos agir de alguma forma para sua reconstituição moral. Repare em nossa sociedade. O papel acusador é vivido do mais pobre ao mais rico, do mais estudado ao menos, e todos compartilham, majoritariamente, a síndrome do ‘não é problema meu’. O problema da limpeza da cidade é do prefeito, não meu. A insegurança do condomínio é problema de seu síndico, não meu. A guerra no trânsito é culpa dos motoristas de transporte coletivo, obviamente, não meu. E, no senso comum, tropeços na gestão empresarial, é problema de seus dirigentes, não meu.

Mas não é nisso que o pensamento 2.0 acredita. O Scrum, representante deste movimento, ilustra muito bem a situação com a estória do porco e da galinha.



Não queremos crítica por crítica. Queremos crítica construtiva, preferencialmente de pessoas devidamente compromissadas com seus resultados. O poder de voz não é gratuito. Grande carga de responsabilidade o acompanha.

O que faz todo o modelo tender ao colapso é o descompromisso dos participantes. Como galinhas, muitos querem se envolver na discussão, julgando e criticando, mas poucos estão realmente dispostos às últimas consequências de seus atos. Sendo desta forma, não se atinge um equilíbrio na balança da discussão vs ação. Empresas modernas precisam muito mais de gente que faz do que de gente que fala.



Experimentamos nos últimos 4 anos a realização do planejamento estratégico da empresa com todos, absolutamente todos, os seus integrantes. Muitos gostam do processo, simpatizam-se com a disposição da empresa em a todos ouvir, mas também muitos negam-se a participar pela impressão de haver muita ideologia e pouco resultado prático do processo.

Discussão vs Ação

Passei muitos anos de minha vida em busca de idéias brilhantes e crente em sua escassez. De uns tempos pra cá, entretanto, percebi que o que nos falta não são ieias, mas capacidade de realização.

Quando se abre as portas da gestão estratégica para a discussão coletiva, o que se busca, nas entrelinhas, é maior apoio para a construção de um mundo novo. Sim, a opinião coletiva é importante mas, muito mais relevante é o apoio braçal para realização de parte do que fora discutido.

Então, críticas sem compromisso em nada contribuem. Não adianta 20 pessoas aparecerem com mil pedras e sugestões de melhorias e pensarem que 3 colegas serão suficientes para implementá-las. Queremos gente que compre a briga conosco e que lute ao nosso lado. Esta é a contrapartida ao direito de voz.

Não é raro ouvir que “aqui nesta empresa, muito se fala, mas pouco se faz” sem que o interlocutor, inadvertidamente, se dê conta que grande parcela do “muito se fala” e da responsabilidade pelo “pouco se faz” está em seu poder. Então, antes de muito propor, verifique sua capacidade de contribuição com a proposta.  E, antes de criticar a pouca realização, examine sua consciência e confirme sua isenção de culpa. Se sua incapacidade de contribuição em ideias está limitada por questão financeiras ou sociais, busque-as, viabilize-as. Se sua contribuição com planos do passado não tem sido expressiva, reinvente-se. Se todo o fardo do desenvolvimento corporativo estiver sobre seus ombros, reivindique! Tudo isso faz parte das responsabilidades cotidianas do chamado “gestor” que agora, quer compartilhá-las com todos.

Há aqueles que acreditem que novas ideias ou modelos de trabalhos só serão implementados se promulgados pela alta gestão do negócio. Nada mais 1.0 a dizer. Esses ainda acreditam no poder e certamente estão alheios aos novos valores da adminsitração moderna que define a autoridade e a liderança como palavras de ordem. A gestão moderna não é uma atividade resumida ao preenchimento de planilhas e acompanhamento de gráficos. É a arte da socialização, da articulação política e da resolução de conflitos.

Portanto, pare de culpar o mundo pelas suas mazelas. Culpe a si mesmo. Busque no alto escalão apoio para a eliminação de obstáculos, e não decretos imperativos de transformação. Faça amigos e influencie pessoas. Desenvolva sua capacidade de convencimento. Seja líder. Seja um empreendedor


Tu te tornas eternamente responsável
por aquilo que cativas.


Como bem já disse o Serge, não basta só a Empresa ser 2.0. É preciso que seu Pessoal também o seja. É preciso que se desenvolva a Aptitude 2.0.

Nota pra mim mesmo: discutir no próximo post como incentivar a Aptitude 2.0.

[]s

O Movimento Agil 2

Posted by Alê! Mon, 13 Apr 2009 16:29:00 GMT

Agilidade em Ilheus Hoje pela manhã eu estava conversando com o colega Paulo Merson e, a certa altura da conversa, ele disse:

“If you’re not having fun, you’re not doing it right.”


Esse dito é perfeito e dá continuidade ao post da Carol. Afinal, por que estava eu, em meio às minhas férias, em plena Itacaré/BA, falando de tecnologia com amigos? Por prazer. Simples assim. E é com este mesmo prazer, que mais logo, também em plenas férias, conversarei sobre tecnologia com os alunos da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus/BA.



“Faça algo que ame e nunca mais trabalhe na vida.”