É meu e ninguém tasca! 3
No post anterior eu falei do nosso fomento à cultura do empreendedorismo, do maior comprometimento e cumplicidade que se cria entre equipes e empresa e a crescente tensão gerada pela redução das diferenças de poder entre todos.
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No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da distribuição de responsabilidades e de lucros, da propriedade do patrimônio em construção e das práticas até então em uso. (…) quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal terá. Quanto mais poder, mais críticos serão. Quanto mais críticos, mais tenso será o ambiente e mais insustentável tornar-se-á a situação, até o ponto em que uma grande decisão há de ser tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e promove-se uma grande revolução interna. |
Obviamente, como bem disse @FabricioBuzeto em
seu comentário,
nenhum dos extremos é uma escolha
inteligente. É óbvio que não vamos
abandonar agora
todo o processo e prol do comodismo fabril 1.0. Por outro lado,
também não parece ser uma descisão
esperta
incentivar a ingerência anárquica e desmedida.
@RicardoFunke foi bem feliz em sua citação.
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Na vida, sempre temos que escolher entre o que é fácil e o que é certo! |
E, neste mar de questões, temos quebrado a cabeça
em
busca de alguma proposta coerente com nossa filosofia e com a
necessidade de sobrevivência empresarial.
Por nossa filosofia, as equipes devem ser autônomas para a
definição dos melhores métodos e
técnicas para seus projetos e acreditamos que essa autonomia
não deve ser dada arbitrariamente, mas conquistada pelo
mérito. Mas, para sobrevivência empresarial, esta
autonomia não deve sobrepor as prioridades financeiras e
estratégicas da empresa.
A questão meritocrática foi discutida no Manifesto 2.0.
Mérito se conquista de diversas formas, mas todas convergem
à confiança.
Disso, fica explícita a grande barreira do empresariado 1.0
em atribuir autonomia a seus times. Se autonomia se conquista por
mérito e mérito é uma
questão de confiança, enquanto não
houver cumplicidade integral entre a alta gestão e os grupos
operacionais, dificilmente haverá a plena
confiança e, logicamente, nunca se estabelecerá o
livre direito às equipes de de fazer e acontecer.
Aos olhos externos, toda essa discussão parece superficial e
muito óbvia de ser resolvida (aliás,
conduzir uma empresa/equipe/família, de uma forma geral,
é muito óbvio até você ter a
sua própria). Mas
pense comigo: um belo dia, você, profissional de sucesso,
resolve abdicar de todas as benesses que o status lhe confere, sair de
sua zona de conforto e iniciar a construção de um
negócio próprio. Imediatamente, seus rendimentos
mensairs serão reduzidos a 50, 30 ou 25% do anterior. Em
pouco tempo, a alegria de não ter chefe
é cedida à cobrança constante e
intensa de seus poucos clientes conquistados a ferro e fogo.
A muito custo e pauladas, o negócio
começa a entrar nos trilhos e você vê um
pequeno ponto luminoso no fim do túnel. Daí,
insurge um movimento que reivindica mais direitos e maior autonomia
para conduzir parte do *seu*
negócio o.O. Pombas, não foi o sangue deles que
escorreu para que sua empresa chegasse até aqui.
Não tiveram o salário reduzido a 1/4 para
garantir a sobrevivência do empreendimento. Por que raios
então que agora chegam, a esta altura do campeonato, e ainda
pedem pra sentar na janelinha? Você, como
empresário, não se sentiria
desconfortável e não ficaria com a pulga
atrás da orelha? Você como mãe ou pai,
não se sentiria insultado se um desconhecido lhe desse
pitacos sob a criação de sua criança
de 6 anos de idade? Exageros e sofismas a parte, acho que é
mais ou menos este o sentimento que paira sob uma mente da maioria dos
donos de empresa.
Voltando à questão, você daria este
voto de confiança a pessoas que não carregaram a
mesma cruz que você? Quais serão suas verdadeiras
expectativas? Será que realmente têm valor a
agregar ao negócio ou não passam de oportunistas
embebedados por ideais comunistas com grande potencial de destruir retroceder
sua empresa? Mantendo a metáfora, uma doméstica
com 6 meses de casa tem ou não autonomia para conduzir a
parte da educação de seus filhos? São
essas as questões que fazem com que as empresas de hoje seja
como são.
Ouvi recentemente um empresário dizendo que não
abre mão do controle de sua área por
não acreditar que outras pessoas terão a mesma
capacidade de gestão que a sua. Ignorando a
prepotência e arrogância, até que faz
sentido. Mas então, como resolver a grande
questão do universo sem rachá-lo ao meio?
Dizer que o poder deve ser igualmente
repartido dentro da empresa, independente de raça, cor,
credo, formação e salário
não vale, pois isso significaria uma mudança de
paradigma tão, mas tão grande, que talvez apenas
0.0001% das empresas do mundo aceitariam fazer. Seria o extremismo que
o @FabricioBuzeto mencionou em seu comentário no post
anterior. Então, como chegar a um meio termo?
[]s
O Colapso 2.0? 7

Que redondo que nada.
O fácil é ser quadrado.
Há muito que tentamos na SEA desenvolver um modelo
diferenciado de gestão, no mínimo, mais divertido
e sustentável que as formas tradicionais que vemos por
aí. O percurso, entretanto, é árduo e,
depois de tantos tropeços, começa-nos a ficar
bastante clara a razão pela qual a grande parte das empresas
optam pelas receitas de sempre, chatas, burocráticas e
quadradas. É muito mais simples.
Já fizemos vários
relatos
aqui
no
blog
de
iniciativas
internas
rumo à Emrpesa
2.0 e até fomos
reconhecidos oficialmente por
algumas dessas investidas. A proposta é de extremo
romantismo e nos custa vários novos cabelos brancos a cada
dia. Para cada nova proposta inovadora de gestão, um mol
de desafios e questões nos saltam à frente a
espera de solução. E, depois de alguns anos
acreditando e insistindo nesta filosofia, percebemos o porquê
de empresas lideradas por pessoas tão modernas renderem-se a
modelos tão antigos, industriais, hierarquizados,
centralizados e de comando e controle.
Talvez um dos nossos principais discursos internos seja o fomento
à atividade
empreendedora (lembrando que
empreendedor é diferente de empresário).
Há bastante tempo atrás lançamos o
primeiro programa interno de
incentivo ao desenvolvimento de idéias pessoais.
Não necessariamente estejamos nos referindo ao modelo
70-20-10 do Google, mas
gostaríamos que o pessoal da SEA pensasse além de
suas rotinas operacionais.
Infelizmente, já faz algum tempo dessa primeira proposta e
até hoje o modelo não se consolidou.
Não sabemos ao certo a verdadeira razão e por
isso viemos a público abrir a discussão na
certeza de que suas consequências terão grande
poder transformador na qualidade de vida de todos nós.
O Colapso 2.0
A filosofia ágil e suas generalizações
e derivações, sob a luz do Manifesto
2.0, sugere a maior
independência e autonomia das equipes de trabalho. Na SEA,
vamos além, promovendo esses atributos
democráticos aos níveis mais
estratégicos da organização. E, para
alegria de uns e tristeza de outros, cada vez mais este processo parece
ser irreversível. Alegria pois é de conhecimento
público desde os estudos
de Maslow, e recentemente reforçado por Asproni,
que os fatores de satisfação
profissional e pessoal não estão essencialmente
fundados nas premiações financeiras, mas em
elementos subjetivos relacionados à
percepção do indivíduo à
sua condição de trabalho, favorecidos pela
manutenção de um ambiente democrático,
fértil ao desenvolvimento e crescimento profissional.
Tristeza pois cada nova liberdade dada aumenta o poder das pessoas no
processo produtivo, tornando a máquina, aos olhos 1.0,
vulnerável a muito mais riscos que outrora.
Quando as pessoas se envolvem num processo de tomada
democrática de decisões e
definição estratégica, de
transparência de todos os ciclos empresariais, de autonomia
dos grupos e de total liberdade de expressão, é
natural sua maior cumplicidade junto à empresa. Para quem
busca maior comprometimento (e não apenas envolvimento) de
seu time, essa é uma receita de mão cheia. Por
conseguinte, quanto maior a cumplicidade, menor é a
extensão vertical da pirâmide organizacional e
maior é o sentimento de igualdade entre todos,
até que se percebe que todos são iguais, mas uns
são mais iguais que outros, e aí
começam os problemas.
No processo de comprometimento crescente das equipes, naturalmente, aos
poucos, desenvolve-se o senso crítico a respeito da
distribuição de responsabilidades e de lucros, da
propriedade do patrimônio em construção
e das práticas até então em uso. E
é aí que eu digo. Ser transparente,
dói. Ser democrático, dói. Tratar
todos com indistinção de [coloqueaquitudooqueestiverprevistono_Art.3oda_constrituição]
mais formação profissional e cargo na empresa,
é um sofrimento. Abre-se margem para as mais severas
críticas e questionamentos sobre tudo aquilo até
então estabelecido. E você, gestor 2.0, deve estar
totalmente disposto a ouvir e discutir.
Acontece, no entando, que o modelo começa a tender ao
colapso. Pois, quanto mais 2.0 a empresa for, mais poder seu pessoal
terá. Quanto mais poder, mais críticos
serão. Quanto mais críticos, mais tenso
será o ambiente e mais insustentável
tornar-se-á a situação, até
o ponto em que uma grande decisão há de ser
tomada: corta-se as asinhas assanhadas de todos e retorna-se ao estilo
padrão de empresa, ou acata-se a todos os bombardeios e
promove-se uma grande revolução interna.
Você, como empresário, que tanto suou pra chegar
até aqui, o que faria?

[]s
