Card-Sorting - Uma boa forma de organizar o conteúdo 4
Muito se ouve sobre Arquitetura de Informação (AI) e Design no meio tecnológico, mas pouco se entende sobre eles.
Esse termo AI, tem duas vertentes: uma filosófica que busca as estruturas da informação no meio social e psicológico, e outra que se ocupa com as estruturas aplicadas aos meios de comunicação e divulgação da informação.
A segunda vertente aparece principalmente quando se trata de desenvolvimento de softwares, mas não é claro como essa disciplina é aplicada na obtenção do melhor resultado para o usuário final.
No momento não vou expor todos os conceitos sobre esse assunto, mas prometo voltar em breve com mais explicações.
Agora vou mostrar a utilização de uma das dinâmicas usada para se obter uma boa AI em uma Intranet, o Card-Sorting.
O Card-Sorting é uma técnica usado para descobrir a classificação da informação a partir do ponto de vista dos usuários. Com ele o Arquiteto de Informação consegue obter uma visão de como o usuário organiza e distribui a informação em sua mente.
O funcionamento básico desse método consiste em levantar as informações essenciais que podem ser usadas pelo usuário em um determinado contexto, distribuir essas informações em cartões e propor para os usuários que organizem esses dados conforme seu entendimento.
Para auxiliar a dinâmica, devem ser apresentados alguns cartões com propostas de categorias para as informações, assim o usuário pode ter uma idéia de como agrupar o conteúdo apresentado, é bom deixar disponíveis alguns cartões em branco para que eles escrevam novos agrupamentos ou insiram novas informações ao seu conteúdo.
Este método pode variar um pouco, exemplo: se não soubermos ao certo qual o conteúdo que deve ser apresentado, podemos ter um momento de sugestões, sendo que cada sugestão vai sendo anotado nos cartões que deverão ser agrupados e organizados.
Os agrupamentos geralmente obedecem as seguintes definições: agrupamento por similaridade ou por contexto de uso.
A organização do agrupamento pode adotar o grau de importância ou ordenação alfabética.
Em um dos projetos da SEA no governo do Distrito Federal, realizamos um Card-Sorting para organizar as informações contidas na atual Intranet da instituição. Levantamos 77 itens de conteúdo que estavam organizados em 10 categorias, na estrutura do cliente.
Existia uma grande dificuldade por parte deles em organizar essa quantidade de conteúdo.
As maiores dificuldades eram que alguns dos 77 itens eram desconhecidos pelos participantes e parte das informações não era atualizada a mais de 3 anos.
Para a realização do Card-Sorting, foi disponibilizado alguns cartões em branco para a criação de novas categorias e a inserção de novo conteúdo.
A princípio, não alterei nada do que eles já tinham, coloquei na dinâmica as informações desconhecidas e desatualizadas, pois gostaria de observar como lidariam com essas dados.
Com tudo pronto, comecei explicando as regras e colocando na mesa todas as informações levantadas. A parti desse ponto eu procurei não interferir, só quando era chamado.
Em um processo empírico, eles perceberam que ali tinha muita informação duplicada, sem valor e desconhecida. Eles procuraram identificar todas as informações, pesquisaram as mesmas dentro da organização ligando para pessoas que poderiam ajuda-los a entender as informações desconhecidas.
Enfim, eliminaram do processo cerca de 24 itens, e no decorrer da brincadeira, eliminaram algumas categorias e alteraram os nomes de outras.
Aplicaram palavras e entendimentos já correntes na cultura interna da instituição, alteraram a ordem de apresentação do conteúdo e identificaram os valores aplicados a cada tipo de agrupamento, os ordenando por grau de importância.
O resultado final da nova estrutura apresentou 43 itens de conteúdo distribuído em 6 categorias, sendo que 10 itens foram organizados para serem apresentados na primeira página. Para ajuda-los eu estruturei um Wireframe, onde eles distribuíram esses 10 itens de forma consciente na tela.
O resultado foi sensacional.
Contando um pouco mais sobre minha experiência, essa foi a primeira vez que obtive uma participação tão dedicada dos interessados, acredito que foi devido a maturidade do cliente em relação ao seu problema, e o conhecimento fornecido por mim sobre a importância de se aplicar métodos de estruturação e organização do conteúdo.
Hoje eu posso garantir que eles entendem muito mais sua estrutura de informação, como ela funciona e quais são suas principais características. Podem alterar e evoluir a arquitetura sem muita dificuldade.
Até os próximos tópicos:
- Arquitetura da Informação no âmbito filosófico;
- O que é, e como podemos montar um Wireframe;
- Design aplicado a sistemas informatizados (Softwares);