Case Encceja: Projeto de nível nacional no governo utilizando Agile
Olá pessoal,
Vou aproveitar a entresafra bloguística do pessoal pra deixar uma notinha.

No começo de outubro, publiquei no Blog da Visão Ágil um artigo sobre uma consultoria de Agile que demos no INEP para desenvolvimento do Encceja.

Foi uma experiência muito interessante pra gente, além de considerar um marco muito importante para as metodologias ágeis no Brasil, pois se trata de um projeto de nível nacional e no governo! (Além de outras coisas, como ter utilizado um servidor de aplicação feito em Software Livre).
Espanta um monte de crenças e preconceitos a respeito de Agile.
Leia o artigo na íntegra aqui.
Ah, e pra quem ainda não leu sobre nossa Saga na Aeronáutica,apresentada no Falando em Agile, o Case Sigadaer descrito em maiores detalhes aqui.
Grande abraço, [ ]
Willi
Construindo um Brasil Melhor: Lançamento do Scrum e XP Direto das Trincheiras 7
Me lembrei da história de um cara que visitou uma enorme construção e perguntou a um operário o que ele estava fazendo. Ele respondeu que estava assentando tijolos. Perguntou pra outro e esse respondeu que estava levantando uma parede. Perguntou a mesma coisa a um terceiro, que estava fazendo a mesma coisa que os outros dois, e ele disse que estava construindo uma catedral.
É nesse sentido que coloquei no título o “Construindo um Brasil Melhor”.
Muita gente pode achar que o que fizemos foi só uma tradução de um livro, mas acredito que estamos fazendo mais que isso.
Estamos favorecendo a popularização das metodologias ágeis. Com isso, favorecemos a produção de mais software de qualidade, a compreensão dos prejuízos causados por contratos de escopo fechado, deixando melhores legados para nossos colegas, diminuindo os tantos sistemas inteiros que são jogados no lixo todo ano para serem refeitos por fortunas cada vez maiores, fazendo com que os recursos sejam melhor utilizados, ajudando o país a enriquecer de uma forma sustentável, para gerar mais impostos, para sobrar mais dinheiro pra educação, pro povo aprender a ter senso crítico, pra votar melhor, pra daqui a um bom tempo ocorrer uma limpeza real no nosso sistema e o Brasil ser um país melhor pra todos nossos tataranetos.
Viajei? Se deixar chego até a contribuição para a diminuição do aquecimento global! :)
Mas toda essa jornada começa com um simples passo, e esse passo foi dado por 30 pessoas que ao melhor estilo bazar construíram a catedral.
Não me lembro quando a idéia apareceu, mas apareceu depois de terminarmos de traduzir as tirinhas do Why’s Poignant Guide to Ruby. Mandei um e-mail pro Henrik Kniberg com a idéia de traduzir o livro pra português, depois de um tempo ele me respondeu topando, e em seguida mandou o livro em formato editável. Dividi o livro em 114 pequenos pedaços, e dia 16/07/08 lançamos um post convocando nossos leitores e a galera da comunidade no Brasil, e explicando o procedimento. No mesmo dia, três pessoas já apareceram. Pra gente já foi uma vitória. Quem poderia imaginar que ao total iriam aparecer 30? São eles:
- Acyr José Tedeschi
- Adam Victor Brandizzi
- Alexandre Gomes
- Álvaro Maia
- Bruno Pedroso
- Cássio Marques
- Daniel Wildt
- Eduardo Bobsin Machado, que traduziu todas as imagens
- Emanoel Tadeu da Silva Freitas
- Fernanda Stringassi de Oliveira
- Francisco M. Soares Nt.
- Gustavo Grillo
- Ian Gallina, cuja mãe ajudou na revisão do português
- Israel Rodrigo Faria
- José Inácio Serafini
- Juliana Berossa Steffen
- Marcos Machado
- Marcos Vinícius Guimarães
- Mauricio Vieira
- Pablo Nunes Alves
- Rafael Benevides
- Rafael Recalde Caceres
- Renato Willi
- Rodrigo Palhano
- Rodrigo Russo
- Taiza Sousa
- Victor Hugo Germano
- Vinícius Assef
Em 21 dias, mais de 150 e-mails depois, a idéia virou realidade. Todo o livro já estava traduzido, dia 07/08. Cada pedaço levou em média 2,22 dias pra ser traduzido. No total, entre tradução e revisão, levamos apenas 1 mês e 1 semana. O Cássio Marques e Vinícius Assef juntos traduziram quase 50% dos pedaços.
Parabéns novamente a todos. Foi um trabalho excepcional. Comemorem!!!
Convencer, ensinar, vender… são todos processos internos (acontecem no espaço entre 2 orelhas). Teremos muito mais sucesso se agirmos no sentido de motivar as pessoas para que se convençam, motivar pra que aprendam ou para que comprem alguma coisa. Parece apenas um jogo de palavras, mas a idéia por trás é bastante forte! Apenas 2,5% da população é de pessoas inovadoras, que são naturalmente ávidos por mudança e não têm aversão ao risco. Quer dizer que de cada 100 chefes que você tentar convencer, só 2 irão te dar ouvidos.
Os demais irão agir provavelmente assim:
Se você riu é porque já passou por isso. Eu tive uma crise de riso! :)
Vejam que um dos padrões para introduzir novas idéias é plantar sementes.
Eis a semente!
[ ]
Willi
SOA na InfoQ 4
De Votuporanga, zarpamos para São Paulo (com breve escala em São José do Rio Preto), onde participaríamos, em 01/11/2008, do InfoQ Launch Meeting, apresentando as tendências de conteúdo para a queue de SOA do portal.
De quebra, até participei de um painel de discussão sobre plataformas distribuídas, no qual não defendi nem o Java, nem o .NET e nem o Rails. Muito pelo contrário!
Alguns amigos já andaram falando por aí sobre o evento. Confiram nos blogs de Edgar Silva e do Victor Hugo (quem mais?), no Twitter e na mensagem do Manoel Pimentel.
E fique ligado no infoq.com/br que em breve os vídeos das palestras começarão a ser disponibilizados.
[]s
Nasce um novo dojo! 11
Idéia: “sinônimo de conceito ou, num sentido mais lato, como expressão que traz implícita uma presença de intencionalidade.” Tudo isso aconteceu quando participei pela primeira vez do dojo-sea. Era incrível como um ambiente descontraído conseguia gerar tantas discussões e conhecimento. Eu tinha que tentar essa idéia, afinal outras pessoas também mereciam aquela oportunidade.
Em uma conversa com o Willi discutimos sobre dojo, sea, eu, ele, a sala… E ele disse que seria muito interessante a criação de outro dojo, replicar o que é bom é bom…
Fiquei muito empolgado com a idéia, porém seguir pelo caminho do “novo” é difícil, sala vazia pra mim. =[

Mas desanimar pra que? Não tava perdendo nada, continuei com o projeto e com orgulho apresento para vocês o dojo-brasilia, que pode ser acessado aqui com código aqui.
Estamos com pouca infra-estrutura, mas isso está mudando. O post do Bruno sobre dojo já diz tudo sobre a motivação e a metodologia. Adaptamos algumas coisas para testar mas no geral seguimos o mesmo padrão.

Ainda não temos projetor, como na SEA, mas serve o quadro? O pessoal já aprovou a idéia e ganhamos reforços a cada dia. Começamos a utilizar o infinitest para que os testes rodem automaticamente quando um código for salvo, isso da mais dinamicidade ao desenvolvimento.

Mudamos um pouco a forma de discutir no final do dojo…

Mas o resultado foi bem interessante…

Acredito que o dojo seja uma forma muito interessante e inovadora de praticar e estudar. Que venham os dojos!
O que estamos fazendo? Entre no grupo e confira!
Empreendedorismo em Votuporanga 1
Conforme anunciado no post Gestão heurística, ágil e premiada, seguem slides da apresentação que fizemos em 31/10/2008 no Encontro Regional de Empreendedorismo em Votuporanga/SP.
[]s
Falando de quem Falou no Falando em Agile 2008 4
Estamos de volta a Brasília muito satisfeitos com o resultado de nossa visita à cidade grande, ara… Foi um prazer conhecer pessoalmente o pessoal da comunidade, muitas pessoas com quem aprendemos bastante e cujos passos temos acompanhado no aprendizado e divulgação das metodologias ágeis.
Ficamos satisfeitos em saber que cada vez mais pessoas estão se convencendo sobre as vantagens do uso delas, e todos temos muito a ganhar com isso. Nos projetos que participamos por aqui, temos uma obrigação a mais em relação à qualidade e aos resultados, pois quem os pagam somos todos nós!
Falando do evento, nada como deixar aqui a referência para as opiniões mais espontâneas e imparciais do evento, que foram feitas via twitter. Aliás, achei muito legal os diversos meios em que pudemos acompanhar os eventos que participamos via IRC, twitter (ó o meu), blogs, tudo ao mesmo tempo ao vivo. Esse feedback é muito importante pra gente. Obrigado.
Sobre nossa apresentação, usamos uma abordagem diferente dos posts daqui do blog, onde contamos em maiores detalhes o case no dia-a-dia (quem ainda não leu, leia – comlementa a apresentação). Além disso, pudemos contar com a participação do cliente! O Ten. Souto. Todos lamentaram ele não ter vindo fardado. (Dá um tempo pra ele, né gente! :)
Começamos com o Ten. Souto apresentando o que é projeto, depois as dificuldades culturais na Aeronáutica, que é Militar, tem hierarquia rígida, e é governo, tem que contratar por licitação (Lei 8666). Em seguida o Alê falou da dificuldade cultural também presente na SEA, que vem de uma cultura RUP (reparem no gráfico das baleias!) + MPS.Br + PMI.
Então, apresentei as argumentações que foram usadas pra Aeronáutica se sentir segura pra acreditar nas práticas que estávamos propondo. Acho que muita gente não entendeu o slide “Gerente + Coach”, você entendeu? ;)
Na seqüência, o Bruno apresentou as práticas que foram adotadas no projeto e a evolução de algumas delas ao longo do tempo, além de algumas curiosidades sobre o ambiente militar. Por fim, fizemos uma retrospectiva do projeto, com um balanço dos pontos negativos e positivos do projeto. Fizemos questão que o Souto contasse sem censura os podres do projeto pra que todos possamos aprender com isso, afinal, não é de aprendizado e melhoria contínua que falamos o tempo todo?
Nem me atrevo a falar das outras apresentações. Estão muito bem descritas nos blogs dos participantes e demais palestrantes. Vou deixar aqui as referências pr vocês curtirem. Vale à pena:
Esses 2 ajudaram na tradução do Scrum and XP from the Treches, que será disponibilizado dia 01/11 na estréa do site da InfoQ.
- O Relato caprichado sobre o evento do André Faria Gomes;
- E mais um e outro do André Pantalião Ferreira e mais esse aqui;
- Um case parecido com o nosso, mas em proporções GLOBAIS do Danilo Bardusco, uma das apresentações favoritas da galera;
- E o colega dele: Guilherme Chapiewski;
- E do ex colega deles: Antonio Carlos Silveira, hoje na Yahoo;
- E pra saber mais sobre padrões de Daniel Cukier, da Locaweb.
É isso! Talvez até tenha mais coisa por aí. Se ficar sabendo, deixe nos comentários!
[]s Willi
Gestão heurística, ágil e premiada 1
Diz o dito popular que a unanimidade é burra. Outro, bem clichê por sinal, diz que se você segue o caminho que todos seguem, chegará não mais que onde todos chegaram.
No livro (e filme) Uma mente brilhante, de Sylvia Nasar, a história (verídica) de John Nash mostra bem isso. Nash, Nobel de Economia, não gostava de assistir aulas. Por ele, seguir o raciocínio dos mestres podaria-lhe a criatividade, levando-o às mesmas interpretações, dificuldades e limitações. Por isso, gostava de descobrir tudo por conta própria. O modelo mais heurístico possível. Ele acreditava que assim poderia ir mais longe.
Na SEA, o que inicialmente nos parecia uma grande fraqueza, se tornou, com o tempo, um dos nossos maiores diferenciais. A empresa começou sem qualquer capacitação administrativa. Sentíamos muito medo disso. Sem conhecer as seculares teorias de Fayol, Taylor et. al., certamente estaríamos condenados e engrossaríamos logo as estatísticas de mortalidade empresarial do SEBRAE. Entretanto, os fatos nos demonstrou outra faceta da situação. Como não conhecíamos nenhum modelo tradicional, consolidado e sólido de gestão, acabamos desenvolvendo o nosso próprio jeito de trabalhar, extremamente inspirado pela filosofia new-school e integralmente baseado em tentativas e erros.
Ninguém descorda de que a empresa parecia o caos, até que em 2006, de forma totalmente inexperada, fomos surpreendidos com o Prêmio Êxito Empresarial, na categoria de prestadores de serviços, concedido pelo SEBRAE e parceiros.

Segundo notícia de lançamento do Prêmio,
"As cinco empresas vencedoras, uma em cada categoria (indústria, comércio, serviços, agronegócio/rural e empreendedorismo social), serão as que se destacarem por uma melhor abordagem dos critérios considerados na avaliação, que são: liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimentos, pessoas e processos, pondo em prática medidas que garantem o sucesso dos seus empreendimentos no mercado."

Depois deste feito, passamos a observar com mais carinho tudo o que tínhamos feito até então. Na prática, estávamos nada mais nada menos do que trazendo para o mundo administrativo conceitos da comunidade de software livre, da filosofia ágil e dos princípios lean.
Hoje, falamos disso aos quatro ventos. A última ocasião foi no Encontro Nacional de Empreendedores Juniores, onde tivemos um caloroso feedback. Já a próxima apresentação será em Votuporanga, no Congresso Regional de Empreendedorismo. Clique no convite abaixo para mais detalhes.

Definitivamente, o caminho pro sucesso não é necessariamente único.
Se quiser saber mais, deixe-nos um comentário.
[]s
Agile no XIII Workshop de Tenologia da Informação
Nem falamos ainda das nossas impressões do Falando em Agile, mas já vamos falar em Agile de novo.
Nesta semana, dias 30 e 31 de outubro, será realizado na Católica o XIII Workshop de Tecnologia da Informação. Diversos temas serão discutidos, eu e o Bruno estaremos lá pra trocar idéias e apresentar: "O Pensamento Ágil", que foi a primeira apresentação do Maré de Agilidade. Foi muito legal mas muita gente perdeu por ter sido no sábado de manhã. Então, não percam essa nova oportunidade!
Vejam a programação completa no site da Universa e no folder abaixo:

[]s Willi
A agilidade está no ar! 2

Depois do #RailsSummit, voltaremos nesta semana à São Paulo para participar do evento FalandoEmAgile, promovido pela Caelum, onde apresentaremos o caso de sucesso de uso de práticas ágeis na Força Aérea Brasileira. Segue resumo da apresentação:
É com grande satisfação que apresentamos o sucesso obtido na utilização de práticas ágeis na Força Aérea Brasileira. De todos impedimentos à implantação de métodos ágeis, as barreiras social e cultural são, sem dúvida, os maiores obstáculos a serem vencidos. Em nossa história, poucos pontos favoreceram a quebra do tradicional paradigma de desenvolvimento de software. De um lado, uma empresa nascida de uma parceria Rational, com anos de experiência na implantação de processo unificado. Do outro, um órgão militar, tradicionalmente conservador, burocrático, procedimentalizado, "RUPeiro" e regido pela Lei 8.666, que normatiza de maneira inflexível toda aquisição e contratos da Administração Pública.
Apresentaremos as dificuldades enfrentadas desde a licitação até hoje, o processo de convencimento, detalhes técnicos da utilização de Scrum e XP e o balanço final da empreitada, sempre com testemunhos de todas as partes envolvidas: o oficial militar responsável pelo projeto, o diretor técnico da empresa executora do projeto e seus gestores e técnicos responsáveis pela operacionalização da proposta.

Serão dois dias de evento (23 e 24/10) recheados de novidades e com a participação das grandes cabeças brasileiras no assunto. Vejam abaixo a programação completa. Nos vemos por lá!
Programação
A nova escola da TI 4
Muita gente acha que tenho ficado louco. Depois de 10 anos falando de tecnologia, passei, recentemente, a falar apenas de filosofia. Parece efeito de drogas pesadas, mas eu explico.
Ultimamente, na SEA, temos discutido muito a respeito de novos modelos da indústria de TI e, após já alguns meses de discussões, percebemos claramente dois momentos históricos distintos que internamente batizamos de a velha e a nova escola de TI.
The Old School
Old school diz respeito ao modelo de pensamento que predominou na indústria nos primeiros anos desse milênio, talvez até 2006 (+/- 1). Trata-se da época de ouro do J2EE, dos servidores de aplicação monstruosos (à la SAP), das super-arquiteturas de software (aliás, dos milionários arquitetos de software), da overengineering em geral, dos modelos rígidos, proteccionistas, formais e burocráticos de gestão e desenvolviento, a época do RUP, do PMBok, do MPS.br and so forth.
O profissional predominante dessa época em muito se assemelhava a um jazzista. Caras finos, de cultura erudita, pensamento rebuscado e sempre em busca do belo, sem muita preocupação com a satisfação da grande massa consumidora.

A New School
Por new school, em contrapartida, entendemos como sendo uma nova onda de pensamento e valores que, se observada mais ao longe, é facilmente percebida em vários domínios do conhecimento, não apenas na tecnologia.
Falamos aqui da preocupação constante com o retorno do investimento dos clientes, com a simplicidade das soluções a com o desenvolvimento sustentável, a busca pela colaboração e compromisso de todos, os modelos lean, a qualidade inegociável, a valorização do ser humano e toda a filosofia ágil.
Esta nova geração de profissionais é como o chorista. Não menos qualificado tecnicamente que o jazzista, mas muito mais interessado na satisfação do público comum, amante do samba e outros ritmos populares.
#RailsSummit
Não só a SEA tem sentido este momento de transição que o mundo está vivendo, mas também as comunidades técnicas. Algumas, mais maduras que outras mas, no geral, todas em busca de um espaço na nova escola da TI.
Semana passada, estivemos eu, Brunão e Willi, no #RailsSummit, o primeiro evento (inter)nacional de RubyOnRails realizado no Brasil. Não é segredo que tenho raízes profundas na comunidade Java, mas fui "praveradequalé"; e gostei do que vi.
Não, não estou falando que me apaixonei pelo Rails. Isso é papo tecnológico, e eu não tô nem aí pra isso. Não neste post. Gostei mesmo foi da cabeça da pessoas que lá estavam, da filosofia coletiva.
Nunca tinha visto, em um evento tão específico uma abordagem tão ampla, muito mais baseada em valores do que em tecnologia. Eu chutaria que 50% do evento não foi sobre Rails. Além da tecnologia em si, discutiu-se muito sobre a filosofia em questão, empreendedorismo e testes, testes, testes… Adorei isso! A impressão que me deu é que a grande bandeira desta comunidade não é a tecnologia em si, mas os princípios em que acreditam. As tecnologias Ruby e Rails seriam apenas a melhor forma que encontraram para defender seus ideais.
Vou falar do que assisti. Tudo começou com Chad Fowler, falando basicamente da importância de se fazer aquilo que se ama (já discutido em outro post). Ele é músico de formação e Railer por opção. Akita deu uma introdução ao mundo RoR que me caiu como um luva. Não consegui ficar até o final da palestra do Carlos Brando, por causa do calor, mas até o ponto que fiquei, ele falava do duelo entre especialistas e generalistas (outro assunto que tá na minha pauta). Chris Wanstrath, apesar de ter feito um discurso, e não uma palestra, mostrou-se um grande conhecedor da história da computação.
Ao final do primeiro dia, rolou uma espécie de unconference, onde qualquer um poderia falar do que quisesse e, por incrível que pareça, a maioria não falou sobre Rails especificamente. Teve gente que mandou tão bem que virou popstar literalmente da noite pro dia :-).
No dia seguinte, os assuntos predominantes foram testes de software e empreendedorismo. Manoel Lemos, antigo colega do mundo Java, inspirou todos contando sua trajetória com o blogblogs.com.br. Vinícius Teles, o cara da ImproveIt, com um modelo de apresentação nada convencional, deu uma aula de motivação e sucesso. Danilo Sato ratificou a qualidade de seu blog ao falar sobre testes. Fábio Kung, instrutor da empresa Caelum, do amigo Paulo Silveira, mostrou-se um excelente palestrante ao falar do JRuby. E, por fim, Obie Fernandez, contou um pouco do way-of-life de sua empresa (a propósito, já conhece o SEA’s way of life?), que também serviu de inspiração pra muita gente.
Além dessa preocupação incomum com assuntos satélites à tecnologia, a comuindade Rails me impressionou em dois outros sentidos.
Primeiro, a interatividade online da comunidade durante o evento, coisa que eu nunca vi em qualquer evento Java. Pelo IRC, Twitter e blogs, a turma trocou informações instantâneas sobre tudo o que estava rolando. E, graças à agregação realizada pelo blogblogs.com.br, foi possível conhecer o assunto de todas as salas acompanhados da opinião crítica dos que lá estavam. Até novos projetos foram criados, compartilhados e evoluídos durante os dois dias de evento :-P
Segundo, o estilo das apresentações, sempre fora da tradicional estrutura hierárquica de tópicos. A maioria sabe o tanto que eu me interesso por este assunto. Parece que "Presentation Zen" e "The back of the napkin" são livros de cabeceira dessa comunidade. Muito massa.
Um ótimo resumo de todo o evento foi publicado aqui.
Meus parabéns ao Fábio Akita (o Bruno Souza da comunidade Rails) pela coragem e perseverança pra realização do evento. Sabemos bem das dificuldades. Não tenho dúvidas que a comunidade técnica do Brasil acaba de ser presenteada com mais um encontro de qualidade e que tem tudo para se tornar tradição no meio.
Mas afinal, Rails escala ou não? :-P
[]s
