Como o JBoss reaqueceu a economia brasiliense
Está na hora de desovar uma série de posts sobre JBoss que há muito orbitam em minhas idéias. Vou começar por um discurso que eu repito em várias ocasiões e que acho que está na hora de ficar registrado para a prosperidade.
Todo mundo já deve ter ouvido falar dos altos e baixos da tecnologia Java. No lançamento da plataforma J2EE (+/- 2000), houve o boom. Passados uns anos, fracassos em massa em projetos críticos e a crise dos EJBs. Rod Johnson então põe ainda mais lenha na fogueira com o lançamendo de seu livro J2EE Development Without EJB. Por algum tempo a tecnologia ficou em cheque no mercado (boom do Spring), até que a comunidade resolveu reoxigená-la (JPA, EJB3…). De lá pra cá, a plataforma sofreu grandes ajustes e retoma, gradativamente, sua moral sem, entretanto, o mesmo glamour e frisson de outrora, tendo que brigar agora com concorrentes emersos de sua depressão (Ruby, Python, PHP…).

No lado dos fabricantes de servidores de aplicação J2EE, a mesma história se refletiu. O início do século representou a corrida atrás do ouro e dezenas de empresas entraram na briga dos servidores J2EE. Na metade da primeira década, fracassos de projetos, frustrações tecnológicas e a seleção natural das espécies. Vários produtos de mercado desapareceram. Na sequência, houve a reoxigenação da tecnologia e a establização dos mercados. Quem tinha que adotar J2EE como plataforma de desenvolvimento, adotou. Quem tinha que definir seus servidores de aplicação, definiu. Daí, observa-se a segmentação do mercado entre 4 principais players (Brasília/DF): IBM com Websphere, BEA com Weblogic, Oracle com OAS e Sun com SunONE.
Nesta época, o mundo já conhecia o servidor de aplicações J2EE livre JBoss que, apesar de amplamente respeitado pela comunidade tinha, na esfera pública federal de Brasília, adoção limitada a ambientes de teste ou desenvolvimento. Entretanto, em 2006, após a aquisição do JBoss pela RedHat, e seu consequente estabelecimento operacional em terras brasilis, em Abril de 2007, as bases estabelecidas do mercado brasiliense de servidores de aplicações começaram a ruim.
Curioso ou não, a partir do momento em que alguém se apresentou na Esplanada como representante oficial (e legal) do servidor cuja pressão pela adoção era gerada a partir dos níveis mais baixos da produção e não por articulações político-comerciais de alto escalão, observou-se no cenário brasiliense um processo de migração em massa de órgãos já estabelecidos em produtos proprietários para a solução livre agora da RedHat.
Com um modelo de negócio baseado em venda de contratos de subscrição, em pouco mais de um ano o servidor de aplicações livre JBoss tem se tornado em Brasília uma das principais plataformas Java de produção, já com vários casos de sucesso divulgados na blogosfera. Neste modelo, muito recorrente no mundo do software livre, o cliente possui todo conforto e autonomia para a tomada de decisões, além de se permitir errar sem grandes prejuízos. Com o recurso necessário para custeio de uma licença proprietária sustenta-se anos de um contrato de subscrição com direito a suporte, acesso imediato aos últimos bug fixes, patches, notícias relevantes e fórum direto com os core developers da tecnologia. E, além do esperado suporte ao servidor de aplicações, todos os projetos desenvolvidos sob a marca JBoss são passíveis de suporte corporativo da RedHat.
Assim como seu sistema operacional, a RedHat manteve todo o código livre e o desenvolvimento do servidor de aplicações sob a dinâmica da comunidade open source. E, assim como o RHEL está para o Fedora, assim está o JBoss.EAP para o JBoss.ORG.

A vinda da RedHat/JBoss para o Brasil reaqueceu um mercado que há muito hibernava. Em sua curta história sob as asas da RedHat, o produto tem adquirido forma de gente grande, com adornos que não deixam a desejar a nenhuma das soluções-proprietárias-intergaláticas-com-promessas-mil. Evoluções recentes, entretanto, o posicionam além do crescimento tradicional de mercado. Discutiremo-las em outra ocasião. A quem estiver neste mercado corporativo, sugiro ficarem antenados.
[]s