Impressões sobre o JavaOne 2008 1
Em Maio aconteceu a edição 2008 do JavaOne, conferência internacional sobre a tecnologia Java, da qual tive o prazer de participar pela 3a vez.
Muita gente tem me perguntado se o evento foi bom, quais foram as novidades e os grandes anúncios. Deixa então eu passar a minha visão de JavaOne, para que todos entendam o porquê de eu ainda insistir neste contexto aparentemente estagnado.
O mais importante que todos saibam é que o JavaOne não constitui-se apenas de palestras concentradas em 4 dias. Esses 4 dias na verdade funcionam como um pivô para uma série de encontros, confraternizações e discussões satélites lideradas por iniciativas independentes. É esta é a parte legal que justifica, IMHO, a viagem à California (além da própria Califórnia, claro).
Já no sábado antes do JavaOne, ocorreu a reunião anual dos líderes do portal java.net, para discussão de seu passado, presente e futuro. Teria sido uma discussão interessante, não fosse sua recorrência carente de resultados ano após ano. Em resumo, todos estão chateados com a plataforma operacional do portal (CollabNet) e pensam em substitui-la por alguma outra coisa.

No domingo, eu, Fabi, Bruno, Maltron e Flip passamos o dia degustando vinho na região próxima à San Francisco. Parece programa de turista, mas já nesse dia várias discussões abertas sobre grupos de usuários e comunidade em geral já vinham à tona. Particularmente, sou da opinião de que "reuniões" nesses moldes geram ações muito mais criativas que as tradicionais conference calls.

Segunda-feira foi dia de CommunityOne. Um mini-evento exclusivo para discussão de tecnologias Sun (OpenSparc, OpenSolaris, Glassfish, Netbeans e OpenJDK, PhoneME…). Como o evento já é realizado dentro do Moscone Center, palco principal do JavaOne, já dá pra se ter uma noção de sua dimensão.

Da terça até a sexta-feira, foi o JavaOne, cujo slogan neste ano foi "Java+You".

Em resumo, a mensagem que a Sun quis passar é a de que a Tecnologia Java não foi criada exclusivamente para grandes corporações como bancos, tribunais e sites de comércio eletrônico, mas também para você, cidadão comum, não necessariamente tecnólogo. No geral, apesar de todo o barulho que se faz em torno da plataforma JEE, é preciso lembrar a todos que a tecnologia Java pode estar presente nos objetos mais ordinários do nosso cotidiano. Nas palavras do anfitrião dos keynotes, "Java, it’s all about you". E eu concordo plenamente. Na verdade, até generalizaria ainda mais esta afirmação, pois acredito que a computação em geral "is all about us".

Pra mim, só essa temática que deram ao evento já teria valido a pena. Como pesquisador associado à Universidade de Brasília, com trabalhos sobre ubiquitous computing, o discurso de uma grande multinacional de pulverização e democratização da computação para seu uso imperceptível e diário alimenta a motivação para pesquisas e desenvolvimento de tecnologias que colaboram para concretização dos cenários de smart-spaces. É isso que temos feito há cerca de 1 ano no UnBiquitous. Um dia ainda falo só disso aqui.

Outra linha recorrente do discurso do JavaOne foi a distinção constante entre Java Platform e Java Language. A linguagem Java, com seus frameworks tradicionalíssimos, tem sofrido constante cheque por tecnologias emergentes. A plataforma, por outro lado, tem servido de base para corporativização dessas mesmas tecnologias. Isso também é papo para outro blog.
A palestra realizada por mim, Jeanfrançois Arcand e Ted Goddard gerou ótimas impressões. Muita gente veio conversar conosco ao final atrás de mais informações. O título da apresentação foi Writing Real-time Applications Using Google Web Toolkit and Comet. O PDF tá disponível aqui.

Por fim, a grande razão que me motiva a participar e colaborar em várias comunidades tecnológicas: PESSOAS. No fim das contas, pouco importa a tecnologia que você usa, o processo adotado ou a metodologia de trabalho em prática se não houver PESSOAS, e não pessoas, no jogo.

O JavaOne pode não ter trazido grandes anúncios. A tecnologia Java pode não apresentar os mesmos índices de crescimento de outrora. Entretanto, ainda sim vale *muito* a pena participar de encontros como esses se se busca o relacionamento humano. Eu sempre digo que aprendizado é uma tarefa contínua e indisciplinada. Não é preciso sentar 8hs por dia em uma biblioteca para aprender. Aprende-se a todo momento e a toda hora. Basta estar atento.Estar rodeado das cabeças que lideram a tecnologia falando disso a todo momento, ainda que de modo informal, traz-nos um desenvolvimento técnico e pessoal que nenhuma faculdade conseguiria reproduzir. Trata-se de uma imersão cultural na qual respira-se tecnologia. Mesmo durante os jantares e outras confraternizações, entre um gole e outro, há um intercâmbio de experiências e conhecimento fantástico. Relaciona-se com gente do mundo inteiro, aprofunda-se o contato com líderes da comunidade do seu país e, o como resultado, abre-se portas, muitas portas.
Quem quiser ter uma noção do que passamos por lá, publiquei dois álbuns com fotos do evento que chamei, respectivamente, de visão tradicional e visão pessoal do JavaOne.


Sugiro que quem tiver a oportunidade, aproveite-a. Seja no JavaOne, Javapolis, Jazoon, JustJava, FISL, RailsConf, PyConf….. Não importa. Em todo lugar, tem gente boa. Em todo lugar, prevalece o espírito colaborativo. Sempre há oportunidades esperando por nós. Basta estarmos aptos a aproveitá-las. Tudo depende de você. It’s all about us.
Pô Alexandre, muito bom esse post. Conseguiu passar bem o espiríto da coisa… Abraço