A Rede Σ 23
Desculpem o texto longo. Precisava dizer tudo o que tinha que ser dito. Sinto-me melhor agora… :-)
Abstract
Acho que todo mundo sabe o quão bem vista a comunidade técnica brasileira é no exterior, né? Nossa capacidade de mobilização, organização e motivação não se compara com nenhum outro canto do mundo. Vindo do mundo Java, acompanhei de perto a evolução dos Java Users Groups e sei bem o quão maduros somos quando comparados a JUGs de outros países. No entanto, ainda não entendi por que nós, técnicos, ainda não refletimos o mesmo nível de maturidade nos negócios. Já que somos tão bons em fazermos coisas juntas, por que raios este mesmo potencial não é usado para geração de negócios, riquezas, empregos e bem estar social? Este post, deveras longo, discute este assunto e faz a proposta de um novo modelo de empreendedorismo, sustentado por princípios de soberania, confiança e propsperidade. Boa leitura.
Não crie empresa, crie empreendimentos!
Eestamos trazendo uma nova proposta para empreendimentos de software.
Chamemo-la de Rede Σmpreendedora
(é preciso dar um nome pra ficar fácil de
referenciá-la ao longo do texto). A proposta é
bem simples e não traz nenhum novo
conceito.
Sua inovação está no contexto em que
será
aplicada, com foco no público desenvolvedor de software.
A Rede Σmpreendedora
Imagens dizem mais que mil palavras….. Eis a proposta:| Eu tenho uma ideia que acredito ter um bom potencial de lucratividade. | ![]() |
![]() |
Só que eu não tenho todos os recursos (tempo, infra-estrutura, design, contatos, habilidade de vendas…) para implementá-la. |
|
Eu
verifico se
alguém da minha rede de relacionamento possui
os
recursos dos quais preciso…
Pode ser um telefonema, um email ou mesmo numa conversa de boteco) |
![]() |
![]() |
…e ofereço parte dos meus ganhos a quem estiver disposto a me ajudar. |
| De forma semelhante, outras pessoas também têm ideias… | ![]() |
![]() |
…e também buscam apoio em amigos para viabilizá-las. |
|
Com
o tempo, eu terei participações
majoritárias
em poucos empreendimentos…
(os
meus empreendimentos)
|
![]() |
![]() |
…
e
participações minoritárias em
muitos outros.
(empreendimentos
de outras pessoas)
|
| Ganho
eu. Ganhamos todos. |
![]() |
Complexo?
Similares
A primeira vista, parece não haver nada de novo nesta proposta e, de fato, não há! Veja se o modelo sugerido em muito não se assemelha aos itens abaixo:Mercado de Capitais
Da página de uma corretora da valores:
Trazendo à nossa realidade, quando um desenvolvedor aposta
muito
em uma ideia de produto mas não possui todos os recursos
para
concretizá-la, ele pode (i) vendê-la à
empresa que
o contrata, (ii) pagar do próprio bolso os perfis
necessários para sua implementação ou
(iii) abrir
a
participação societária a quem estiver
disposto a
ajudar.
Vender ideias está longe da realidade. Afinal,
não faltam ideias no mundo, mas sim, pessoas com capacidade
de realização. Financiar suas ideias com recursos
próprios é uma boa saída mas,
infelizmente, assumiríamos assim todos os riscos do projeto
e, infelizmente, não fomos educados pra isso.
Restaría-nos, portanto, a última
opção, de distribuição de
quotas societárias, boa por um lado, prejudicial por outro.
Ao distribuir ações de nosso empreendimento,
criamos uma ótima oportunidade de coleta
dos recurso de que necessitamos para alavancagem do projeto, o
que é ótimo! Afinal, é assim que
empresas S.A. fazem para capitalizarem-se sem endividamento.
Entretanto, perpetuamos, nesta estratégia, algumas
características 1.0, como as relações
societárias e o modelo da escassês, no qual bens
valorizam-se na mesma proporção de sua
carência no mercado (o que socialmente não
é bom) ao contrário do modelo
da abundância que diz
que:
A proposta da Rede Σ tudo a ver com o modelo do mercado de
capitais
para alavancagem de recursos sem endividamento, com algumas ressalvas:
- a “bolsa de valores”, na verdade, nada mais é que minha rede confiável de relacionamentos, geralmente formada pro outros programadores, como eu, designers, devops e mesmo vendedores;
- primordialmente, toda negociação é feita com base em troca de serviços (tempo de desenvolvimento, montagem de uma infra-estrutura, espaço em servidores, esforço comercial etc) e não necessariamente dinheiro.
- devemos estar atentos à perpetuação do modelo de escassês, buscando sua minimização, sempre que possível.
Arranjo
Produtivo Local
APLs tem como proposta o agrupamento de toda uma cadeia produtiva em
torno de objetivos comuns a fim de pontencializar o ganho coletivo.
Pela Wikipedia,
Em Brasília, temos a APLTICDF
(Arranjo Produtivo Local de
Tecnologia da Informação e
Comunicação do
Distrito Federal), que congrega empresas de diferentes especialidades
que lutam em conjunto para potencialização do
mercado
local de TI.
Às vezes batizada como Pólo
Tecnológico, a
proposta merece grande respeito, principalmente pela busca do ganho
coletivo, mas ainda assim não resolve o problema
específico de potencialização das
ideias
individuais que todos nós, técnicos, temos.
As APLs
hoje, reúnem apenas empresários
(não
necessariamente empreendedores), que se usam de uma infra-estrutura
política para barganha de benefícios comuns. E se
fizéssemos o mesmo entre nós, desenvolvedores
de software?! Esta
é uma das propostas da RedeΣ.
Propomos a aproximação
não de empresas, mas de indivíduos
técnicos, para que, além da
potencialização de empreendimentos pessoais, haja
também a possibilidade de ganho coletivo de toda a minha
rede de relacionamento, num processo convergente de esforços
para
geração de riqueza e bem estar mútuo.
Jogo
Negócio Sustentável
Concebido por um grupo de consultores brasileiros, o jogo
propõe
um modelo de geração de riquezas
através do qual
sempre há ganhos individuais, coletivos e para o
território onde se opera cada negócio. Para que
cada
jogador
ganhe, é preciso que também haja ganhos para
todos os
demais participantes, contrariando as regras comuns de mercado.
No jogo, cada jogador (empreendedor) retira uma carta que descreve um
negócio a ser realizado. A cada jogador são dados
recursos para a realização de
negócios, mas
não necessariamente um jogador possuirá, num dado
instante, todos os recursos exigidos para a
concretização
do negócio que lhe fora atribuído. Dessa forma,
cabe ao
empreendedor consultar a mesa de jogo em busca de investimentos e
parcerias para a
conclusão bem sucedida de sua carta. Em contrapartida, a
cada
investidor disposto a ceder recursos ao empreendedor necessitado
é garantida participação nos lucros do
negócio em desenvolvimento.
O jogo não tem fim. Os jogadores é quem devem
estipular
um ponto de término. Dizem que uma única partida
pode
durar dias!!! De fato, a cada rodada, ganha o jogador da vez e ganham
todos os seus investidores. Muito semelhante ao que propusemos acima,
não?
Obrigado @viniciusteles
pela dica!
Redes
P2P
Fazendo uma analogia técnica, a
migração do modelo
de empresa
tradicional para o modelo de Rede Σ equivale à
mudança do mundo
cliente/servidor para as arquiteturas P2P de fornecimento de recursos.
Ao invés da distinção exclusiva de
papéis
(provedor e consumidor de recursos), entramos num formato onde
cada membro da rede exerce, simultaneamente, ambas as
funções.
Seja uma transferência de arquivos.
No modelo tradicional, existe um único servidor que hospeda
o
arquivo
desejado e vários clientes que o acessam para sua
obtenção. Nesta
estratégia, quanto mais clientes acessando, pior
é o
desempenho do
servidor e da rede. Em outras palavras, quanto mais usuários
na
rede, pior a rede
fica.
Num modelo P2P, por outro lado, a lógica se inverte. Quando
o
download
do arquivo é feito de algum lugar para sua
máquina,
automaticamente ele
se torna público aos demais participantes da rede. Ou seja,
quanto mais gente baixando o arquivo, mais
gente estará provendo o arquivo para download.
Quanto mais
usuários na
rede, melhor a rede fica.
Trazendo à nossa realidade, quanto mais gente numa empresa,
a
priori,
pior ela fica. Afinal, quanto mais funcionários, maior
será a
burocracia e maiores serão as dificuldades de relacionamento
pessoal com
todos os escalões. Outrossim, a
ploriferação de
empresas de um mesmo
segmento também não é bem vista por
empresários tradicionais. No atual
modelo, quanto mais empresas, maior a concorrência e menores
serão as oportunidades de negócio. Em
síntese,
quanto mais cheia
estiver esta nossa rede de negócios 1.0, pior ela fica,
assim
como
nas
arquiteturas cliente/servidor.
Na proposta da Rede Σ, o crescimento de
minha rede de confiança representa, naturalmente (i) mais
recursos para
colaborar com minhas ideias e (ii) mais ideias com as quais posso
colaborar. Isto é, quanto mais cheia a rede, melhor ela se
torna.
Princípios
A Rede Σ sustenta-se em alguns pilares que
orientam seu desenvolvimento.
Soberania
O que aconteceria se, exatamente hoje, os donos da empresa em que
trabalha resolvessem fechar as portas e mudarem de ramo? Considerando
que tenha sido a melhor empresa em que você já
trabalhou
na vida, seria uma #putafaltadesacanagem, não? O mesmo seria
se,
hoje, o Google também resolvesse desligar todos os seus
servidores. Quantos emails você perderia com a morte
instantânea do GMail? E as fotos que você guarda no
Picasa
ou os documentos do GDocs? Tudo viraria pó em um piscar de
olhos.
Analise bem e perceberá que vivemos em constante
submissão. Praticamente todo o controle de nossa vida
virtual
está nas mãos de pessoas que sequer conhecemos e
confiamos.
Este cenário foi o que levou Klaus
Wuestefeld,
em 2004, a
elaborar o manifesto
da Computação
Soberana
que, em síntese, defende
a liberdade plena para compartilharmos informação
e
recursos de hardware com os amigos.
Pelo manifesto do Klaus, devemos ser os donos de nossos
próprios
narizes e termos absoluta soberania para tomar a
decisão que mais adequada julgarmos ser
às nossas
necessidades.
Levando este raciocínio ao limite, o mesmo se aplica a nossa
vida profissional. Afinal, por que delegamos a decisão sobre
o
que vamos fazer amanhã à uma minoria de
empregadores
“donos da verdade”? Por que confiamos tanto nos donos das empresas que
nos sustentam, públicas ou particulares? Como o Klaus bem
disse em seu manifesto, fazemos isso
simplesmente porque todos fazem? Não faz muito sentido
entregar
o controle de nossas vidas nas mãos de quem não
confiamos.
E se, assim como no manifesto do Klaus, fôssemos soberanos o
bastante para decidirmos qual projeto vamos fazer, qual será
nosso esquema de trabalho e qual será a sua
perpetuação ao longo tempo? Seria
ótimo,
não? Oras bolas, MAS NÓS PODEMOS!!! A isso
dá-se o
nome de empreendedorismo!
Então, por que não o praticamos? Sendo simplista,
porque
fomos educados por toda a vida a sermos submissos e obedientes, e
não para questionarmos modelos consagrados.
Ao subjulgarmo-nos às determinações de
um
empregador, abdicamos da realização de nossas
ideias para
a dedicação exclusiva às ideias
alheias.
Supreende-te, então, o fato de não serem os seus
os
sonhos por fim concretizados? Nenhuma surpresa, certo? Afinal, nesta
situação, a energia gasta para
realização
de nossos propósitos maiores (não falo aqui de
bens
materiais) é mínima. Como poderíamos,
portanto,
estimar qualquer sucesso pessoal? Tudo o que você faz, por
fim,
é canalizado para o sucesso de terceiros.
Ora, e nossas ideias? E nosso propósito de vida? Conforta-te
abandoná-los em prol de uma pseudo-estabilidade
profissional?
Para uns, sim. Para outros, felizmente, é
inadimissível.
Estes, utilizam-se da relação
empregatícia como
instrumento de alavancagem individual. Captalizam-se com o dinheiro dos
outros para o financiamento posterior de seus próprios
projetos. Seria uma ótima alternativa, se não
víssemos tantas brilhantes
se
auto-sabotarem em gaiolas de ouro, encantadoras num primeiro momento,
por potencializar o financimento de projetos pessoais, mas
traiçoeiras, ao algemarem seus integrantes em
padrões
financeiros enviesados
Através da Rede Σ, estamos
buscando o
estabelecimento de novos modelos de sustento, tentando sair das
tradicionais alternativas de relação
empregado/empregador, valorizando a soberania individual e viabilizando
o potencial coletivo de produção de novas ideias.
Sendo soberano, qualquer profissional tem o livre arbítrio
para
iniciar sua própria rede de empreendimentos para
implementação de suas ideias e projetos.
Não
é necessário pedir permissão a seu
empregador e
tampouco envolvê-lo no processo. Inexiste qualquer entidade
ou organismo regulador que restrinja sua expansão viral.
Seja entre seus colegas da faculdade, a turma do Dojo ou amigos
virtuais, descubram um propósito comum e sigam em frente. O
importante é que, pela proposta, todos
têm ampla autonomia e soberania para a
mobilização de grupos de empreendedorismo
bastanto, para isso, criar coragem, sair na
zona de conforto, levantar a bunda da cadeira, #tirardopapel
e #botarprafazer.
Ligue para aquele seu brother agora e veja se ele nãotem
alguma ideia de projeto na qual você possa contribuir.
Compartilhe suas ideias com seus amigos e alavanque-as.
Confiança
Gostem ou não, o mundo é feito de panelas.
Você
vive em panelas. Panelas regem todas as relações
humanas.
Panelas, mal vistas em algumas ocasiões são, na
verdade,
o que de fato criam relações duradouras entre
pessoas.
Apesar da conotação pejorativa do termo, panelas
são, tecnicamente, nossas redes de confiança.
Redes de relacionamentos (o famigerado networking que
os autores sobre
carreira tanto gostam de falar) podem ser rapidamente criadas. Redes de
confiança, entretanto, representam algo
mais
avançado que só o tempo constrói. Numa
rede de confiança, o estabelecimento de
elos
de segurança, honestidade e conforto entre seus
nós cria
um ecosistema com amplas vias para o compartilhamento de
informações e a mútua
colaboração.
Chamamos, primordialmente, membros de nossa rede de
confiança
para irem à nossa casa. Qualquer dono de empresa prefere mil
vezes mais contratar integrantes de sua rede de confiança,
ainda
que em 2º ou 3º graus, à
seleção de uma
chamada aberta de currículos. Essas redes são,
portanto,
nosso porto seguro de relações humanas. Mais vale
depositar créditos no amigo do meu amigo do que em
alguém
que nunca tenha visto na vida. Torna-se, portanto, uma rede desta
natureza, o alicerce mais seguro sobre o qual deveríamos
desenvolver um plano de vida de médio a longo prazo.
Ainda do Manifesto da Computação Soberana,
A Rede Σ deve ser, portanto, acima de tudo,
confiável. Como já dito, trata-se de um ambiente
para o
desenrolar de nosso potencial empreendedor de ideias. Quanto mais
confiável forem as relações
existentes, mais
intensas serão as interações entre
seus membros e,
naturalmente, maior será o compartilhamento de
opiniões e
feedbacks, acelerando o ciclo de melhorias e potencializando as chances
imediatas de geração de valor.
Prosperidade
O que fazer para que as pessoas sintam-se sempre motivadas a serem
sempre melhores? Como evitar que profissionais acomodem-se ao longo de
suas
carreiras? Como manter aceso o espírito empreendedor em cada
um de nós?
É
possível a manutenção permanente de um
ambiente
fértil à cultura de ideias? Não temos
a resposta a
essas questões, mas temos bem clara
sua importância.
Modelos tradicionais de trabalho tendem a nivelar por baixo todos os
participantes de um grupo, gerando as malditas síndromes da
acomodação e do deixe estar. Afinal, por que
trabalhar
mais, inovar mais ou buscar novas ideias se o reconhe$$imento [sic] no
fim do
mês $erá sempre o mesmo?
Alguns setores usam modelos comissionados para gerar
motivação constante mas, considerando que a
política não se estende a todo quadro
operacional,
acaba que a abordagem só empurra o problema para
regiões
menos expostas do negócio. Ou seja, motiva-se o vendedor,
que
é a cara da empresa no mercado, e acomoda-se os
técnicos,
escondidos em algum porão mal iluminado da
corporação.
Ademais, a
técnica comumente sustenta-se sobre valores de venda, e
não sobre o resultado (ROI) de fato gerado, ocasionando um
ciclo
interno auto-destrutivo. Equanto uns vendem a todo custo, por
não terem seus reconhecimento$ associados ao sucesso ou
fracasso
do empreendimento, outros, limitam-se à operação
padrão, já
que nem mai$ e nem meno$ lhes será
atribuído.
Há uma fábula
bem conhecida entre executivos
que diz que, para manter sua equipe
sempre ativa, é necessária a
adição de
elementos que lhes provoquem a busca constante pela
sobrevivência. Nesta corrida, alguns morrerão, mas
o
resultado final será de indivíduos extremamente
capacitados a lidarem com o canibalismo do mercado. Pessoalmente,
concordo com a estratégia até certo ponto, mas
discordo
com a forma que algumas grandes multinacionais implementam-na.
Como exercício, responda à questão:
que perda
teria a sociedade se você morresse hoje (toc toc na madeira)?
Se
lhe falta resposta, revise seus propósitos e reflita sobre
sua
real importância para o negócio a que se dedica.
No
formato tradicional de trabalho, ser ou não socialmente
relevante é opcional. Já na abordagem da
Rede Σ,
é questão de sobrevivência. Ganha
você, por estar em constante atividade mental (a melhor
vacina para maus da 3ª idade), e ganha o grupo, por manter-se
sempre energizado para a vida.
Achamos que a Rede Σ contribui para a
manutenção desta excelência individual
e coletiva
de produtividade. No modelo proposto, cada indivíduo
é
soberano para implementar os empreendimentos que quiser e estabelecer
as relações que melhor lhe aprouver. Dessa forma,
cabe a
ele manter-se ativo e útil na rede. Por ser um meio
naturalmente
meritocrático, sustentam-se nela
apenas aqueles com melhores ideias e competências de
colaboração, gerando um ciclo virtuoso de alta
produtividade, inovação e
geração de
ativos. E, àqueles que não acompanharem o
desenvolvimento
coletivo, restará a marginalização.
Afinal, a Rede é, por
essência, dinâmica e a cada
instante se refaz.
Autorregulação
Como todo modelo meritocrático (vide software livre), a
proposta da Rede Σ é autoregulável. Por
possuir
uma dinâmica orgânica, de constante
mutanção,
sempre há a oportunidade de melhoria contínua.
Um integrante que não se atualize profissionalmente, perde
instantaneamente seu prestígio. Outro que, num instinto de
más intenções, utilize-se do
ecosistema para
benefício exclusivo ou ilícito, será
naturalmente
descartado em futuras oportunidades. Cada membro desta teia tem apenas
uma única chance para vacilar. Ao mínimo sinal de
sabotagem, assim como nas relações humanas,
perde-se de
imediato o elo de confiança que o mantinha ligado ao sistema.
Como as relações de negócio
são
estabelecidas a cada empreendimento, tem-se sempre a oportunidade de
substituir parcerias mal feitas por novos relacionamentos negociais.
Afinal, uma sociedade é o reflexo de um
alinhamento de
interesses num dado instante de tempo, e não um compromisso
que
deve prevalecer por toda eternidade. Com o passar dos dias, cada parte
de um acordo societário sofre influências
específicas e particulares que, a longo prazo, as fazem
desenvolver modelos mentais distintos daqueles existentes no
início do relacionamento. Com isso, desenrolam-se os
conflitos
que, a depender da maturidade dos envolvidos, podem desnutrir todo o
ativo até então cultivado, prejudicando os
próprios donos e todos os que dependem dos empregos gerados
pelo
empreendimento.
Na Rede Σ, sociedades são, de fato, o que elas
são
(o reflexo de um alinhamento de interesses num dado instante de tempo)
e não um compromisso eterno de
realização conjunta
de negócios. A cada nova ideia, cabe ao empreendedor avaliar
o
estado de sua atual rede de confiança e buscar nela
integrantes
com mais potencial de contribuição ao
empreendimento. A
medida que se desenvolvem divergências entre
indivíduos
que outrora se relacionavam, ocorre o natural enfraquecimento de alguns
laços, a consolidação de outros
novos e a reconfiguração natural da Rede.
Gênesis
Todos nós temos grandes ideias diariamente. Uns mais, outros
menos, mas volta e meia a lampadadinha pipoca em nossa
consciência. Por alguns instantes, temos a certeza de ser
esta a
ideia que faltava para um mundo melhor e que certamente
ficaríamos ricos se a puséssemos em
prática mas,
por estarmos presos a rotinas profissionais, acabamos por abandonar
aquilo que poderia vir a ser as próximas grandes
inovações da indústria (ou
não).
Na SEA, temos plena consciência disso e, além das
ideias
de seus donos, há tempos buscamos formas de aproveitar o
potencial empreendor de nossos funcionários, sem muito
sucesso,
confesso.
Em Setembro/2007, abrimos nosso blog público com o post Mudanças
na TEC que, dentre outras
coisas, dizia:
Em Novembro/2007, dissemos no texto Empreender
faz Sentido:
Em Março/2008, foi a vez do post SEA:
um celeiro de ideias:
De 2008 pra cá, frustrados com as tentantivas anteriores,
temos
cronicamente debatidos sobre novos modelos de empresa.
Conversando muito com @alissonvale,
principalmente, percebemos que o
formato tradicional de empresa, com N sócios e M empregados,
não parece mais ser o mais adequado para quem tem perfil
empreendedor. Falamos já há algum tempo sobre a
criação de um ecosistema de
colaboração
mútua, através do qual vários
empreendedores
pudessem se beneficiar individual e coletivamente, mas pouco
avançamos em termos práticos.
Paralela a essas discussões pouco conclusivas, emergiu na
SEA um
movimento interessantíssimo (e preocupador). Sem qualquer
envolvimento
direto nosso, organicamente aconteceu a formação
de
núcleos de empreendimentos marginais à atividade
principal da empresa. Foram pessoas que, motivadas exclusivamente por
seus ideiais, compuseram-se com colegas de confiança para a
implementação de projetos de toda
sorte. Se, por uma lado, orgulhou-nos assistir o
nascimento deste movimento e a maturidade de nossa equipe, por outro,
preocupou-se a situação pela
divergência de
esforços que passamos a ter.
Desde que percebemos a evolução deste movimento,
começamos um debate sobre como canalizar todo este
espírito empreendedor para um foco comum.
Chegamos a propor a participação
societária da SEA
em um dos empreendimentos individuais mas, pela falta de acordo entre
os percentuais de participação, foi mais uma
tentativa
frustrada.
Há cerca de um mês atrás,
discutíamos sobre
isso em um grupo de amigos (os Agilistas
Anônimos) sem, mais
uma vez, chegarmos a um ponto
prático comum.
Vamos abrir uma empresa
- pautado no pensamento 2.0;
- valorizando aprendizado e ducaralhice;
- altamente motivada e melhorando continuamente;
- vendendo consultoria de Scrum, XP e Kanban;
- e criando produtos de software para uma sociedade melhor
?”
“Convergência é tudo! E é isso que eu vejo nessa galera.
Seria fantástico poder fazer alguma coisa juntos.
O difícil é o ‘como’… alguma idéia?”
Nas vésperas do OxenteRails
tivemos, eu, @rwilli
e
@brunopedroso
uma longa
conversa sobre este cenário. Mais uma vez, destacamos todas
as
inciativas marginais à SEA e debatemos sobre meios de
convergência desta energia. Conclusão? Nenhuma :-/
No primeiro dia de Oxente, almoçando com alguns SEArenses
presentes (@tulios,
@edhana,
@igallina
e @aitherios),
falamos um bocado
sobre como resolver esta situação,
confortável
para cada um, mas péssima para todos! A conversa, com o
cenário de Ponta Negra ao fundo e regada a peixe e
camarão, foi fantástica. Desenhamos
possíveis
caminhos mas, mais uma vez, não chegamos a um ponto
conclusivo.
Foi na #horaextra do segundo dia de evento, no entanto, que os astros se alinharam.
Sem nunca ter globalizado este debate, integrei-me, expontaneamente, a uma roda de bate-papo que começou com uma sentença semelhante a esta:
Coincidência ou não, começou ali a
mesma
discussão em torno da qual há muito
refletíamos.
E, com a colaboração de um e de outro, o grupo
foi
crescento, mais e mais pessoas identificaram-se com aquela
situação, e foi dali que começamos a
desenhar esta
proposta, que não representa um fim, mas o
início de um grande debate público sobre
@alissonvale
ou ainda
@klauswuestefeld
Entrei em êxtase desde então. Obrigado @viniciusteles, @fagiani, @rafaelp e @smergulhao por terem iniciado o assunto.
Público
Que fique claro que não estamos advogando contra a
formação tradicional de empresas (N
sócios x M
empregados) em prol de um modelo exclusivamente empreendedor
(empreendedor x empreendor) ! A proposta da Rede Σ
não
é
universal. Atributos empreendedorísticos
não podem
ser generalizados. Nem todo munto tem interesse em correr riscos ou
viver em constante desafio. Há no mercado
espaço
de sobra para quem opta pela segurança, estabilidade e
submissão e, os próprios empreendimentos,
além de
seus criadores, necessitam de pessoas dispostas de neles trabalharem.
Percebemos então que a Rede é, na verdade, nada
mais que
alternativa a um perfil muito específico de profissional e
não uma nova regra de mercado que substituirá o
atual
modelo secular.
Poréns
Dos vários poréns que foram levantados em
discussões sobre esta proposta, há um que ainda
não soube responder.
Será que toda esta ideia não pode nos levar a um
padrão mesquinho de comportamento, sempre barganhando algo
em
troca de todo e qualquer favor?
Será que seremos sóbrios o bastante para
distinguir o
brother do investidor? Esta preocupação
está diretamente relacionada à
perpetuação do modelo de escassês
mencionado anteriormente….
Feedback
Encarecidamente, peço a todos que deixem sua
opinião,
positiva ou não. Tenho depositado muitas fichas neste
esquema e
gostaria da ajuda de todos para evoluí-lo.
Estamos hoje, na própria SEA, tentando iniciar sua
implementação. Estamos chegando ao fim do
financiamento
de um produto e,
para continuar com sua
evolução,
propusemos sociedade ao grupo de desenvolvedores que o conduzia.
Não é ainda um modelo totalmente soberado, mas
já
é um início. Mantenho-vos informados sobre o
aprendizado
que tivermos.
[]s
@alegomes
II Workshop arduino-brasilia 3

| Sábado 28 de agosto de 2010 15:00h |
.:.
SEA Tecnologia .:. CLN 110 Bloco A Sala 104 Brasília - DF |
O que vamos fazer neste workshop? Hackings!!! Vem pra ver.
Só
adianto que teremos Arduinos, ProgramMEs, Karduinos, SunSPOTs,
Sentillas, SmartPens Livescribe, injeção
eletrônica
e muitos, muitos sensores. #ftw
Inspire-se no site Elétron
Livre e traga suas ideias!!!
.:
Update em 31/08/2010 :.
O Jerônimo (@blogdoje) nos fez uma ótima
introdução teórica sobre
eletrônica, Arduino e afins. Veja nesta filmagem tosca.
II Workshop de Arduino - Introdução Teórica from unbiquitous on Vimeo.
[]s
Serviços Liferay SOAP com Groovy
Muito mais simples, né? Pena que não funciona no
Liferay :-(
Primeiro, porque a API utilizada pelo GroovyWS (Apache CXF) não
suporta sobrecarga de métodos
e os WSDLs do Liferay estão recheados disso. Segundo, porque
a mesma API não
suporta serviços
RPC/encoded
e o ServiceBuilder gera tudo assim.
Uma pena, senão seria uma
baita mão na roda, né não? Se tiver
alguma ideia de como transpor esta dificuldade, por favor, deixe-nos um
comentário. Usar outra API Java para XML não vale
;-)
[]s
Liferay e seus Web Services
Quem acompanha de perto a rotina da SEA, seja pelo Twitter, pelo site ou nos corredores da vida, já sabe o quão envolvidos estamos com o Liferay Portal Server. Tornamo-nos sua primeira parceria oficial no Brasil e comemoramos agora o título de primeira parceria nível Gold da América Latina.
Neste tempo, vários projetos foram desenvolvidos e o
aprendizado foi enorme, No intuito de divulgar a tecnologia,
disponibilizamos alguns
slidecasts básicos,
fizemos alguns posts,
mas ainda ficamos na
dívida de uma continuação mais
avançada, que eu espero reverter a partir de agora.
Arquitetura Liferay
Internamente, o Liferay nada mais é do que um monte de
entidades de negócio que compartilham serviços
entre si para a composição do que chamamos de portal.
Cada portlet presente constitui-se de algum conjunto de
serviços que podem ser acessados por outros portlets do
portal ou mesmo por outros aplicativos externos ao servidor.
Esses serviços, geralmente criados a partir de uma
ferramenta interna da Liferay chamada de Service Builder,
compartilham de uma arquitetura padrão, que
até podemos tratar em outro post. Isso quer dizer que, se
você aprender a trabalhar com uma entidade de
negócio do Liferay, você automaticamente
terá aprendido a lógica por trás de
todas as demais entidades. Em síntese, a arquitetura
escolhida define uma estratégia de classes
utilitárias, service locators
e a possibilidade de
exposição local e remota da interface de
serviços em criação.
Dito isso, este post trata de como podemos utilizar a camada de Web
Services do
Liferay para acesso remoto à sua interface
pública de serviços.
Liferay Web Services
Todos os testes apresentados a seguir foram realizados numa
instalação virgem do liferay-portal-5.2-ee-sp4 e
num Eclipse Galileo com todo aquele suporte a JEE.
Primeiro de tudo, vamos ver a lista de serviços
disponíveis para acesso remoto. Para isso, inicie o Liferay
e acesse http://localhost:8080/tunnel-web/axis

Perceba que cada Web Service possui, além de um link para
seu WSDL, um conjunto de operações que podem ser
invocadas.
O próximo passo é a criação
das classes que farão o acesso a esses Web
Services. Você pode fazê-las na mão ou
utilizar-se de alguma ferramenta de apoio. Como não sou
mané, vou gerar todo este código utilizando um
recurso do próprio Eclipse.
Com o Eclipse abert, clique em File > New > Other
> Web Services > Web Service Client.

Em seguida, escolha o Web Service a ser acessado, copie o link de seu
WSDL para o clipboard (Ctrl + C) e informe-o na primeira tela de
criação do Web Service Client.


Clique em Finish
e aguarde a geração do código de
acesso ao Web Service escolhido.

Analise o código gerado e veja o tamanho do galho que a
ferramenta nos quebrou.
Por fim, utilizando as classes geradas, implemente o código
para acesso ao serviço remoto (clique na imagem para
ampliar).
![]() |
Pode até ser trabalhoso, mas é bem mais simples do que pensou, não? Como exercício, tente cadastrar, via Web Service, um novo artigo (JournalArticle) no portal.
[]s
OxenteRails 2010
Salve galera!
Estamos afim de montar uma caravana brasiliense pro OxenteRails 2010.
Anima?
Já somos 5 da SEA e precisamos de mais 5 pessoas para
configurar uma caravana
e ter desconto nas
inscrições >:-)
O orçamento que fizemos de passagem e hospedagem, no hotel
do evento, indo dia 05/08 a noite e retornando no dia 08/08 de
madrugada, saiu por volta de R$680,00 por cabeça.
E, mesmo que Rails não seja a sua praia, não
esquente. Rails é só uma desculpa pra dar nome ao
evento. A maior parte das discussões é sobre
valores, cultura, agilidade e empreendedorismo, num modelo muito
semelhante ao do RailsSummit, do qual já
falei aqui no blog:
Dá uma sacada na grade de
palestras que você vai
entender melhor. É um
dos melhores exemplos de eventos 2.0
que conheço no Brasil: miscigenado, democrático,
informal e muito mais NxN do que 1xN. Pra exemplificar sua
originalidade, veja um trecho da última newsletter enviada:
E aí macho véi, tu vai né? Nem pense em pedir penico que isso é coisa de meninu réi buxudo, é idéia de jerico! Deixe de lero-lero e se inscreva já! O Oxente Rails 2010 vai ser um pipôco só.
Se tiver afim de ir conosco, deixe um comentário, ou fale
diretamente com o ian.gallina no email da seatecnologia com br.
[]’s bixim!
Pensamento 2.0 goes mainstream 6
Em nosso post original, comparamos modelos seculares de trabalho com
novas propostas de relacionamento, produção e
gestão. Ecoando nosso discurso, vários outros
autores corroboraram com a discussão com pontos de vistas
complementares. Desde então, fizemos inúmeras
apresentações sobre o assunto (video,
slides)
e muita saliva foi gasta em ótimas rodadas de bate-papo. A
última, a propósito, foi no evento AgileBrazil,
já relatado em
vários posts pela Internet.
Na matéria da Revista ÉpocaNegócios,
de título ”Você
já era!”, assinada
por Alexandre Teixeira, desenvolve-se um raciocínio muito
semelhante ao nosso, inclusive com uma tabela comparativa nos mesmos
moldes à original do Manifesto 2.0. Transcrevo abaixo alguns
trechos, para inspiração. Que tal dar uma ao seu
chefe?
| “Em
grande parte, sua empresa está sendo administrada, neste
exato momento, por um pequeno grupo de teóricos e
profissionais que já morreram há muito tempo e
criaram as regras e convenções da
gestão ‘moderna’ nos primeiros anos do século 20” “Sacudidas de um torpor de décadas para um recessão global, muitas companhias se deram conta de que, em um período crítico de suas histórias, estão sendo comandadas por líderes do século passado.” “(…) o executivo do século 21 é um generalista.” “O profissional tem de se colocar de maneira proativa. Estar disposto a um movimento lateral.” “Adquirir competências fora da sala de aula é um caminho incontornável para os candidatos a líderes da era pós-autoritária.” |
![]() |
Obrigado ÉpocaNegócios por endossar nossa
bandeira 2.0.
Salada de Arduino 1
No último sábado a gente se reuniu na SEA pra conversar livremente sobre Arduino e os aprendizados que nós andamos tendo no Karmonitor.
O empolgado aqui resolveu filmar, e brincar de diretor de cinema. :-D
O vídeo ficou um pouco longo (18min), mas tem bastante do conteúdo que rolou na conversa (que foi massa! diga-se de passagem).
Vejam aí e dêem qq feedback plz ;-)
Saladão Arduino - DojoSEA 10/jul/2010 from Bruno Pedroso on Vimeo.
[update 18:30]
O pessoal está se reunindo nessa lista, caso tenham perguntas ou queiram participar, de qq forma:
http://groups.google.com.br/group/arduino-brasilia
Go Dojo! 1
Muito legal saber que o movimento CodingDojo está ganhando asas!
Cada vez mais grupos estão se organizando. Toda semana ouvimos falar de um novo dojo nascendo, e ficamos muito contentes de participar disso!
Esses dias o Serge organizou um primeiro encontro com o pessoal do JavaBahia, e fez esse slide cast muito legal (parabéns meu rei!)
De quebra, ainda ouvi citarem outra iniciativa de dojo em Salvador, e no Ceará. Aí fiquei com vontade de listas os dojos que sei que estão rolando na terrinha :-)
Lembrando rapidamente, sem tentar ser exaustivo, vem:
- DojoSP
- DojoRio
- DojoCE
Em empresas, me lembro que já tem dojo na Bluesoft e na Locaweb, em Sampa.
Aqui em Brasília, temos o DojoBrasília e DojoSEA.
Se vc ainda não viu, deveria dar uma olhada no
. Lá tem uma bela lista também.
Tenho certeza que já tem muitos outros Dojos por aí. Se quiserem deixar registrados outros nos comentários… ;-)
E você, onde tem praticado?
O AntiAgileBrazil 2010 6
Calma pessoal, deixa eu esclarecer o título primeiro: não vou meter pau no evento que foi um sucesso absoluto, e de que inclusive fui um dos organizadores! =) Na verdade, li tantos bons relatos (li todos os 34 que estão nessa lista, e incluirei o meu como 35o.), que resolvi só relatar aqui o que não foi dito em algum deles, a título de curiosidade mesmo… Um título mais adequado seria "o outro lado do Agile Brazil", ou "o que ainda não foi dito…", mas não ia ficar tão legal! A idéia foi inspirada na antibiblioteca do Umberto Eco.
Se você não foi e quiser sentir um pouco do clima do evento antes de ler o resto do post, assista a esse filme produzido pela galera da @bluesoftbr, que a gente admira muito.
Agile Brazil 2010 from Bluesoft on Vimeo.
Tem outro falando do evento no Blog deles. Altamente recomendado! =)
Na verdade eu tinha muito interesse em ler os relatos pra saber o feedback dos participantes, e inclusive saber o que rolou e aprender com os outros palestrantes, pois as únicas apresentações em que estive presente 100% do tempo foram a minha com o Alê e a do Klaus! =P Faz parte!
Comecemos do início, que não foi na terça-feira dia 22/06, mas dia 09/10… de 2009! No Ágiles2009, quando o Rafael falou conosco da SEA sobre a idéia do evento, e fiquei encarregado de ser o nosso representante no evento. Em novembro começaram as reuniões de planejamento entre os organizadores, que eram via skype, e para esse evento de apenas 4 dias, foram 8 meses de preparação…
Esse é o primeiro ponto que vou destacar: a necessidade de bastante tempo pra organizar algo dessa grandeza.
Inclusive a duração do evento foi muito discutida: Muita gente pediu mais dias de evento e menos threads paralelas (inclusive indo até o sábado, que de fato é boa idéia). Hoje é possível pensar no assunto e tomar algumas medidas, a gente já sabe que deu certo uma vez e tem tudo pra dar certo de novo - aliás, o que vocês acham? 5 dias? menos threads?
Mas imaginem pensar nisso quando nem se sabia se teríamos verba/público/local e etc?
Fazer um evento pela primeira vez é meio que Campo dos Sonhos - "se você construir, eles virão"! Tem que ter uma dose de fé e coragem! A gente já tem essa experiência dos Marés, e felizmente tem dado tudo certo. Sinal de que há uma grande demanda reprimida pelo assunto. Muitos patrocinadores inclusive já têm interesse em continuar no ano que vem, alguns inclusive ampliando a participação.
Dimensionamos o evento inicialmente pra aproximadamente 500 pessoas, com salas menores, onde ocorrem normalmente os Agile Weekends. Para nossa surpresa, as vagas se esgotaram e ainda restou uma lista de espera de mais de 200 pessoas, o que nos deu confiança para tentar um local novo. O detalhe é que isso ocorreu bem perto do evento e há um grande mérito do Rafael e da PUC terem gerenciado essa mudança de grande impacto. No final, foram aproximadamente 815 pessoas ao evento, fazendo deste, o maior já ocorrido na América Latina no contexto de métodos ágeis. (Viu? Mudanças são boas! =)
Continuando, no começo tinha um grupo grande de organizadores, que se auto-organizaram sob a coordenação do Rafael Prikladnicki e restaram 14 que estavam realmente comprometidos.

Foto do @screscencio
Dessa turma, só não conhecia antes a Teresa e o Paulo Caroli, que vim a conhecer na primeira reunião presencial do grupo, na segunda-feira antes do primeiro dia do evento, como o Giovanni destacou.
Conhecemos o local que seria nosso "QG", onde teríamos rádios disponíveis, anotaríamos decisões, recados, =), =( , faríamos dipés a cada coffee e intervalo [Comunicação em abundância - outro destaque!], e conhecemos também o Marcos e a Vanessa, do cerimonial da PUC, que foram também essenciais para o sucesso do evento (Obrigado a vocês!) Foi uma lição nossa contratar um cerimonial, ajudou demais.
QG e Dipé dos organizadores
Depois, óbvio, churrascaria! (Vocês viram no vídeo acima).
No dia seguinte (terça 22/06), curso de CSM, CSPO e o nosso de XP. A curiosidade do curso é que foram trocados diversos e-mails, fizemos uma reunião via skype mas acabou que tudo foi resolvido só numa dipé 20 minutos antes da aula começar.
6 instrutores que nunca tinham dado esse curso juntos, tinha muita coisa que podia dar errado, mas graças à experiência de todos com o assunto e habilidades interpessoais desenvolvidas (sem egos atrapalhando o andamento), parece que deu tudo certo! Pelo menos o feedback que tivemos.
Apesar disso, na reunião de retrospectiva que fizemos após o evento, todos nós concordamos que deu certo, foi legal, mas admitimos que é melhor não brincar mais disso! =) Talvez tenha sido a primeira e única vez que tenhamos feito isso.
Depois, mais comilança, vinho, mais conversas muito interessantes, mais gente se conhecendo, licor cascata - tá, isso vocês viram em outros posts, assim como o curso do David Hussman (cara muito legal, comunicativo, sem estrelismos - "The Dude"), e a comilança do dia seguinte (quarta, 23/06).
Na quinta, 23/06, primeiro dia de palestras do evento, keynote do político Mr. Fowler (nem vou colocar foto), uns gostaram, outros acharam superficial - sem novidades, a frase dele que mais foi repetida foi "se algo causa dor, faça mais vezes", ou algo assim - só recomendo que não usem fora do contexto, como com a namorada/mulher…. não vai colar… =P
Durante o keynote, o Manuel Pimentel me convovou pra organizarmos uns Open Spaces que já estavam prometidos, entre eles o do Manifesto 2.0. Ali mesmo percebemos que em nenhum momento, todos os envolvidos poderiam estar disponíveis para participar, então resolvemos fazer naquele dia mesmo, eu coordenaria uma sala e daria uns "pulos" nos Open Spaces. Espero que os palestrantes da sala que coordenei não tenham se importado com minha ausência.
Mesmo me ausentando das salas, não deu pra participar muito discussões. Não li muito a respeito, mas parece que foram bem legais. Acompanhei um pouco o do Manifesto, que lotou, e um pouco o dos Marés, em que experiências foram trocadas entre o pessoal de BH (Marcos), Belém (pessoal do Tá Safo), Floripa (Ismael), Curitiba (Jonas) - ficou faltando o pessoal da Giran, do Maré-Vix.
Ainda na manhã, tinha que acertar os últimos detalhes da apresentação que faria (como comentarista), com o Alê. Fizemos isso durante a apresentação do Flávio Steffens de Castro, pois seria na mesma sala logo em seguida. Foi um recorde do Alê usar só 8 slides (normalmente são 200). O que faltou em slide, sobrou em polêmica, com direito a represálias (dizem por aí - e se for verdade, o lado bom é que finalmente fomos ouvidos!). Falamos da postura do governo em afirmar que desenvolvimento de software é serviço comum, não é predominantemente intelectual porque segue métodos, protocolos e técnicas pré-estabelecidas…
Essa era a vista que eu tinha da sala!
Fiquei de comentarista porque a apresentação que submeti não poderia entrar, pois só poderíamos participar uma vez palestrando. Essa foi uma regra criada pela organização que concordei e apoiei, mesmo tendo sido prejudicado por ela. O que aconteceu foi que, com tantos "feras" na organização, a primeira versão da grade praticamente era preenchida em sua maioria com nossos nomes. Tinha pouca renovação. Achamos que seríamos criticados por ter sido "panela", mesmo com a avaliação das submissões tendo sido feita por terceiros. Também gostaríamos de dar oportunidade a pessoas novas da comunidade, para fortalecê-la. Afinal, um dia também nos foi dada uma oportunidade que abraçamos e fizemos valer.
Apesar de mesmo assim termos tido críticas (teríamos de qualquer maneira), acho que foi um ótimo trade-off. Afinal, isso contribuiu para uma participação massiva, divulgação em grupos mais isolados, quem ficou de fora vai ter sempre muitas oportunidades de palestrar (e aparecer), e o pessoal novo que mandou mal, já está na nossa lista negra. =)
Outra crítica é que tinha muita apresentação iniciante. Acho pertinente, apesar de vermos que sempre há muita gente interessada, ainda entrando nesse mundo. O fato é que, conforme cometários do próprio Bruno Pedroso, que foi ao XP2010, não tem havido muitos avanços no conhecimento sobre Agile. O que tem rolado é reforço das técnicas já consagradas e muito "mais do mesmo"… Talvez no WBMA tenha surgido inovação, mas de lá não tivemos retrospectiva senão boa presença de público.
Falando em Bruno, a palestra dele também teve uma boa repercussão. O tempo era curto pra construir o raciocínio elaborado que ele desenvolveu, mas por trás de toda filosofia apresentada, havia uma idéia muito simples (da qual só me interei no sábado seguinte, numa conversa no carro), e aposto que ele teria prazer em discutir horas com interessados sobre o assunto (dinâmico x estático).
À noite rolou o John Bull com boa parte da turma… Aliás, só tinha a galera do evento lá e mais, no máximo, 10 outros perdidos. Rolaram altos papos cabeça. Essas oportunidades de conversar, conhecer o pessoal, trocar idéias; na minha opinião, são as melhores partes do evento.

Último dia do evento, 24/06, sexta, keynote com o Philippe Kruchten (também brother, só que às vezes dá umas viajadas no meio das conversas), e depois o Brasil NÃO jogou.
À tarde, a palestra do Manoel Pimentel sobre coaching foi muito bem comentada. Aliás, tenho visto uma atuação crescente de coaching nessa área. Acho que tem a ver com Agile ser uma cultura, e nada como um coach pra facilitar transferência de cultura e adaptação de comportamento. Vivemos esse desafio de expansão atualmente na SEA, e o limite é justamente o tempo de transferência da cultura SEArense entre novos colaboradores.
Ao final do evento, pelo menos para a maioria dos 800 participantes, um keynote excepcional do Klaus Wuestefeld (precursor do XP no Brasil), feito em notepad!! =D Foi muito sagaz mesmo, também muito bem comentado - um diferencial do evento.
Um dos pontos altos foi quando ele fez uma analogia entre cozinha de solteiro que mora sozinho (e vai acumulando bagunça, e chega uma hora que a gente quebra o miojo no meio pra fazer na leitera porque não tem mais panela limpa), e código sem refactoring. Muita gente se identificou e riu. Essas sacadas são preciosíssimas na hora de argumentarmos com nossos clientes. Foi perfeito! Outra coisa foi o aprendizado por osmose: também muito bem encaixado.
Ele contou sua carreira e substituiu os 5 valores do XP por 2: Learning e Coolness, que foi traduzido como "Aprendizado e Ducaralhisse".

Depois agradecimentos, vídeo do Ken Schwaber prometendo participar do Agile Brazil 2011, brindes, fotos, uma retrospectiva dos organizadores muito bem conduzida pelo Paulo Caroli em que levantamos algumas melhorias e lições que já foram destacadas aqui, e muito prazer e orgulho de ter participado disso tudo.

Após tudo isso, ainda restou oportunidade para alguns dos momentos mais nobres e mais filosóficos de todo evento: Fomos a outro restaurante, mais comilança, mais vinho e mais conversa. Conversa essa que perdurou num pequeno grupo, que saiu do restaurante e foi filosofar mais no Dado Pub. O Dado Pub fechou mas a conversa não acabou. Foi parar no saguão do Hotel e lá a conversa durou até precisamente 4:10 da matina (Timebox sugerido pelo Rodrigo de Toledo, que viajaria pra casa logo em seguida de manhã cedo). Assim nasceram os Agilistas Anônimos! =D
Que foi outro acontecimento brilhante, graças ao Agile Brazil 2010.
E que venha o próximo!
[]’s
Willi
AgileBrazil 2010
De lá pra cá, foram mais 8.000 emails trocados,
mais de 15 conf calls, cerca de 850 inscrições,
150 submissões, 7 delas vindas do exterior, 23
empresas e 6 universidades palestrantes. Para quem já se
envolveu na organização de eventos, sabe a
trabalheira que dá e, dados esses números, tem-se
uma noção do baita feito atingido pela equipe de
organização. Um salve para todos que trabalharam
duro para presentear a comunidade brasileira com um encontro de
tão alto nível!
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O evento já começa nesta próxima
semana, em Porto Alegre/RS, com 2 dias de cursos e outros 2 de
palestras.
A presença de alguns figurões do mundo do desenvolvimento de software, como Martin Fowler, Philippe Kruchten e Klaus Wuestefeld, aliada à possibilidade de intercâmbio de ideias com uma das comunidades mais ativas desses dias, faz do AgileBrazil uma oportunidade única para aprendizado e expansão do networking.
A SEA estará palestrando em dose dupla na 5ª-feira, 24/06.
Alexandre Gomes e Renato Willi, 24/06 às 11:45hs
A mentalidade industrial de nossos legisladores desenham um futuro cataclítico para a TI no setor público. Em recente debate aberto em um órgão do governo, fomos surpreendidos com afirmações dignas de 30 anos atrás. Como atores diretos deste segmento, indignamo-nos com o desejo generalizado de se fazer sempre mais do mesmo e a displicência dos envolvidos com todas as tendências pró-agilidade, sustentabilidade e eficiência que emergem mundo afora. Iremos continuar o raciocínio iniciado no evento Agiles´2009, na palestra sobre Licitações Ágeis, revisando cada conceito relacionado, analisando a atual Lei de Licitações, refletindo sobre o que deve levar pessoas tão inteligentes a pensarem desta forma e sobre como podemos mudar a inércia da máquina pública rumo ao colapso.
Arrumando a cozinha com Pomodoro, GTD, TDD e Scrum
Bruno Pedroso, 24/06 às 18:15hs
Essa palestra apresentará as metodologias Pomodoro, GTD, TDD e Scrum enquanto peças de um sistema metodológico integral. Serão apresentadas em uma visão geral e contextualizadas no novo modelo de trabalho que se desenvolve no início desse século. Serão evidenciadas suas semelhanças e os princípios em comum que as tornam coesas em um sistema com características fractais, ou auto-similares.




























